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Interrompido – Neblina que dissipa (Episódio 19)
Desconcertado com tamanha lucidez que o atingiu, Luan acabou nem percebendo o milagre que acabou lhe acontecendo.
Por Mishael Mendes access_time 21 min. de leitura
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Um encontro inesperado leva Lourdes às lágrimas, não bastasse a tristeza ela é envolvida por tentáculos que tentam arrastá-la pras entranhas da terra. A história chega ao fim, deixando perguntas que fazem Luan encontrar mais que pretendia.

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Depois de um bom tempo em pé, Luan voltou pro leito, tateando cada parte do piso gelado, enquanto a cabeça refletia. Introspectivo, continuou a avaliar sua vida até aquele ponto – que podia ter sido final, mas foi convertida em vírgula.

Uma felicidade vibrou por seu corpo, saltando nos olhos e boca; a sensação era a mesma de iniciar a viver. Sem poder se conter, Luan saltou da cama, se jogou e começou a dançar. Logo o quarto ficou cheio, contente como estava nem ligou de ser visto assim – algo que sempre evitou, tamanha a vergonha.

— Menino Luan, você– – Socorro estava surpresa.

— Um milagre, né!? – Sorrindo, ele interrompeu, e a puxou pra dançar consigo.

Bastou o médico aparecer e o garoto largou a enfermeira dando um abraço caloroso nele, dizendo-lhe que tinha razão.

Pouco após o acidente, o médico disse ser espantoso ele não ter sofrido nada além de escoriações e pancadas, quando sua moto ficara destruída.

“Amor não é sobre dar o que as pessoas merecem, mas o que precisam.”

— Se isso é verdade, porque minhas pernas não mexem?

— Como seu corpo não possui qualquer trauma, a paralisia só pode ter causa emocional.

A explicação pareceu mero descaso devido à negativa das pernas em mexer, algo que a dor das seções fisio corroborou; só podia algo sério porque nem a terapia resolvia. Mas, não é que o médico estava certo?

Ao deixar a suavidade da liberdade lhe renovar a mente, o peso que escorrera das costas imobilizando as pernas – fardo esse carregado a tempo demais – foi levado pra longe.

“O problema de pessoas marcantes é que sua ausência é tão evidente que evoca um sentimento de incompletude.”

Distraído, só após suas reflexões, quando olhou pra muleta largada próxima ao espelho é que se deu conta que voltara a andar e o alívio foi tanto que não deu pra conter.

Mesmo cercado de sorrisos e com motivos pra comemorar Luan ficou balançado, chegara o momento de despedir-se. E o pesar maior era dar adeus a alguém que tão especial se tornara.

Socorro foi pega de surpresa, após tantos meses acostumou a presença do garoto, esquecendo que um dia ele precisaria partir e mesmo com uma dorzinha no peito comemorou a ida dele.

Após aprontar as coisas, o garoto abraçou cada um da equipe agradecendo todo carinho com que foi cuidado no momento em que mais precisou.

— Obrigado por tudo, dona Lourdes.

— Acho que você me confundiu, menino Luan. – A enfermeira respondeu sem graça.

Segurando-a pelos ombros, ele a olhou nos olhos, emocionado como estava precisou respirar fundo antes de continuar. Como resposta, ela lhe abraçou apertado e indiscretas lágrimas escaparam dos olhos dele.

— Obrigado por me dar duas vidas extras. Sua luz é tão intensa que expulsou toda minha escuridão. – Sem esperar a reação, a enfermeira não conseguiu mais conter a emoção.

Ao buscar conhecer mais a fundo a história, a primeira coisa que Luan fez foi verificar o hospital onde Cadu foi internado. Assim podia descolar informações mais precisas.

— Alô! É o Luan?

— Sim! Quem fala?

— É a Fabiana Rios.

Sorrindo

— AHHH! NÃO ACREDITO! – Ele precisou dar uma segurada pra não gritar exatamente isso no telefone, evidenciando quão emocionado ficou. Era preciso deixar claro que tiete ali não era ele, por isso seu tom demonstrou não fazer muita questão. – Pois não?

— Sou contra isso, mas o vô topou! – Ela não pareceu contente em dar a notícia.

— ISSO! – Ele deixou escapar.

Fazia tempo que vinha tentando contato com a garota, sem ela se dar ao trabalho de atendê-lo, mandando dizer que não importava os motivos: o vô não estava interessado em coisa de entrevista nenhuma.

Aproveitando que o jogo mudou, Luan perguntou o motivo da mudança e Fabiana confessou que pra não causar estresse nem chegou a contar pro vô, até ele a ouvir comentar de sua persistência, mesmo deixando claro que o vô não queria papo; ao saber o que era aceitou na hora.

O contentamento de Luan não era pra menos, além da resiliência necessária pra conseguir a ligação, descolar o contato de Fabiana foi mais difícil do que esperava.

Assim que iniciou as buscas, se assustou ao descobrir quão fatal são acidentes de trânsito. Sendo a segunda causa de morte não natural evitável, no Brasil, resultam no óbito de 34 mil vidas por ano – o que equivale a 1 falecimento a cada 15 minutos.

A segurança do trânsito é composta por vias, veículos que tiveram condições melhoradas e equipamentos de segurança evoluídos, só que o fator humano ainda é responsável por 90% dos acidentes devido à imprudência dos motoristas. Isso porque somos preparados pra passar em testes de direção e evitar multas, não pra aguçar a percepção de risco a cada situação.

“É fácil dizer que somos gratos e confiamos em D-s quando vai tudo bem, e quando a gente passa por uma perca irreparável?”

Como pessoas são passíveis de erro, além de frágeis, cidades e países têm adotando uma visão que exime motorista e pedestre da responsabilidade total pela eliminação de mortes e ferimentos graves. Assim, atribui-se uma parte significativa ao poder público – onde a engenharia de trânsito é voltada pra impedir que erros, ou distrações, tragam mortes ou invalidez.

Além da quantidade absurda de acidentes, graças ao seu problema, Luan esbarrou em outros empecilhos, como desconhecer o nome do hospital e de não lembrar a data que o fato se deu; o que possuía era a ideia de ter sido a bastante tempo.

“Independente de se acreditar em D-s estamos sujeitos a coisas ruins, intensas a ponto de nos lançar no calabouço de nossas almas.”

Foi necessário um bom tempo até encontrar o hospital onde Cadu esteve, daí tentou localizar doutor Pedro Gonzaga, usando pra isso suas conexões. Após lhe garantirem que a neta dele uma fã que adorara todas as séries que ele escreveu tudo parecia resolvido, até dizer pra que ligara; ela se recusou a atendê-lo mesmo dizendo que isso ajudaria em sua nova minissérie.

Durante a videochamada, o médico pareceu ótimo, estava disposto e falante. O fato da neta o acompanhar era compreensível, pessoas na idade dele costumavam precisar de ajuda com tecnologia, não fosse Fabiana dizer que ele sofria de Alzheimer, Luan nem teria notado.

Um tempo após a morte de Cadu, Lourdes retornou ao hospital, levando flores e guloseimas pra equipe, os convidou pra dar as mãos num círculo e no meio do corredor agradeceu toda dedicação de profissionais empenhados que a suportaram com paciência.

Daí começou a orar, agradecendo a D-s pelos dias de vida com saúde, também pelos meses que Cadu permaneceu internado. Ele fora o melhor presente recebido, mesmo quando não podia engravidar.

— Estaremos juntos no futuro, Cadu. Dessa vez sem internações, UTI, cateter ou dor.

“D-s não nos torna imunes ao sofrimento e dor, mas é possível encontrá-lo mesmo na situação mais adversa, basta saber pra onde olhar.”

O gesto comoveu a quem presenciou a cena, das pessoas no círculo aos seguranças, recepcionistas, visitantes e até mesmo pacientes. Porém, ninguém ficou mais tocado que o médico que estava em cirurgia chegando a tempo de ouvir a oração.

— Dona Lourdes, posso–

— Doutor Pedro Gonzaga! – Ela interrompeu e deu um abraço que transmitiu uma sensação de paz e segurança.

“A promessa nunca foi nos manter sob uma redoma, onde a gente estaria livre de todo mal, mas estar presente.”

Em seguida, ela agradeceu tudo que ele fez e pediu perdão pelos excessos, ao que ele disse não ter nada pra perdoar, porque compreendia pelo que ela havia passado.

— Será que podemos conversar em particular?

— Claro! – Ela assentiu e os dois se dirigiram pra sala dele.

O médico quis saber como ela podia estar radiante, da última vez que a vira, Lourdes estava histérica porque o filho tivera uma parada cardíaca. Por isso, esperou que após enterrá-lo ela ficaria amargurada, precisando de conforto não que aparecesse com presentes e cheia de gratidão.

— Fui resgatado pelo amor, doutor, e ele cobre uma multidão de erros! – Ela sorriu ao parafrasear Pedro [1 Pedro 4.8]. – Amor não é sobre dar o que as pessoas merecem, mas o que precisam e foi isso que recebi!

— Compreendo, mas fico surpreso. Você está diferente… tão cheia de luz!

— Obrigado, doutor! Foi um longo processo até isso acontecer.

Os dias surgidos após o enterro seguiram nublados, até tempestuosos, alguns chegaram mesmo a se mostrar impossíveis de atravessar. Nesses, uma dor paralisante, resultando de mutilação sem anestesia, a fazia perceber metade do corpo arrancado de si.

Tudo ficava mais dolorido quando a falta de Cadu acentuava – o problema de pessoas marcantes é que sua ausência é tão evidente que evoca um sentimento de incompletude.

“O nome de Jesus significa D-s conosco, independente da situação, por esse motivo, nunca estamos realmente só.”

Como se fora lançada nas profundezas de um poço, quando o marido não estava, deitava com a impressão que nunca ia sair, só conseguindo se arrastar pra fora da cama pouco antes dele voltar.

— É fácil dizer que somos gratos e confiamos em D-s quando vai tudo bem, e quando a gente passa por uma perca irreparável? – Lourdes interrompeu a narrativa pra saber a opinião do médico que não teve como responder.

Luto é uma forma de assimilar a morte e passa pelos estágios de negação, raiva, negociação, depressão e aceitação, se alternando entre si. O processo dura por volta de um ano, mas quando se trata da perda de um filho pode exigir mais tempo até a dor estancar.

“O fogo purifica o metal, mas são as pancadas que lhe dão forma.”

Felizmente Lourdes contou com o apoio de Marcos, era sobrenatural ter um companheiro assim ao seu lado, pois mesmo quando o abandonou, ele foi ao seu encontro e a carregou. Quando o escolheu – sabendo ser ele a pessoa certa pra viver ao seu lado pro resto da vida – nunca imaginou o quão necessário ele se provaria, nem a perda incomensurável que enfrentariam.

Mesmo chegando cansado do serviço, ele a ajudava nos preparos dos quitutes, fazendo isso com tanta vontade que ela se animou pra voltar com tudo. Logo as encomendas não paravam de chegar – mantendo corpo e mente ocupados – até prêmios ganhou, além da sair no jornal local, daí os pedidos só aumentaram.

Outro fator importante foi o apoio dos amigos que apareciam pro café da tarde pra pôr os assuntos em dia; o engraçado é que mesmo se vendo direto sempre tinham algo pra compartilhar, Fábio e Marcos falavam mais que a boca, como Lourdes e Bia não ficavam atrás, assunto não parava de brotar. E, em meio aos risos e conversas, Lourdes ficou grata por desfrutar da companhia de amigos tão achegados [Provérbios 18.24].

Dos dias acinzentados, o pior foi quando precisou entrar no quarto de Cadu. Ao abrir a porta, um tsunami de lembranças a cobriu com tamanha intensidade que Lourdes foi deslocada pra trás, enquanto as lágrimas correram sem dificuldade alguma.

“Feridas precisam ser expostas, só assim é possível tratá-las.”

Num esforço imenso, ela entrou pra limpar o espaço. Lá dentro, a primeira coisa a receber sua atenção foi os mangás e quadrinhos na prateleira acima de onde o filho costumava passar a maior parte do tempo. Tantas vezes lhe disse pra jogar fora aquelas coisas que só serviam pra juntar pó, mas ele se negava a fazer isso e só depois de muita reclamação dava uma geral ali.

Varrendo o quarto com lágrimas, ela prosseguiu com a tarefa, era preciso enfrentar aquilo; ao abrir o guarda-roupa se deparou com Janete – o violão que Cadu pedira com afinco pra formar uma banda com os dois amigos; afinal, essa era uma ótima forma de chamar a atenção das garotas.

“Há sempre novas oportunidades quando tudo parece chegar ao fim, até mesmo quando se perde o prazer de viver é possível recomeçar. Pelo menos enquanto estivermos de dimensão do tempo.”

No fim, Cadu pegou os acordes de alguns clássicos da MPB pra tocar durante as fogueiras que a galera fazia, daí deixou Janete de lado, ao passar a empolgação da adolescência. Apenas um dos amigos continuou e, após anos de estrada começou a fazer sucesso em carreira solo.

Ao dar por si, Lourdes estava ajoelhada. Mesmo confiando em D-s e sabendo que o filho estava num lugar melhor [Eclesiastes 12.7], se pegou despejando toda dor e frustração sobre Ele.

Apesar de tocar a vida, ao acordar, no banho, quando voltava do mercado ou quando a saudade apertava o que conseguia era chorar. Enfim, ela seguiu uma vida normal, na constate companhia das lágrimas.

Com questionamentos a lhe tomar a mente, ela preencheu o tempo preparando doces e salgados pra mantê-los afastados. Porém, eles continuavam lá, se arrastando na calada da mente, retornando toda vez que se encontrava a sós consigo mesma; até o ambiente empoeirado de lembranças lhes dar força tal que a fez perder o controle.

Não haviam dúvidas sobre a grandeza de D-s, ainda assim, por que tudo aquilo acontecera? Era difícil compreender como um D-s cheio de bondade e que possui a cura pra todo mal lhe tomou o único filho, mesmo tendo orado e se dedicado tanto, confiado acima de tudo. Como isso foi acontecer com uma boa cristã como ela?

“E se nossos saltos na ciência fossem apenas passos no escuro, rumo ao desconhecido, que nos atrai pra perdição?”

Entre rogos e lágrimas, permaneceu com a cabeça grudada na cama. Sem atentar pra tempo, derramou até a última gota [Romanos 8.26] de amargura restante em si. Após despejar o que se acumulara, esperou uma resposta até não haver mais o que chorar. Conformada que podia nunca ter elucidadas as questões que a angustiavam, se pôs em pé e acabou cando sentada devido a uma tontura.

No mesmo instante D-s falou consigo [Mateus 5.4], não numa voz audível a lhe soprar no ouvido, mas como certeza a ecoar em si que lhe trouxe a memória os argumentos pra cada questionamento.

“Poder não consiste em realizar grandes coisas, mas continuar mesmo se a força faltar e conseguir sorrir ainda que nos seja tomado o motivo da felicidade.”

Com uma nitidez que nem o melhor dispositivo high-end conseguia reproduzir ela reviveu o momento que ofereceu o filho pra D-s usar conforme sua vontade, a partir daí a recordação acelerou, parando no momento que Cadu lhe foi tomado.

No passado, quando o voto aconteceu e Lourdes não sabia quais rumos a promessa podia tomar, imaginou que Cadu seria pregador, só que ele foi levado antes disso acontecer. A imagem do velório se desdobrou mostrando diversas pessoas, muitas desconhecidas. Toda aquela consideração a fez perceber que o filho pregou com ações, sem precisar de cargo ou aglomeração [1 Timóteo 4.12].

Alguns tentaram ver Cadu no hospital e não puderam porque ela achou que o momento não era apropriado pra visitas até elas se tornarem incômodas e as proibir. Resultando numa solidão que sussurrou que ninguém além dela e o esposo se importavam com o filho. Agora, sem as escamas do desespero e dor viu o quanto isso nunca fora verdade.

Inundada por uma compreensão absurda, percebeu que, independente de se acreditar em D-s estamos sujeitos a coisas ruins [João 16.33], intensas a ponto de nos lançar no calabouço de nossas almas. Afinal, D-s não nos torna imunes ao sofrimento e dor, mas é possível encontrá-lo mesmo na situação mais adversa [Isaías 43.2], basta saber pra onde olhar [Salmos 121.1].

“Apesar da complexidade do ser humano, sua fragilidade impossibilita experimentar a plenitude sem comunhão com D-s.”

A promessa nunca foi nos manter sob uma redoma, onde a gente estaria livre de todo mal, mas estar presente [Mateus 28.20]. O nome de Jesus significa D-s conosco, independente da situação, por esse motivo, nunca estamos realmente só [João 14.16].

Enquanto Cadu esteve inconsciente, ela carregou um fardo que serviu pra lhe tratar de forma particular, a aperfeiçoando [Romanos 8.28] – o fogo purifica o metal, mas são as pancadas que lhe dão forma. Lourdes admitiu não conhecer D-s tão bem como imaginava [Jó 42.5], mas mesmo possuindo pouco entendimento, não ficou confusa [1 Coríntios 14.33].

“Sua oração não tem como errar o endereço, mesmo superior a todas as coisas, D-s está perto o suficiente pra ouvir corações quebrantados.”

Antes de chegar a essas percepções, advindas como respostas de D-s, precisou se esvaziar da tristeza e mágoas nutridas – sem mesmo se dar conta de tê-las – deixando chover de si toda escuridão. Só quando a calmaria se estabeleceu é que O sentiu falar [1 Reis 19.11-12] – feridas precisam ser expostas, só assim é possível tratá-las.

Tamanha lucidez a desnudou, fazendo-lhe se perceber como nunca se enxergou e quando reconheceu sua fragilidade encontrou a força necessária [2 Coríntios 12.10] pra se reerguer.

Há sempre novas oportunidades quando tudo parece chegar ao fim, até mesmo quando se perde o prazer de viver é possível recomeçar. Pelo menos enquanto estivermos de dimensão do tempo. E foi essa confiança em D-s que a deu firmeza pra prosseguir [Salmos 125.1] e renovou suas forças [Isaías 40.31].

— E se nossos saltos na ciência fossem apenas passos no escuro, rumo ao desconhecido, que nos atrai pra perdição?

— Como assim, doutor? – Lourdes ficou sem entender o rompante de iluminação.

O médico confessou que como ateu convicto sempre soube depender de si pra conseguir tudo que quisesse e assim aconteceu: sua vontade o levou a se formar em medicina na USP, onde iniciou residência até se tornar um médico admirável. Além disso, sua vontade proporcionou mulheres, dinheiro, uma casa no Morumbi, carro do ano e uma vida com muitas regalias e conforto.

Mesmo tendo tudo o que qualquer um desejaria, algo faltava. Havia um espaço que prazeres, conquistas ou bem físicos não podiam alcançar; algo maior que tudo aquilo.

— Poder não consiste em realizar grandes coisas, mas continuar mesmo se a força faltar e conseguir sorrir ainda que nos seja tomado o motivo da felicidade. É isso que vejo em você, dona Lourdes.

— Poxa, doutor! Sei nem o que dizer. – Ela até ficou sem jeito.

— Eu sei! Quero conhecer esse D-s em que você acredita.

Mesmo com toda erudição, doutor Pedro Gonzaga se deu conta: apesar da complexidade do ser humano, sua fragilidade impossibilita experimentar a plenitude sem comunhão com D-s. Afinal que é a vida além de neblina que dissipa [Tiago 4.14]?

— Ele já se revelou a você, doutor, basta falar com Ele.

— E como vou saber se é o mesmo?

— Sua oração não tem como errar o endereço, mesmo superior a todas as coisas [Salmos 103.19], D-s está perto [Salmos 34.18] o suficiente pra ouvir corações quebrantados [Salmos 51.17]. Pra conhecê-lo melhor é só se dedicar a leitura da Bíblia, além de pedir ciência e sabedoria pro Espírito Santo pra compreender a profundidade da Palavra.

— Poder deixar! – Os olhos do médico brilhavam, o deus que lhe apresentaram era difícil de ser acessado, bem diferente desse que Lourdes falava.

— Agora se você quiser algo além dessa vida e ter uma comunhão sem fim com D-s, precisa aceitar a Jesus [Romanos 8.19], pois Ele é a única forma de alcançar o Pai [João 14.6] e se você fizer isso Ele nunca vai te rejeitar [João 6.37].

— E como funciona? Posso fazer isso agora? – O médico estava sedento por aquela transformação de vida.


#proximoepisodio

A decisão do médico faz Lourdes transbordar felicidade e ele experimenta o verdadeiro nirvana. Fabiana encerra a ligação antes de Luan poder dizer algo, mas ele recebe a oportunidade de conhecê-la melhor.

Conheça a história com acontecimentos inéditos e um episódio extra!

Ósculos e amplexos,

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