O Fragrante – Making-of (Especial)

Tempo estimado: 5 minutos
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Percebendo que tinha dado mancada, Simey foi atrás de Jennie, mas tudo que foi ser expulso, então desistiu de consertar as coisas entre eles e, pro desapontamento de Jennie, ele não deu mais as caras.

Entre as voltas – que o destino os fez dar no carrossel da vida – parece que as confusões estavam longe de acabar e quando Jennie resolveu os sentimentos em relação a Simey, ele se reaproxima cheio de ideia pra confundi-la outra vez, mas quem acaba saindo machucado é ele – ou será que não?

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O que começou como um pequeno conto, pra falar de duas pessoas que se conhecem e como a perfume de uma atraiu a outra – que se quer acreditava no amor – acabou se tornando algo maior do que minha pretensão podia imaginar, virando uma minissérie.

A ideia surgiu a partir do fato de me elogiaram por ser perfumado – daí o nome da minissérie – e o quanto me sinto atraído por pessoas perfumadas – algumas são tão cheirosas que dá vontade de grudar e não soltar mais. Sempre tive claro pra mim que beleza não é a única forma de atrair a atenção, o olfato acaba sendo ainda mais apelativo e uma característica marcante em alguém.

Outro ponto crucial é o mote da Jennie não acreditar no amor e, por consequência no órgão que o representa, isso surgiu do personagem do Bleach, Ulquiorra – um Arrancar que não acredita nas emoções, as quais chama de coração, dizendo que se os olhos não podem vê-las, então ele não existe.

“Beleza não é a única forma de atrair a atenção, o olfato acaba sendo ainda mais apelativo e uma característica marcante em alguém.”

Pensando um pouco sobre isso, é até engraçado, pois também já me peguei nos mesmos questionamentos – assim como você já deve ter feito – só que no meu caso isso foi acontecer apenas anos mais tarde de ter escrito “O Fragrante“.

Ao juntar essas ideias centrais, elas entraram em combustão, até se consolidar, então começaram a incomodar a mente, pedindo passagem pra se tornar palavras, frases, parágrafos, história – exatamente o que houve, ainda assim algo curto, não fosse por algo que aconteceu quase um ano depois.

“O amor pode se tornar uma grande bagunça quando as pessoas não sabem lidar com ele.”

Apesar de contente com o resultado, segui falando sobre outras coisas e sentimentos, até conhecer a Thays, daí quando ela encontrou o conto em meu antigo blog, resolveu que ele merecia uma segunda parte – e sem, se quer, necessitar de autorização fez uma fanfic, dando continuação a história.

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Ao ler o que ela criou, achei tão legal que me senti motivado, além de desafiado a fazer o mesmo, a partir daí, já não era uma simples fanfic, mas uma história escrita por dois autores diferentes, contanto mais de si mesmos, de uma forma alegórica e poética – o mesmo que Jennie fez, algo baseado não apenas em nós dois, mas também em outros colegas, um que matinha a autoria em segredo e o outro que fazia o mesmo, mas escrevendo apenas em inglês. Inclusive o poema escrito pela Jennie foi baseado num feito pela Thays – essa foi mais uma forma de demonstrar o carinho e gratidão por ela.

“Decisões tomadas realmente são imutáveis ou seus rumos podem ser alterados a partir de onde estamos?”

Assim a gente seguiu, enquanto eu dava a visão do Simey, ela seguia pontuando os sentimentos de Jennie, a partir das interações com o crush e como as mancadas dele resultaram em dores que até então ela mesma desconhecia – algo que veio de encontro com as próprias descobertas da Thays.

Claro que tudo levou um bom tempo, já que nenhum dos dois falava sobre como seria a continuação, apenas visitava o blog do outro e seguia, deixando o destino conduzir a história pra onde ela devia ir – a única informação que a gente chegou a trocar foi que não fazia a menor ideia de onde isso ia dar ou como por um fim, já que nenhum dos dois queria atrapalhar no processo de criação do outro.

“Uma decisão pode ser pra sempre, na mesma medida que a eternidade dura um instante, fazendo-a permanecer imutável até onde quisermos alterar as coisas.”

Após escrever minha parte, a outra dela só surgiu dez meses depois, mas me deu gás pra continuar, até ela criar mais uma encaminhando pro final, que acabou nem vindo, na empolgação nem me dei conta de que ela tinha dado a deixa pra isso e fiquei esperando ela concluir a história.

Anos depois, retornei com um novo blog e, pescando antigas postagens, me deparei com “O Fragrante” e vi o quanto ele era envolvente, contextualizado culturalmente, além de ter uma temática bem atual – em tempos que a gente está cada vez mais questionador, experiências ruins podem nos tornar descrentes pra muitas coisas – daí que resolvi reescrevê-la, fazendo várias correções, ampliações e reestruturá-la – foi só aí que descobri que quem devia ter dado um fim a história era eu – além de responder algumas questões que acabaram por ficar sem respostas.

Nesse ponto, foi que surgiu o questionamento: “afinal, o que é que nos move, paixão, desejo, amor, ódio, instinto, inveja, amizade…?”, se tornando algo bem presente, pra demonstrar as decisões, consequências e que o amor pode se tornar uma grande bagunça quando as pessoas não sabem lidar com ele.

“O ‘pra sempre’ um dia acaba, permanecendo apenas como constante a mudança, assim, se formos capazes de entender isso, estaremos aptos a viver.”

Embora o fio que costurou a história seja ficcional, o contexto foi criado em torno de acontecimentos reais, que ora refletiam a realidade, ora a antecediam, entrelaçando o real e o imaginário, dificultando saber onde um começa e o outro termina, ainda assim, ela deve conter por volta de 90% de casos verídicos, diluídos em boas doses de poesia só pra fazer a mente refletir e viajar – então não será estranho se você se identificar com alguma característica, ou até mesmo várias, dos personagens, ou ainda reconhecer algumas das várias situações inusitadas.

De forma descontraída a gente é levado a pensar se decisões tomadas realmente são imutáveis ou seus rumos podem ser alterados a partir de onde estamos?

“Às vezes, falar sobre sentimentos pode ser doloroso, mas quando a gente transmite isso através da escrita, aquilo deixa de nos pertencer e conseguimos seguir sem carregar fardo algum.”

Creio que pra chegar a um consenso, o melhor seja a maturidade, pois só ela consegue ensinar que uma decisão pode ser pra sempre, na mesma medida que a eternidade dura um instante, fazendo-a permanecer imutável até onde quisermos alterar as coisas. O “pra sempre” um dia acaba, permanecendo apenas como constante a mudança, assim, se formos capazes de entender isso, estaremos aptos a viver.

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Apesar do prazer proporcionado por escrever a minissérie, fazer isso bem foi difícil, tanto que acabei não conseguindo terminá-lo, além de abandonar o blog – às vezes, falar sobre sentimentos pode ser doloroso, mas quando a gente transmite isso através da escrita, aquilo deixa de nos pertencer e conseguimos seguir sem carregar fardo algum – assim, mais uma vez a história permaneceu sem direito a final, até que esse ano, após ela completar dez anos desde que foi iniciada, voltei com tudo.

“É na dificuldade que se descobre o poder da resistência ou o quanto ainda se está despreparado pra vencer a si mesmo.”

É incrível como a vida consegue surpreender, quando pensávamos ter esquecido algo, ela traz a tona não apenas lembranças, mas também a causa, que pode ter sido de felicidade ou tristeza, mas há algo bom em enfrentar o que amedronta, já que isso é empoderador. É na dificuldade que se descobre o poder da resistência ou o quanto ainda se está despreparado pra vencer a si mesmo.

Ao assumir o compromisso comigo mesmo de finalizar o projeto, percebi que as dificuldades não diminuíram de tamanho, algumas partes foram extremamente delicadas, já que existe muito do que passei – além, é claro, do que a própria Thays viveu.

“É incrível como a vida consegue surpreender, quando pensávamos ter esquecido algo, ela traz a tona não apenas lembranças, mas também a causa, que pode ter sido de felicidade ou tristeza, mas há algo bom em enfrentar o que amedronta, já que isso é empoderador.”

Fora isso, costurar fragmentos tão distintos em algo harmônico, atual e envolvente dá um baita trabalhão, ainda mais porque a história é conduzida sob dois ângulos diferentes, e mostrar isso sem ser repetitivo, antes, acrescentando novas combinações, além de amarrá-la bem, sem deixar sobrar nenhuma ponta se quer, é bastante complexo.

O imenso gap, de mais de um ano, possibilitou a história ganhar mais nuances, ficando encorpada e fazendo surgir mais duas partes, só aí consegui visualizar o final – que se alterou ainda mais duas vezes devido às ramificações surgidas.

“A vida tem dessas de mudar planos e metas, traçando um novo caminho que pode levar ou não ao destino desejado, mas que traz tanto aprendizado enquanto percorremos em busca de um objetivo.”

A vida tem dessas de mudar planos e metas, traçando um novo caminho que pode levar ou não ao destino desejado, mas que traz tanto aprendizado enquanto percorremos em busca de um objetivo, nem sempre o fim é feliz, mas também pode ser que o ponto não seja um final, exatamente por isso optei por não concluir a minissérie por completo, já que ela é bem próxima da realidade, então, por que a necessidade de um desfecho definitivo?

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Assim, você decide o que acontece a partir do que foi exposto, tendo o mesmo direito da Thays de continuar a história como melhor achar que ela deve seguir.

“Nem sempre o fim é feliz, mas também pode ser que o ponto não seja um final.”

O que será que acontece depois do último encontro? Há forças ainda maiores que os atrai do que as que separa, será que Jennie e Simey conseguirão resistir-se?


#promixaminisserie

Inteligente, tímida e bem reservada – quando se trata de demonstrar os sentimentos – Adie sabia que precisava descolar um jeito de conhecer alguém, embora não curtisse sair. Foi aí que resolveu usar o Tinder, onde conheceu um garoto lindo, divertido e todo fofo – um verdadeiro encantado moderno.

Então já prepara o coração, agenda a data e compartilha com a geral, que semana que vem estreia “Encantado”, uma minissérie pra falar de paixões, nudes, descobertas, pegação, preocupação em excesso, decepções e o que foi que Adie fez depois disso.

Ósculos e amplexes,

mishael mendes sign, assinatura