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Interrompido – Neblina que dissipa (Episódio 19)
Tão desconcertado Luan ficou com tamanha lucidez a lhe atingir que demorou pra perceber o milagre que aconteceu consigo.
Mishael Mendes access_time 22 min. de leitura
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Lourdes tem um encontro inesperado que a leva às lágrimas, sem mesmo poder dizer qualquer coisa. É quando o desaparecimento repentino da visita a faz ser envolvida por tenebrosos tentáculos, prontos a arrastá-la pras entranhas da terra.

A história chega ao fim, deixando perguntas sem respostas. Ao se dispor a buscá-las, Luan acaba achando mais do que pretendia e isso tem um profundo efeito sobre si.

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Depois de um bom tempo em pé, Luan resolveu voltar pro leito e saiu andando descalço, tateando cada parte do piso gelado, enquanto a cabeça seguida refletindo. Introspectivo, continuou avaliando sua vida até aquele ponto – que poderia ter sido final, mas acabou virando uma vírgula, danado-lhe bastante espaço pra respirar.

Então, uma felicidade nunca experimentada vibrou pelo corpo, saltando nos olhos e boca, a sensação era a mesma de iniciar a viver. Sem poder se conter, Luan saltou da cama, se jogou e começou a dançar.

Logo o quarto ficou cheio, mas contente como estava ele nem ligou de ser visto dançando – algo que sempre evitou, tamanha era a vergonha.

— Menino Luan, você… – Socorro estava surpresa.

— Um milagre, né!? – Ele interrompeu, sorrindo, e a puxou pra dançar consigo.

Tão logo o médico apareceu, o garoto largou a enfermeira e deu um abraço bem caloroso nele, dizendo-lhe que tinha razão.

Pouco após o acidente, o médico disse ser espantoso ele não sofrer nada além de escoriações e pancadas, quando sua moto ficou destruída.

“Amor não é sobre dar o que as pessoas merecem, mas o que precisam.”

— Se isso é verdade, porque minhas pernas não mexem?

— Como seu corpo não possui qualquer trauma, a paralisia só pode ter causa emocional.

Apesar da explicação, Luan sentiu certo descaso, afinal, a negativa das pernas em mexer – corroborada pela dor nas seções de fisio – deixavam claro haver algo mais sério, que nem a terapia resolveu.

Mas, não é que o médico estava certo? Ao deixar o suave vento renovar-lhe a mente, o paralisante peso – ao qual carregava a tempos até escorrer das costas pras pernas, imobilizando-as – foi levado pra longe.

“O problema de pessoas marcantes é que sua ausência é tão evidente que evoca um sentimento de incompletude.”

Como estava completamente distraído, só bem depois foi se dar conta que andou pelo quarto. Ao ver a muleta largada, próxima ao espelho, a alegria e o alívio foram tantos que não deu pra se conter.

Mesmo cercado de sorrisos – e com motivos pra comemorar – Luan ficou balançado, chegara o momento de despedir-se. E o pesar maior era dar adeus a Socorro – que tão especial se tornara.

A enfermeira foi pega de surpresa, após tanto tempo juntos acabou acostumando a presença do garoto, esquecendo que um dia precisaria partir, mas entendeu a decisão dele e comemorou – ainda que com uma dorzinha no coração.

Depois de aprontar as coisas, fez questão de abraçar e agradecer a equipe que com tanto carinho cuidaram de si, quando mais precisou.

— Obrigado por tudo, dona Lourdes.

— Acho que você me confundiu, menino Luan. – A enfermeira respondeu sem graça.

Segurando-a pelos ombros, ele olhou em seus olhos, mas emocionado como estava precisou respirar fundo antes de poder continuar. Como resposta, ela lhe deu um abraço apertado e indiscretas lágrimas escaparam dos olhos dele.

— Obrigado por me dar duas vidas extras. Sua luz é tão intensa que expulsou toda minha escuridão.

Sem esperar a reação involuntária, a enfermeira não conseguiu mais conter a emoção.

Ao buscar conhecer mais a fundo a história, a primeira coisa que Luan fez foi descobrir o hospital onde Cadu se internou. Assim podia descolar informações mais precisas.

— Alô! É o Luan?

— Sim! Quem tá falando?

— É a Fabiana Rios.

— AHHH! NÃO ACREDITO! – Ele precisou dar uma segurada pra não gritar exatamente isso no telefone, evidenciando quão emocionado estava. Pra deixar claro que a tiete ali não era ele, sua resposta foi como se não fizesse muita questão. – Pois não?

— Sabe que sou contra fazer isso, mas o vô topou! – Ela não pareceu muito contente em dar a notícia.

— ISSO! – Ele deixou escapar quão feliz estava.

Fazia tempo que vinha tentando contato com a garota, mas, se quer, ela se deu ao trabalho de atendê-lo. Apenas mandava dizer que, não importava os motivos, o vô não estava interessado em entrevista.

Aproveitando, ele perguntou o motivo da repentina mudança, então Fabiana confessou que, pra não causar estresse ao vô, nem chegou a contar pra ele. Até ele a ouvir comentar da persistência de Luan, mesmo deixando claro que o vô não queria papo, daí ele quis saber do que se tratava e aceitou na hora.

O contentamento de Luan não era pra menos, pois, além da resiliência necessária pra conseguir essa ligação, descolar o contato de Fabiana foi mais difícil do que esperava.

Assim que iniciou as buscas, ele se assustou ao descobrir quão fatal são os acidentes de trânsito. Sendo a segunda causa de morte não natural evitável, no Brasil, resultam no óbito de 34 mil vidas por ano – o que equivale a 1 falecimento a cada 15 minutos.

A segurança do trânsito é composta pelas vias, veículos e fator humano. Apesar das condições nas vias e equipamentos de segurança em automóveis evoluírem, o fator humano ainda preocupa, pois a imprudência dos motoristas é responsável por cerca de 90% dos acidentes.

“É fácil dizer que somos gratos e confiamos em D-s quando vai tudo bem, e quando a gente acabou de passar por uma perca irreparável?”

Isso acontece porque somos preparados pra passar em testes de direção e evitar multas, não pra aguçar a percepção de risco a cada situação.

Como pessoas são passíveis de erro, além de frágeis, cidades e países têm adotando a Visão Zero, que exime motorista e pedestre da responsabilidade total pela eliminação de mortes e ferimentos graves. Assim, atribui-se uma parte significativa ao poder público – onde toda engenharia de trânsito é voltada pra impedir que erros, ou distrações, tragam mortes ou invalidez.

Além da grande quantidade acidentes, Luan esbarrou em outros empecilhos, como desconhecer o nome do hospital e de não ter a menor ideia de quando se deu os fatos narrados. Tudo o que possuía era uma vaga ideia de ter sido a bastante tempo, além disso o próprio problema também dificultou encontrar o médico.

“Independente de se acreditar em D-s estamos sujeitos a coisas ruins, intensas a ponto de nos lançar no calabouço de nossas almas.”

Foi necessário um bom tempo até encontrar o hospital onde Cadu esteve, daí tentou localizar doutor Pedro Gonzaga, usando pra isso a própria influência através de algumas ligações. Após lhe garantirem que a neta dele era uma grande fã sua – ela adorou todas as séries que ele escreveu – tudo parecia estar resolvido.

Mas, ao dizer do que se tratava a ligação, ela se recusou terminantemente a atendê-lo, tão pouco adiantou dizer buscar material pra nova minissérie, a qual vinha escrevendo.

Durante a videochamada, o médico pareceu ótimo, estava disposto e bastante falante. O fato da neta o acompanhar era até compreensível, na idade dele, alguns idosos precisavam de ajuda com tecnologia, não fosse Fabiana dizer que ele sofria de Alzheimer, Luan nem teria notado.

Certo tempo após a morte de Cadu, Lourdes retornou ao hospital, levando flores e diversas guloseimas pra equipe. Então os convidou pra dar as mãos num círculo, no meio do corredor, e agradeceu toda dedicação daqueles profissionais tão empenhados, que pacientemente a suportaram.

Daí começou a orar, agradecendo a D-s por todos os dias de vida com saúde, também pelos meses que Cadu permaneceu internado. Disse ainda que ele foi o melhor presente que recebeu, mesmo quando não podia engravidar e que estariam juntos novamente, sem internações, UTI, cateter ou dor, no futuro.

“D-s não nos torna imunes ao sofrimento e dor, mas é possível encontrá-lo mesmo na situação mais adversa, basta saber pra onde olhar.”

O gesto comoveu a todos quanto presenciaram a cena, indo desde as pessoas no círculo, passando pelos seguranças, recepcionistas, visitantes e até mesmo pacientes. Porém ninguém se sentiu mais tocado que o médico que estava em cirurgia quando Lourdes chegou, surgindo a tempo apenas de ouvir a oração.

— Dona Lourdes, posso…

— Doutor Pedro Gonzaga! – Ela interrompeu assim que o reconheceu e deu um abraço apertado que lhe transmitiu uma sensação tão boa de paz e segurança.

“A promessa nunca foi nos manter sob uma redoma, onde a gente estaria livre de todo mal, mas estar presente.”

Em seguida, ela agradeceu tudo que ele fez e aproveitou pra pedir perdão pelos excessos, ao que ele disse não ter nada pra perdoar, pois compreendia pelo que ela havia passado.

— Será que podemos conversar em particular?

— Claro! – Ela assentiu e os dois se dirigiram pra sala dele.

Sem poder conter a curiosidade, o médico quis saber como ela podia estar radiante – afinal, da última vez que a viu, Lourdes estava histérica. Assim, esperou que após enterrar o filho a fosse ver amargurada, precisando de consolo, não trazendo presentes e cheia de gratidão.

— Fui resgatado pelo amor, doutor, e ele cobre uma multidão de erros! – Ela sorriu ao parafrasear Pedro [1 Pedro 4.8]. – Amor não é sobre dar o que as pessoas merecem, mas o que precisam e foi isso que recebi!

— Compreendo, mas estou surpreso, você está tão diferente… tão cheia de luz!

— Obrigado, doutor, mas foi um longo processo até isso acontecer.

Os dias surgidos, após o enterro, seguiram nublados, até mesmo tempestuosos, alguns chegaram mesmo a se mostrar impossíveis de atravessar. Nesses uma dor paralisante, que parecia resultar de mutilação sem qualquer anestesia, a fazia sentir como se metade do corpo tivesse sido arrancada de si.

Tudo ficava ainda mais dolorido quando a falta de Cadu se fazia acentuar – o problema de pessoas marcantes é que sua ausência é tão evidente que evoca um sentimento de incompletude.

“O nome de Jesus significa D-s conosco, independente da situação, por esse motivo, nunca estamos realmente só.”

A sensação era de ter sido lançada no fundo do poço, quando o marido não estava, ela deitava, com a impressão que nunca ia sair da cama. Mas acabava conseguindo se arrastar pra fora dela antes dele voltar.

— É fácil dizer que somos gratos e confiamos em D-s quando vai tudo bem, e quando a gente acabou de passar por uma perca irreparável? – Lourdes interrompeu a narrativa pra saber a opinião do médico, mas ele não teve como responder.

Luto é uma forma de assimilar a morte e passa pelos estágios de negação, raiva, negociação, depressão e aceitação, se alternando entre si. O processo dura por volta de um ano, mas quando se trata da perca de um filho pode exigir muito mais tempo até a dor estancar.

“O fogo purifica o metal, mas são as pancadas que lhe dão forma.”

Felizmente Lourdes pode contar com o apoio de Marcos, era mesmo sobrenatural ter um companheiro assim ao seu lado, pois mesmo quando o abandonou, ele foi ao seu encontro e a carregou.

Quando o escolheu – sentindo ser ele a pessoa certa pra viver ao seu lado pro resto da vida – nunca imaginou o quão necessário ele ia se provar, nem a perca incomensurável que enfrentariam.

Mesmo chegando cansado do serviço, ele se dispôs a ajudar nos preparos dos quitutes, fazendo isso com tanta vontade que ela se animou pra voltar com tudo. Logo as encomendas não paravam de chegar – mantendo corpo e mente ocupados – até prêmios ela conseguiu, além da sair no jornal local, daí os pedidos só aumentaram.

Outro fator importante foi contar com o apoio dos amigos, eles sempre apareciam pro café da tarde e aproveitavam pra pôr o assunto em dia. O engraçado é que mesmo se vendo direto, sempre tinham algo pra compartilhar, Fábio e Marcos falavam mais que a boca e, como Lourdes e Bia também não ficavam atrás, os assuntos não paravam de brotar.

Em meio aos risos e conversas, Lourdes se sentia grata por desfrutar da companhia de amigos tão achegados [Provérbios 18.24].

Dos dias acinzentados, certamente, o pior que teve de enfrentar foi quando entrou pela primeira vez no quarto de Cadu. Ao abrir a porta, um tsunami de lembranças a cobriu com tamanha intensidade que Lourdes foi deslocada pra trás, enquanto as lágrimas correram sem a menor dificuldade.

“Feridas precisam ser expostas, só assim é possível tratá-las.”

Fazendo um esforço imenso, entrou pra limpar o espaço. Lá dentro, a primeira coisa a receber sua atenção foram os mangás e quadrinhos na prateleira acima da mesa – onde o filho costumava passar a maior parte do tempo. Tantas vezes ela lhe disse pra jogar fora aquelas coisas que só serviam pra juntar pó, mas ele se negava a fazer isso e só depois de muita reclamação dava uma geral ali.

Limpando o quarto com as lágrimas, ela prosseguiu com a tarefa, pois sabia precisar enfrentar aquilo, ao abrir o guarda-roupa se deparou com Janete – o violão de Cadu. Ele pediu o instrumento com tanto afinco pra formar uma banda com os dois amigos – afinal, essa era uma ótima forma de chamar a atenção das garotas.

“Há sempre novas oportunidades quando tudo parece chegar ao fim, até mesmo quando perdemos o prazer de viver, tudo pode recomeçar, pelo menos enquanto estivermos de dimensão do tempo.”

No fim, Cadu chegou a pegar alguns acordes dos clássicos da MPB – pra tocar durante as fogueiras que a galera costumava fazer. Daí acabou deixando Janete de lado, tão logo passou a empolgação da adolescência. Apenas um dos amigos continuou e, depois de muitos anos de estrada, vinha fazendo sucesso com a carreira solo.

Ao dar por si, Lourdes estava de joelhos, apoiada na cama. Mesmo confiando em D-s e sabendo que o filho estava num lugar melhor [Eclesiastes 12.7], se pegou despejando toda dor e indignação sobre Ele.

Apesar de tocar a vida, ao acordar, no banho, quando voltava do mercado ou quando a saudade apertava, tudo o que conseguia fazer era chorar. Enfim, ela seguiu uma vida normal, mas na companhia constate das lágrimas.

Diversos questionamentos começaram a surgir, tomando-lhe a mente, então ela buscou preencher o tempo preparando doces e salgados, pois conseguia mantê-los afastados. Porém eles continuavam lá, se arrastando na calada da mente, retornando toda vez que se encontrava a sós consigo mesma.

Num ambiente empoeirado de lembranças, as perguntas adquiriram força tal que ela perdeu o controle. Não haviam dúvidas sobre a grandeza de D-s, ainda assim, por que tudo aquilo aconteceu?

Não dava pra compreender como um D-s cheio de bondade e que possui a cura pra todo mal podia lhe tomar o filho, justo quando orou e se dedicou, confiado, acima de tudo. Como isso podia acontecer, logo com ela que sempre achou ser uma boa cristã.

“E se nossos saltos na ciência fossem apenas passos no escuro, rumo ao desconhecido, que nos atrai pra perdição?”

Entre rogos, gritos e lágrimas, ela permaneceu com a cabeça grudada na cama. Sem atentar pra tempo, derramou pra fora toda amargura que restava em si, até a última gota [Romanos 8.26], sem, contudo, obter resposta alguma.

Após despejar tudo que foi se acumulando, esperou por uma resposta até não haver mais qualquer vestígio de lágrimas. Aí, se pôs de pé, conformada que podia nunca ter elucidadas as questões que a angustiavam.

No mesmo instante, uma tontura a fez cair sentada na cama, e ela sentiu D-s falar consigo [Mateus 5.4], não como uma voz audível a lhe soprar no ouvido, mas como uma certeza ecoando em si. Ela lhe trouxe a memória os argumentos exatos pra cada questionamento.

“A questão não é o poder que se tem de realizar, mas continuar mesmo quando a gente não consegue mais e ainda ter segurança pra sorrir mesmo que seja tomado o motivo de nossa felicidade.”

Com uma nitidez incrível – que nem o melhor dispositivo high-end é capaz de reproduzir – ela reviveu o momento que ofereceu o filho pra D-s usar conforme a própria vontade, a partir daí a recordação acelerou, parando no momento em que Cadu lhe foi tomado.

No passado, quando o voto aconteceu e Lourdes não sabia quais rumos a promessa podia tomar, imaginou que Cadu seria pregador, mas ele acabou levado antes disso acontecer.

A imagem do velório se desdobrou, mostrando-lhe diversas pessoas – algumas das quais desconhecia. Toda aquela consideração a fez perceber que o filho pregou com ações e exemplos, sem mesmo precisar de cargo ou aglomerar pessoas pra um evento de evangelismo [1 Timóteo 4.12].

Algumas dessas pessoas tentaram ver Cadu quando esteve internado, mas não conseguiram porque ela achou não ser o melhor momento até as visitas se tornarem incômodas e serem proibidas.

Essa medida acabou por resultar numa ausência, onde ninguém, além dela e o esposo, parecia se importar. Agora, sem as escamas da dor e desespero por controlar o que não podia, viu o quanto isso nunca foi verdade.

Inundada por uma compreensão absurda, percebeu que, independente de se acreditar em D-s estamos sujeitos a coisas ruins [João 16.33], intensas a ponto de nos lançar no calabouço de nossas almas. Afinal, D-s não nos torna imunes ao sofrimento e dor, mas é possível encontrá-lo mesmo na situação mais adversa [Isaías 43.2], basta saber pra onde olhar [Salmos 121.1].

“Apesar da complexidade do ser humano, sua fragilidade impossibilita experimentar a plenitude sem comunhão com D-s.”

A promessa nunca foi nos manter sob uma redoma, onde a gente estaria livre de todo mal, mas estar presente [Mateus 28.20]. O nome de Jesus significa D-s conosco, independente da situação, por esse motivo, nunca estamos realmente só [João 14.16].

Enquanto Cadu esteve inconsciente, ela carregou todo fardo e isso serviu pra lhe tratar de uma forma particular, a aperfeiçoando [Romanos 8.28] – o fogo purifica o metal, mas são as pancadas que lhe dão forma. Lourdes admitiu não conhecer D-s tão bem como imaginava [Jó 42.5], mas mesmo possuindo pouco entendimento, não ficou confusa [Romanos 10.11].

“Sua oração não tem como errar o endereço, pois mesmo D-s sendo superior a todas as coisas, Ele está perto e ouve os corações quebrantados.”

Antes de chegar a essas percepções, advindas como respostas de D-s, precisou se esvaziar das tristeza e mágoas nutridas – sem mesmo se dar conta de tê-las – deixando chover fora de si toda escuridão. Apenas após estabelecida a calmaria foi que O sentiu falar consigo [1 Reis 19.11-12] – feridas precisam ser expostas, só assim é possível tratá-las.

Tamanha lucidez a desnudou, fazendo-lhe se perceber como nunca antes se enxergou e, quando finalmente, reconheceu sua fragilidade encontrou a energia necessária [2 Coríntios 12.10] pra se reerguer.

Há sempre novas oportunidades quando tudo parece chegar ao fim, até mesmo quando perdemos o prazer de viver, tudo pode recomeçar, pelo menos enquanto estivermos de dimensão do tempo. E foi essa confiança em D-s que a fez continuar firme [Salmo 125.1] e ter as forças renovadas [Isaías 40.31].

— E se nossos saltos na ciência fossem apenas passos no escuro, rumo ao desconhecido, que nos atrai pra perdição?

— Como assim, doutor? – Lourdes ficou sem entender o rompante de iluminação.

O médico confessou que, como ateu convicto, sempre soube depender de si pra conseguir tudo que quisesse e assim aconteceu. A vontade dele o levou a se formar em medicina na USP, iniciando a residência pela escola de medicina de lá.

Daí partiu pras especializações, fazendo várias, até se tornar um médico admirável. Além disso, sua vontade lhe proporcionou tudo mais o que quis, mulheres, dinheiro, uma casa no Morumbi, carro do ano, enfim, uma vida com muitas regalias e conforto.

Mesmo tendo tudo o que queria – e o que qualquer pessoa podia almejar – faltava algo. Havia um espaço em si que nem prazeres, conquistas ou bem físicos podiam alcançar – ele sentia haver algo maior que tudo aquilo.

— A questão não é o poder que se tem de realizar, mas continuar mesmo quando a gente não consegue mais e ainda ter segurança pra sorrir mesmo que seja tomado o motivo de nossa felicidade. – O médico respondeu o questionamento dela ao iniciar a narração. – É isso que vejo em você, dona Lourdes.

— Poxa, doutor! Não sei nem o que dizer. – Ela até ficou sem jeito.

— Mas eu sei! Quero conhecer esse D-s em que você acredita.

Mesmo com toda erudição, doutor Pedro Gonzaga se deu conta de que, apesar da complexidade do ser humano, sua fragilidade impossibilita experimentar a plenitude sem comunhão com D-s. Afinal que é a vida além de neblina que dissipa [Tiago 4.14]?

— Ele já se revelou a você, doutor, basta falar com Ele.

— E como vou saber se é o mesmo?

— Sua oração não tem como errar o endereço, pois mesmo D-s sendo superior a todas as coisas [Salmos 103.19], Ele está perto [Salmos 34.18] e ouve os corações quebrantados [Salmos 51.17]. Pra conhecê-lo melhor é só se dedicar a leitura da Bíblia, além de pedir ciência e sabedoria pro Espírito Santo pra compreender a profundidade da Palavra.

— Poder deixar! – O médico estava tão contente que os olhos chega brilhavam, afinal, o D-s que tinham lhe apresentado era difícil demais de ser acessado.

— Agora se você quiser algo além dessa vida e ter uma comunhão sem fim com D-s, precisa aceitar a Jesus [Romanos 8.19], pois Ele é a única forma de alcançar o Pai [João 14.6] e se você fizer isso Ele nuca vai te rejeitar [João 6.37].

— E como funciona? Posso fazer isso agora? – O médico estava sedento por aquela transformação de vida.


#proximoepisodio

A decisão do médico faz Lourdes transbordar de felicidade, então ela o guia em sua nova decisão; Ele experimenta o verdadeiro nirvana – algo que nenhum dos prazeres anteriores lhe proporcionou.

Prestes a fazer algumas perguntas, Fabiana encerra a ligação antes de Luan poder fazer isso, mas ele acaba tendo a oportunidade de a conhecer melhor.

Ósculos e amplexos,

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