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Interrompido – Os olhos não veem (Episódio 15)
Um mergulho no passado revira coisas enraizadas a tempo suficiente pra tornar o coração envolto por uma crosta rígida.
Mishael Mendes access_time 19 min. de leitura
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A surpresa deixou doutor Pedro Gonzaga desconfortável, mas logo sua atenção é desviada pra um detalhe inesperado.

Tentando tornar os cuidados de Cadu mais efetivos, Lourdes faz uma proposta e, além do filho continuar na mesma, ainda recebe uma fatídica notícia, mas o que ouviu após isso a deixou tão revoltada que acabou discutindo com Marcos e, ao tentar se desculpar, percebeu haver algo de errado com ele.

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Após respirar fundo, tudo que Marcos conseguiu responder foi compreender a importância de falar o que incomodava, entretanto, não o conseguia fazer – o conhecimento de algo, necessariamente, não nos habilita a saber lidar com aquilo, afinal, consciência não significa domínio.

— Neguinho falar ajuda a diminuir o peso. Você me ensinou isso e tinha toda razão!

Foi necessário mais alguns segundos de silêncio – puxando o ar pelo nariz e soltando pela boca num ritmo mais controlado – pra uma nova tentativa acontecer, apenas pra Marcos se dar conta de ainda não conseguir dizer nada. Tentando ajudar, Lourdes puxou o marido pra mesa e, após sentarem, tentou guiar a conversa através de perguntas.

Nem foi necessário tanto tempo, bastou falar no dia do acidente pro esposo dar uma pequena tremida, daí ela insistiu no assunto, afinal, ainda não ouvira como ele enfrentou aquele trágico dia.

Externamente Marcos parecia calmo, mas dentro de si, experimentava o terror. Imagens obscuras lhe tomavam a mente, repetindo cenas das quais desejava excluir e, conforme acessava as lembranças, umas se cruzavam nas outras, o enchendo de horror e dificultando se expressar com naturalidade.

O suor frio escorria pelo rosto, enquanto o receio de perder o controle de si mesmo aumentou – contar o que passou nos transporta pra determinados momentos, o que pode ser uma experiência ruim, já que faz reviver cada sensação experimentada.

“O conhecimento de algo, necessariamente, não nos habilita a saber lidar com aquilo, afinal, consciência não significa domínio.”

Em meio ao estado de agonia, Marcos sentiu a esposa lhe apertar a mão, o gesto fez a atenção se voltar pra mulher a sua frente, focando nos castanhos olhos mansos dela – os mais lindos que já viu e que desejava ter sempre a admiração deles – o gesto simples lhe deu a força necessária e ele começou a falar.

Cadu estava a poucos metros de casa, quando viu a floricultura aberta, lembrando o quanto a mãe amava ganhar flores, escolheu as orquídeas mais belas – apensar dela gostar de flores no geral, tinha preferência por orquídeas. Saindo de lá, foi imaginando a cara de felicidade da mãe ao receber o presente inesperado, o que pra ele seria a melhor recompensa.

“As revelações que trazem libertação, também carregam a dor dos traumas vividos.”

Ao ver a ligação do pai, estando tão próximo de casa, Cadu brincou, pedindo pra adivinhar onde estava e a resposta o fez rir, ele achou graça do pai chutar uma localização tão distante, daí disse pra tentar de novo.

Antes de fazer isso, intuitivamente, Marcos abriu a cortina pra observar a rua, foi quando viu Cadu lhe sorrir e acenar com a mão do celular, já que na outra trazia o vaso de flores. Uma fração de segundo bastou pra um carro fazer Cadu voar longe, enquanto o vaso era esmagado pelo pneu do automóvel, daí… tudo ficou… estranho…

A única coisa em sua mente naquele momento, enquanto tudo perdia cor, lógica e razão, se desprendendo do tempo numa velocidade arrastada, foi socorrer o filho, então correu pra fora enquanto chamava a esposa.

Na rua, a cena vista quase lhe rouba a respiração, atirado no chão, Cadu se encontrava ensanguentado, sem refletir, o tomou nos braços, carregando-o pra dentro e, antes de entrar em casa, o desespero aumentou ao ver Lourdes desmaiar. Sem saber o que fazer, ele gritou por ajuda, felizmente Fábio e Bia surgiram, logo depois o SAMU chegou.

Assim que Marcos silenciou, Lourdes ficou estática e se imaginar as cenas já foi o suficiente pra paralisá-la, quanto maior devia ter sido o choque do marido?

Não restavam dúvidas da barra que foi enfrentar tudo isso e sem poder falar nada, pois caso tivesse dito algo ela ficaria pior.

Em meio as reflexões, Lourdes recordou que quando seguiam pro hotel, reparou que o celular do marido tinha a tela rachada.

— É que sentei e esqueci que ele estava no bolso de trás.

— Poxa, neguinho, você precisa ter mais cuidado! – Ela ralhou, já que fazia uma semana desde a compra do celular.

Agora ela sabia a verdadeira causa – e isso a fez estremecer.

“Contar o que passou nos transporta pra determinados momentos, o que pode ser uma experiência ruim, já que faz reviver cada sensação experimentada.”

Ante a visão aterradora, Marcos largou o celular, correndo pra ajudar o filho e quem era ela pra julgar o marido por tamanha imprudência, se havia feito a mesma coisa com seu bule preferido, apenas por pressentir algo ruim quando ele a chamou?

Aquela altura, o rosto de Lourdes parecia ter torneiras que não queriam fechar, enquanto o de Marcos estava mais pra deserto, ainda assim, os olhos dele revelavam uma dor de imensas proporções, num misto de raiva e decepção.

Como não conseguia chorar os pesares, a carga de dor se tomou maior – quando a intensidade dos sentimentos é tamanha, estando prestes a transbordar, lágrimas servem pra nos equalizar a realidade.

Tomada por um ímpeto, Lourdes abraçou o marido e lhe disse que não tinha problema chorar. Com o olhar vago, Marcos ainda estava arrebatado pela trágica lembrança, ela então, apoiou a cabeça dele em seu ombro.

— Chora, neguinho! Você precisa materializar essa dor. – Suavemente, ela lhe disse no ouvido dele.

— E… eu, não posso! Não consigo… – Marcos falou com dificuldade, de repente o ar ficou mais pesado, dificultando a respiração.

— Mas precisa! – Ela insistiu, calmamente.

Marcos disse querer fazer isso, mas não sabia o que era chorar desde muito pequeno. Lourdes conhecia pouco da infância do esposo ou de sua relação com o pai, sabia apenas que foi onde aquela tragédia aconteceu.

— Desde que sua mãe se foi?

— Sim… – Com os braços, ele apertou a esposa, procurando um pouco de segurança.

Dona Júlia sempre foi dedicada e amorosa, apesar dos 13 filhos pra criar até que, pouco depois de Marcos completar seis anos, começar a ficar fraca, se cansado com frequência.

Um exame médico constatou o óbvio – ela estava doente – mas os poucos recursos não foram capazes de dizer o que era, assim, mesmo sentindo dor, acabou sendo mandada de volta pra casa.

— AAAAAAH! – Não era nem seis horas da manhã e dona Júlia já gritava, a dor parecia ter vindo com mais intensidade que de todas outras vezes.

“Quando a intensidade dos sentimentos é tamanha, estando prestes a transbordar, lágrimas servem pra nos equalizar a realidade.”

As crianças despertaram assustadas e correram pro quarto da mãe, apenas pra situação as deixar chocadas, a mãe parecia sofrer bastante.

Como não havia telefone, nem pessoas responsáveis – José, o pai, viajara pra outro estado, os mais velhos, de 18 e 20, eram casados e moravam longe e o de 16 e os gêmeos de 15 já estavam no trabalho – então os garotos de 7, 10 e 11 decidiram buscar o médico na cidade vizinha, distada a 4 léguas dali.

Marcos até se voluntariou pra ir, mas por não haver transporte público a distância precisava ser percorrida a pé, levaria um tempo, assim alguém precisava ficar pra cuidar da mãe e dos miúdos – os gêmeos de 5 e os irmãos de 2 e 3 anos – e ninguém melhor que ele, o mais paciente, pra cuidar daquelas crianças agitadas.

O relógio marcava o tempo sem o suplício ter fim, Marcos tentava dar algum alívio passando um pano molhado na testa da mãe, mas sem sucesso, já que os gritos ficavam cada vez mais pavorosos.

Assustados, os miúdos começaram a chorar, então Marcos os levou o mais longe no terreno, até onde não desse mais pra ouvir mais nada.

— Olha! A mamãe tá muito dodói, mas vai ficar tudo bem! – Ele disse calmamente e abraçou os quatro de uma vez, conseguindo acalmá-los com isso.

Daí deu a missão especial de colocar todas as galinhas no poleiro, os miúdos adoraram a sugestão e se distraíram correndo de um lado pro outro – as penosas eram ainda mais agitadas e teimosas que eles, assim a tarefa levaria tempo suficiente pra poder cuidar da mãe sem interrupções.

A pressa fez Marcos sair correndo, ainda assim não ouviu grito algum, ao se aproximar da casa estava tudo silencioso.

“Não há argumentos ou quem possa nos livrar quando o promotor é a nossa consciência.”

“Será que o médico chegou?” – Ele se animou e disparou pro quarto da mãe.

Entretanto, ao chegar na porta do quarto, o que viu foi o mesmo de berrarem um grande não em sua cara, Júlia delirava banhada em lágrimas e suor.

— Filho, segura a mão da mamãe! – Ela pediu assim que o percebeu o olhar assustado de seu garotinho.

Obediente, Marcos entrou no quarto, se aproximando com cuidado, ele tinha medo de que algum passo brusco fizesse a dor voltar. Naquele momento, a distância entre ele e a mão pareceu imensa, ainda assim, manteve os passos o mais firmes que perninhas podiam aguentar.

Quando estava perto suficiente, viu a mão da mãe cair pesadamente, assustado, a levantou, segurando-a por alguns instantes, só que quando soltou ela caiu outra vez.

— Mãe, acorda! Tô segurando sua mão! – Ele pediu, já tremendo e com a voz fraca, ao ver Júlia num sono profundo.

Só que mesmo segurando firme e chamando várias vezes ela não despertava, quando a mão da mãe começou a esfriar ele a soltou assustado. Nesse momento, Marcos estava tão desesperado que balançou a mãe, enquanto berrava, mas já era tarde e o espírito de Júlia já havia abandonado aquele corpo que tanta felicidade e dor lhe havia proporcionado.

Ainda assim, o garoto continuou ali, implorando pra mãe acordar. No momento em que os irmãos chegaram com o médico, o encontraram emudecido, agarrado ao braço da mãe, com os miúdos chorando em volta dele.

— A mãe se foi por minha culpa! Não consegui segurar a mão dela pra ela não ir! – Ele se sentenciou àquele fardo tão pesado.

O médico explicou que ela já estava muito debilitada e mesmo tendo chegado mais cedo não ia poder fazer mais nada, ou seja, aquilo não era culpa de Marcos, ainda assim o garoto resistiu pra sair de perto da mãe, dizendo continuar ali até ela voltar, e só o conseguiram afastar depois de muito custo.

“O peso que os olhos não veem pode ser extremamente doloroso pro coração que o sente.”

Mesmo com toda explicação, foi difícil convencer alguém que já havia aceitado tamanha acusação, foram necessários muitos até ele compreender não ser o responsável pela morte da mãe – não há argumentos ou quem possa nos livrar quando o promotor é a nossa consciência.

José só conseguiu chegar na madrugada do dia seguinte ao recebimento do telegrama que notificava o falecimento da esposa. Mesmo chegando tarde, os filhos o aguardavam com ansiedade e como resposta tomaram bronca por estarem acordados uma hora daquelas quando havia muito o que fazer pela manhã.

Após ter descansado um pouco, José foi cuidar pessoalmente dos preparativos – fazendo tudo friamente calculado. O enterro aconteceu na tarde do terceiro dia do falecimento de dona Júlia.

Marcos só se deu conta de que nunca mais veria o calor no sorriso da mãe ou teria seus abraços apertados e cheios de amor dispensados tão afetuosamente quando o caixão começou a ser coberto de terra, então foi tomado de uma tristeza aguda que o fez querer chorar.

Como não estava mais responsável por nada e ninguém, podia ser a criança que era e deixar rolar pelo rosto toda dor a lhe corroer o peito, porém, quando estava prestes a fazer isso, o pai ralhou dizendo pra engolir o choro porque lágrimas não combinavam com homem. Assim precisou conter o ímpeto de se desfazer em água salgada e permanecer quieto, embora devorado por uma dor maior que seu diminuto tamanho.

Desse dia em diante, o pai seguiu como se nada tivesse acontecido, nem permitiu tocar no assunto, Marcos bem tentou, mas o tapa que deixou a boca sangrando serviu pra ele e os demais entender que o aviso era pra ser levado a sério.

Sob o sol da roça, o garoto seguiu plantando e colhendo, enquanto outra coisa crescia nele – resultado da interação entre a perca com a opressão diária – brotando revolta e desprezo pelo pai, assim, tão logo pode, mudou-se pro interior de São Paulo, sem planos de voltar pra Arcoverde.

A pele macia dos braços de Lourdes lhe envolvendo, fizeram Marcos retornar das lembranças e perceber o ombro o rosto lavado, ao se dar conta disso o desespero cresceu e o choro acentuou. Ele mal tinha se dado conta de estar apertando os braços em torno da esposa – como se ela pudesse escapar caso não a segurasse bem.

“Independente de ligação sobrenatural ou responsabilidades, pais também são frágeis, assim, talvez precisem de algum tempo pra processar determinadas situações e, alguns, podem, inclusive, se perder tanto em si mesmos a ponto de não saber como tratar os filhos.”

— Chore tudo o que tem pra botar pra fora, amor! – Ela lhe soprou no ouvido e, carinhosamente, colocou a cabeça dele em seu colo.

Com o marido naquele estado, ela entendeu que o peso que os olhos não veem pode ser extremamente doloroso pro coração que o sente.

— AAAH! – A resposta foi um berro, Marcos soltou a agonia a tanto silenciada em si.

Enquanto a dor interna saía em sons inexprimíveis, ele só conseguia chorar uma dor mal sepultada que ocultava raiva de si pela falta de coragem em dizer o que realmente sentiu.

Perdendo o total controle das emoções, os soluços entrecortavam o choro que expurgava todo sofrimento, então o peito pareceu ser rasgado e, do coração, se arrancar uma significativa parte necrosada. Pouco depois os olhos secaram – o corpo reteve as lágrimas antes dele acabar desidratado.

— Eu odiava meu pai! – Marcos conseguiu vomitar o que tanto lhe revirou o estômago, mas que acabou ficando entalando na garganta, daí começou a acalmar.

Acariciando-lhe os cabelos, Lourdes disse que ele devia ter dito pro pai o sentimento nutrido por ele.

— Mas com isso você corria o riso de deixá-lo ainda pior. – Ouvir isso o espantou e uma grande interrogação surgiu na cara dele. – Neguinho, você já pensou se a postura fria não foi o jeito do seu pai enfrentar a própria dor?

Essas palavras o fizeram enxergar a vida e própria dor por outra perspectiva, Marcos recordou que o pai que nunca conversou com ninguém sobre os próprios sentimentos, já ele tinha alguém pra odiar e responsabilizar por não poder extravasar a dor, e o pai? A quem mais podia culpar além de si mesmo por viajar mesmo sabendo que a esposa estava doente?

Dessa forma, José seguiu, carregando uma dor da qual sentia responsabilidade total e por não ter como lidar com ela era intolerante com os filhos.

“A verdadeira força está em saber quando reconhecer a própria fragilidade, não ignorá-la até afundar na própria dor.”

Algo que sempre pareceu incoerente em sua atitude era – mesmo proibindo tocar no assunto – obrigar os filhos a visitar o túmulo de Júlia todo 2 de novembro, onde não esboçava qualquer pesar. Regra que continuou a valer até cada um ter idade suficiente pra sair de casa e partir.

A angústia do pai foi aumentando, cada vez que um filho o deixava, mandando notícias e aparecendo poucas vezes, surgiu numa nitidez cruel pra Marcos. Mesmo com sua rigidez, José se esforçou pra criar bem os filhos, sem nada deixar faltar pra obter como recompensa o exílio.

O pior é que Júlia – a quem amava a ponto de, mesmo com uma grande prole, se recusar a casar outra vez – não estava mais ali. Nisso a solidão só fez intensificar a dor no peito até o coração não aguentar mais e parar de vez.

A epifania deu a Marcos uma compreensão do sofrimento de seu velho, a qual jamais imaginou existir por estava ocupado demais afogado na própria dor, por isso acabou cometendo o sacrilégio de não ter visitado o pai, nem mesmo quando adoeceu. Os irmãos até ligaram diversas vezes, solicitando urgência, dizendo que o pai desejava vê-lo muito.

Ainda assim, ele protelou, afinal, estava ocupado demais no trabalho, sem ninguém pra cobri-lo, entre outras desculpas, até não restar mais tempo e ele ser o único a não comparecer no funeral do pai.

Foi nítida a visão doe José no leite de morte, entre gemidos e alucinações, a lhe pedir perdão com o fôlego que sentia restar.

— Não pai, eu que preciso de perdão! – Marcos levantou e as lágrimas voltaram a correr.

— Ele já te perdoou, neguinho! – Lourdes aproveitou pra abraçar o marido.

Ele entendeu que, independente de ligação sobrenatural ou responsabilidades, pais também são frágeis, assim, talvez precisem de algum tempo pra processar determinadas situações e, alguns, podem, inclusive, se perder tanto em si mesmos a ponto de não saber como tratar os filhos.

“Os fardos que costumamos acumular, como partes de nós, só impedem a percepção de que vida pode ser leve e mais prazerosa.”

Depois daquela iluminação, ficou claro pra Marcos o porquê do pai ter tomado algumas decisões ruins, tudo foi feito acreditando ser o melhor a fazer. Era esse o mesmo motivo pelo qual escondeu de Lourdes o que presenciou, pois, acreditava que por mais que estivesse doendo precisava suportar tudo calado, sendo forte pra esposa – só que a verdadeira força está em saber quando reconhecer a própria fragilidade, não ignorá-la até afundar na própria dor.

Com a camada de amargura removida das memórias, Marcos viu o quanto se parecia com o pai, muito de sua personalidade era copiada dele, até mesmo as manias que tanto detestava ver na figura paterna – talvez fosse essa a causa da implicância mútua entre os dois.

— Amor, me perdoa! – Foi a vez de Lourdes se retratar. – Só não quero que levem nosso filho antes do tempo, quem sabe ele não melhora?

Abraçados, os dois choraram por sentir a dimensão da dor um do outro – os fardos que costumamos acumular, como partes de nós, só impedem a percepção de que vida pode ser leve e mais prazerosa.


#proximoepisodio

Cada vez mais empenhada nos cuidados do filho, eis que Lourdes sente uma presença desagradável rondar o quarto, insaciável a morte parecia buscar qualquer oportunidade de tragar Cadu – teria a visita inesperada trago aquele espírito sombrio?

Isso ela não sabia dizer, mas que a visita despertou sentimentos nada agradáveis ficou bem claro, mas antes de compreender direito o que acontecia a visita desaparece sem deixar vestígio algum de sua passagem ali.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

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