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Articulário: Exercitando a alma
Priscilla Du Preez/ Unsplash

Exercitando a alma

“Um sorriso breve, mas verdadeiro, aquece mais que chamas.”

Mishael Mendes [Salmos 4.7]

Sorriso de Duchenne

Sorriso é um assunto sério, seus estudos surgiram em 1800, com o neurologista francês Guillaume Duchenne, responsável por descobrir os músculos faciais envolvidos no processo e que um sorriso verdadeiro envolve o movimento dos lábios e dos olhos – que diferente da boca, não dá pra fingir. Embora um sorriso genuíno surja de forma espontânea, nem sempre ele é causado por felicidade ou contentamento, também pode ser motivado por sentimentos negativos, como medo e vergonha – conforme abordado por aqui.

Segundo uma pesquisa conduzida pelo doutor Harry Witchel, sorrir é menos um reflexo de alegria interna e diversão, e mais como resultado do engajamento social. Witchel acredita na ecologia comportamental que considera sorrisos apenas como ferramentas de interações, sendo dispensável pra alegria. Apesar da existência do sorriso social usado pra nos relacionar, ele também surge provocado pela felicidade real. Em uma entrevista ao Business Insider, a professora Sophie Scott afirmou: “os dois tipos mais importantes de sorrisos, ou as distinções entre eles, é se são ou não completamente involuntários ou um pouco mais comunicativos”. A diferença entre os dois é que o sorriso de felicidade surge de forma involuntária e se espalha pelo corpo, já o social é controlado pelas interações, surgindo pra mostrar gostarmos de alguém, que o reconhecemos ou lhe entendemos.

Nascemos pra sorrir

Antes mesmo de nossa formação completa e de sermos observados por qualquer pessoa, um sorriso já se formava em nossos rostos. Com o avanço da tecnologia de ultrassom 3D, foi possível identificar que mesmo bebês em estágio de desenvolvimento no útero sorriem; tendência essa que se mantém ao longo da vida. O sorriso é um gesto universal, independentemente da cultura e do meio, é uma expressão básica e biológica uniforme, até mesmo tribos mais isoladas, que praticam canibalismo, o utilizam e o reconhecem, como apontou Ron Gutman, numa palestra do TED.

O humor é uma mistura de fatores físicos e culturais, também da personalidade e formação, que pode ficar mau pela liberação de hormônios, como a adrenalina, que causa agitação, angústia e nos deixa irracionais, fazendo a gente descontar a energia acumulada em quem está próximo; provocando culpa e piorando o humor, assim, mesmo coisas pequenas são ampliadas pelo filtro do mau humor. Sorrir mesmo em momentos difíceis ajuda a lidar com o estresse, permanecendo saudável. Conforme os músculos se movimentam pra expressar felicidade, o cérebro produz neurotransmissores que reduzem o cortisol e a adrenalina, aliviando a dor e melhorando o humor.

Por todos os lados

É possível aproveitar os benefícios do sorriso mesmo ele não sendo natural, até mesmo o uso de Botox que impede de franzir a testa, causa o efeito de maior felicidade. Menos de 14% das pessoas sorriem até 5 vezes por dia, enquanto mais de 30% mais de 20, já crianças conseguem chegar até 400 sorrisos. Um sorriso contagiante provoca seu espelhamento nos outros, ou seja, quando sorrimos nossa alegria é refletida ajudando a formar relacionamentos e a cultivar positividade. Desempenhando uma função importante na construção de laços e do companheirismo, sorrisos facilitam nossas interações.

Pro escritor William Arthur Ward, “um sorriso caloroso é a linguagem universal da bondade”, isso se relaciona com o fato dele estar associado ao bem-estar emocional, inclusive entre casais. Num estudo realizado em 2015, psicólogos chegaram a conclusão que uma conversa misturada a sorrisos estava associada à qualidade, proximidade e apoio no relacionamento ao fortalecer e aprofundar os vínculos. Outro estudo realizado no Reino Unido revelou que um sorriso pode ser tão poderoso e estimulante ao cérebro quanto consumir 2.000 barras de chocolate, chegando a superar diversas recompensas, inclusive o recebimento de quase R$ 130 milhões. Sorrir nos torna mais acessíveis, fazendo sermos vistos como simpáticos e educados, e além de aquecer as pessoas nos torna mais competentes, melhorando nosso desempenho no trabalho – como vimos aqui.

Risco de contágio

Ainda que uma crise de riso possa ser catártica e prazerosa, quando perdemos o controle e ele não quer acabar, a experiência pode se tornar assustadora e dolorosa, ainda mais quando se torna contagioso, causando uma verdadeira epidemia. No ano de 1962, na Tanzânia, uma piada que começou com três garotas de um internato contagiou 95 das 159 alunas que passaram a rir sem controle. Persistindo de algumas horas a 16 dias nas afetadas, o riso se espalhou pras suas famílias e acabou sendo transmitido pra moradores de outras cidades, afetando 14 escolas que acabaram sendo fechadas, no total 1.000 pessoas foram infectadas. A histeria – ou doença psicogênica em massa (MPI, em en-US) – só terminou após 18 meses, causando dores, desmaios, problemas respiratórios, flatulência, erupções cutâneas, gritos aleatórios e até ataques de choro devido ao desespero por não conseguir parar.

Segundo Charles F. Hempelmann, da Purdue University, o episódio foi induzido pelo estresse, naquele ano, Tanganica tinha acabado de se tornar independente, e os estudantes estavam estressados devido as altas expectativas depositadas neles; pro professor “o MPI é o último recurso para pessoas de baixo status; é uma maneira de expressarem que algo está errado”. O riso ainda pode ocorrer devido a um tumor benigno, que provoca crises incontroláveis, chegando de 10 a 15 por dia, às vezes seguidas de desmaios; ou mesmo ser causado pela “Síndrome de Angelman“, um transtorno genético que afeta principalmente o sistema nervoso que apesar dos problemas de desenvolvimento, limitações, dificuldades no equilíbrio e movimento, convulsões, problemas de sono e de provocar risos com mais frequência, quem a tem costuma possuir uma personalidade feliz.

Se você é jovem ainda

Sorrisos inconscientes ou não, além de melhorar a vida, a prolongam. Um estudo norueguês publicado em 2016, após 15 anos de acompanhamento, descobriu que um melhor humor aumenta a expectativa de vida. Mulheres mais felizes são 73% menos propensas a morrer de doença cardíaca e 83% de infecção, já nos homens o índice de risco é 74% menor. O riso aumenta a ingestão de oxigênio estimulando o coração e outros músculos, reduzindo a frequência cardíaca e a pressão arterial. Com menos estresse nossos relacionamentos se tornam melhores e obtemos mais felicidade pra enfrentar os efeitos físicos do envelhecimento. Assim, o segredo pra permanecer jovem é ser feliz. Felicidade é um estado no espírito, o qual desconhecendo a passagem do tempo permanece jovem, já dizia a composição “Se você é jovem ainda” (“Joven Aún”, de 1972) de Roberto Gómez Bolaños – o eterno Chaves do 8 – “se você é jovem ainda, amanhã velho será; a menos que o coração sustente a juventude que nunca morrerá”.

Inclusive, uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Wayne que examinou figurinhas de jogadores de beisebol, comprovou que aqueles de sorriso mais intensos tiveram a vida prolongada até os 80 anos, enquanto os que não sorriram nas fotos viveram em média 72 anos. Segundo a Harvard Health Publishing, da Harvard Medical School, o otimismo – ligado ao sorriso – está associado a um menor risco de morte precoce por câncer e infecção. De acordo com um estudo na revista Proceedings of the National Academy of Science, pessoas que experimentam níveis mais altos de otimismo tem uma vida útil mais longa. A pesquisa incluiu dados de dois grandes estudos populacionais que totalizaram 71.400 indivíduos que apontaram que pessoas otimistas demonstram longevidade excepcional, ao sobreviver até os 85.

Terapia de riso

O riso à toa pode ser provocado pelo uso de drogas ou bebidas, inclusive a influência do álcool em provocar risos acabou associando o vinho a alegria [Salmos 104.15, Eclesiastes 10.19], que possui propriedades curativas. Conforme relatado por Norman Cousins em “Anatomy of An Illness” (em livre pt-BR: “Anatomia de uma enfermidade”, de 1979), onde ele compartilha seu processo de cura de uma doença degenerativa através do riso. Ao invés de ficar internado, ele conseguiu autorização pra se hospedar perto do hospital e com a supervisão de uma enfermeira reunia amigos pra assistir a programas de humor, assim foi se recuperando até voltar a viver e a trampar normalmente, morrendo aos 75.

Uma boa gargalhada é um ótimo método de relaxamento muscular, porque os músculos não envolvidos no processo tendem a se soltar – por isso as pernas bambeiam quando rimos demais. A felicidade aumenta os hormônios liberando dopamina, endorfina e serotonina que esfriam o estresse, diminuindo a frequência cardíaca e a pressão arterial, melhorando a circulação sanguínea, o que nos deixa bem humorados. Quando acaba a risada uma calmaria geral se instala, os músculos relaxam, sintomas físicos do estresse ao longo do tempo são reduzidos, e o sistema imunológico tem a eficácia aumentada. Além de ampliar a capacidade de resistência a dor, graças à endorfina, conforme constatou uma pesquisa que fez as pessoas ficarem com as mãos dentro de um balde de água gelada, as que assistiam a programas de humor aguentaram ficar por mais tempo nessa condição.

Mostrando os dentes

Levando a sério a ideia que a diversão pode servir de terapia – ou levando a terapia na brincadeira – em 1971, o doutor Hunter Doherty Adams, mais conhecido como Patch Adams, fundou o Instituto Gesundheit acreditando que “ao cuidar de uma doença você pode ganhar ou perder; ao cuidar de uma pessoa você sempre ganha”. Assim, ele começou com palhaçada levando palhaços pra divertir pacientes. A proposta revolucionou o atendimento em hospitais do mundo inteiro, iniciando um movimento em instituições médicas de 120 países, que incluíram a palhaçoterapia no tratamento de doenças. Aqui no Brasil, em 1991, surgiu o “Doutores da Alegria“, movimento sem fins lucrativos que já visitou mais de 170.000 crianças em hospitais; onde os palhaços-médicos aceleram a recuperação das crianças e motivam médicos e pais. Segundo a psicóloga Morgana Masetti, autora de “Soluções de palhaços“, de 1997, “é evidente que o trabalho diminui a medicação para os pacientes”.

Todo movimento começou após Adams ficar internado numa clínica psiquiátrica, então decidiu cursar medicina na Virginia Medical University e, no tempo livre, realizava apresentações como palhaço, sendo um dos pioneiros na humanização da assistência hospitalar, processo esse surgido da relação entre humor e saúde na medicina nas décadas de 1960 e 1970, ele procurou unir a saúde física e emocional através do humor. Referência no assunto, sua vida foi mostrada no filme “Patch Adams – O amor é contagioso” (“Patch Adams”, de 1998), baseado no livro de mesmo nome, ele também publicou “Gesundheit” (em livre pt-BR: “Saúde”, de 1993) e “House Calls” (em livre pt-BR: “Chamadas domiciliares”, de 1998). Desde 1985 seu instituto reúne voluntários em locais carentes, zonas de guerra, campos de refugiados e áreas de desastre em outros países pra levar humor aos necessitados, como no documentário “Clown in Kabul” (em livre pt-BR: “Palhaços em Cabul”, de 2002), que registrou o trabalho de 22 palhaços pra levar alegria e insumos médicos ao Afeganistão.

Toda positividade eu desejo a você

Como felicidade é uma conquista, caso isso aconteça se trata de mania, um transtorno que provoca o excesso de atividade do sistema cerebral. Em “Amor para Recomeçar”, Frejat aponta que “rir é bom, mas rir de tudo é desespero”, conforme escreveu Vitor Hugo: “o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o constante é insano”. Aristóteles dizia que a felicidade é consequência de uma atitude. Que é fazer o melhor conforme nossas possibilidades e aproveitar as oportunidades que a vida oferece. Caso o sorriso não seja algo natural, existem formas de torná-lo parte da vida. Uma delas é forçá-lo, isso porque o ato aumenta os sentimentos de felicidade, algo que funciona como malhação: no começo a gente tem vergonha pela quantidade mínima de peso levantado, com o tempo a carga aumenta e os músculos vão aparecendo, assim, sorrir mais – mesmo sem vontade – aumenta a felicidade.

Se a bad atacar ou a gente estiver bastante tempo sem rir, ao invés de se jogar na tristeza como manda nosso impulso – conforme vimos aqui – o melhor é alimentar a mente com coisas boas, que dão esperança e provoquem o riso, como filmes e programas de humor, até mesmo piadas ou memes. Passar um tempo com a família e amigos é a melhor terapia do riso, ao nos relacionarmos acabamos por rir mais vezes e com mais vontade. A vida é sobre como encaramos as coisas, daí ao passar por situações difíceis o melhor é procurar o bom ou o humor, encontrando qualquer um dos dois acontece uma mudança de perspectiva que afeta de maneira positiva nossa saúde e a qualidade de vida de forma geral – rir de nossas bobagens é uma ótima pedida. Afinal, felicidade não é obra do destino ou do acaso, mas de nossa atitude positiva. Tudo isso conta, conforme explica Martin Seligman em “Felicidade autêntica” (“Authentic Happiness“, de 2002), “o sentimento positivo que surge do exercício de forças e virtudes, em vez dos atalhos, é autêntico”.

Artigo publicado originalmente no LinkedIn, também está disponível no Medium.


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