O Fragrante – Perfume no ar

#resumo
Jennie era uma garota especial que não acreditava nessas coisas de amor, mas sem que pudesse imaginar o destino começou a arranjar as coisas, assim, numa tarde qualquer um encontro inesperado muda algo nela.

Daí pra se apaixonar e começar a sentir na pele o quanto esse sentimento complexo pode ser tão confuso, deixar marcas, feridas e sonhos, foi mera consequência, mas no fim valerá a pena? Fernando Sabino já disse que vale sim, mas desde que a alma não seja pobre, porém só vai dar pra saber mesmo se você começar a ler. 😉

Acompanhe a série » EP 1EP 2EP 3EP 4EP 5EP 6EP 7EP 8 • EP 9 [20/03] • EP 10 [27/03] • EP 11 [03/04] • EP 12 [10/04]


Jennifer Guastelli, segundo os amigos, era uma garota simpática e extrovertida, pelo seu jeitinho ficava claro que ela adorava ser assim, já a opinião que tinha de si mesma era meio negativa, por isso procurava fazer os colegas rirem e os deixava à vontade, assim tinha certeza que não a esqueceriam ou deixariam de gostar dela facilmente.

O problema de autoimagem a deixava desconfortável e, embora disfarçasse bem, acabava aceitando o primeiro que chamasse sua atenção – algo fácil de conseguir, bastava chegar junto, ser atencioso e pronto, ela gamava. Talvez por isso os relacionamentos durassem pouco, salvo uma ou outra vez, quando aparecia um garoto disposto a algo mais que ficar.

Quebrar a cara repetidas vezes, ensinou Jennie que sorte no relacionamento não passava de invenção de comédia romântica, assim, parou de esperar pelo amor, aliás, se quer acreditava mais nele. O sentimento não devia passar de algo complexamente abstrato, bem como o coração, ambos não passavam de algo criado pras fazer as pessoas se sentirem bem com elas mesmas e suas situações amorosas.

misael mendes, inversível, inversivel, coracao batendo, frafrante perfume no ar, conto

— E se eu abrir meu peito? – Ela riu, imaginando sentimentos jorrando ‘do coração’, talvez as pessoas acreditassem nessas baboseiras porque a imaginação é bem criativa.

A racionalidade de Jennie teorizava que tanto o amor como o coração não existiam, pra isso se baseava no fato de que se o maior dos sentimentos é impalpável, logo o órgão onde ele nasce não passava de uma crença.

Por nunca ter visto um coração, nem provado as mudanças causadas pelo ‘amor’ em nenhum dos relacionamentos ou flertes com os gatinhos – embora alguns nem fossem tão bonitos assim – achava que tudo devia ser uma grande ilusão. Só que o que ela já tinha experimentado não passava de algo raso, baseado apenas em atração ou oportunidade, por isso o interesse costumava não durar, da mesma forma que ela gostava fácil, os garotos perdiam a graça, principalmente moleque piranha, que possui aversão a fidelidade.

Veja também  Quando o sonho se torna real – Exposição "Rá-Tim-Bum - O Castelo"

misael mendes, inversível, inversivel, flores sakura caindo, fragrante perfume no ar conto

Era tarde de inverno, apesar do vento gelado, os fracos raios de sol ajudavam a deixar o tempo ameno, pelo menos até a próxima baforada de ar frio. Naquele dia, Jennie estava distraída, pois além do céu azul cheio de tonalidades alaranjadas, uma árvore colorida chamou sua atenção e com os olhos fixos nela se deixou levar pra praça, chegando lá sentou num largo banco de pedra, estrategicamente posicionado próximo a imensa Sakura, o verde em volta contrastava com as flores rosas que brilhavam feito rubelita, conforme o vento tocava a árvore, ela dançava sensualmente.

A cena, desprovida de ostentação, ficou mais bela quando Sakura soltou pequenos fogos de artifício vegetais que brilhavam aos raios de sol, as flores deslizavam pelo ar, passando pelo vestido de corpete amarronzado, enfeitando a saia plissé que estendia sua longa calda por todo parque. Isso encantou tanto Jennie que a fez bater palmas feito criança.

Ao ver uma flor ser soprada pra perto, Jennie estendeu o braço bem a tempo dela posar em sua mão, ao curvar-se pra sentir o aroma, o olfato captou uma fragrância meio cítrica e refrescante, foi fechar os olhos pra sentir-se numa manhã de primavera em meio as flores desabrochando e mesmo sem rumo corria feliz. Foi bem nessa parte que ela lembrou que flor não tinha cheiro tão específico assim, ao abrir os olhos, viu ao seu lado, diferença de cinco palmos, um garoto encantador de fone no ouvido e atenção voltada pro mangá “Fushiginakuni no Arisu”, ao mirar o nariz na direção dele, novamente sentiu o perfume, mas apesar dos brilhantes olhos o observarem, prontos a disparar doçura, ele continuou concentrado, sem nada notar.

“Os olhos são as janelas onde a alma encosta pra ser observada.”

O boyzinho, além de maior sapão, era estiloso, ele usava paletó esporte preto ajustado a silhueta magra, camiseta henley branca, calça jeans slim e nos pés Puma Ferrari branco. Ao mirar os olhos dele, percebeu um tom de tristeza, como tinha aprendido que os olhos são as janelas onde a alma encosta pra ser observada, ficou intrigada tentando entender o que teria acontecido, mas ao chamá-lo ele permaneceu quieto.

Veja também  O Fragrante – Recuperando memórias

misael mendes, inversível, inversivel, garoto lendo livro, fragrante perfume no ar conto

O garoto ainda lia, quando escutou sussurros, deixando o mangá de lado, viu a sua direita uma cocotinha, os olhos estacionaram ali e deu pra ver que ela trazia no pesco, próximo ao peito, uma fina corrente de ouro branco, com um delicado pingente de coruja. Meio atrapalhado pausou o iPod, retirou os fones, deu seu sorriso mais encantador e desculpou-se pelo alto volume que o impedia ouvir qualquer coisa além do que tocava nos fones.

— É que gosto de viajar na vibe!

— Tudo bem! – Ela sorriu. – Meu nome é Jennifer, mas pode me chamar de Jennie.

— Oh… sou o Simon, mas chama só Simey que tá tudo certo. – Ele estendeu a mão, ainda perdido, enquanto a outra coçou a cabeça com o cotovelo erguido.

— Vi que cê tá meio triste, que pega?

A capacidade de ir direto ao ponto surpreendeu Simey, mas Jennie era dessas, já falava logo o que precisava, esse era seu jeitinho de fazer amizade, se por um lado assustava um pouco, logo a pessoa ficava a vontade, se bem que às vezes a falta de freio lhe causava alguns problemas, mas ela era assim mesmo.

misael mendes, inversivel, inversível, garoto com vergonha sem jeito, fragrante perfume no ar conto

Ainda sem jeito, Simey se desculpou afirmando não ser nada e que estava sério por causa de leitura, mas isso não convenceu Jennie, ela sabia o quanto os garotos têm dificuldade de dizer quando precisam de ajuda, mas nesse caso o garoto tinha razão, o silêncio e a cara fechada, significavam apenas seu grau de concentração.

Quando o papo começou a ficar legal, o iPhone de Simey vibra, então ele parou a conversa, pegou o celular e saiu andando como se não tivesse fazendo nada de importante.

Jennie olhou, sem graça, Simey se afastar, ela achou grosseria da parte dele sair sem nem pedir licença, ao olhar pro banco havia um copo de café vazio que ele esqueceu largado.

— Inda por cima isso! – Ela ficou chateada, mas catou o copo e jogou no lixo. Ao olhar na direção que Simey tinha ido, viu que não havia mais nem fumaça dele, quando o relógio apitou ela percebeu que estava na hora de voltar pra casa.

misael mende, inversível, inversivel, fragrante perfume no ar conto, mulher dançando ponto, inversivel.com

Felizmente o ponto ficava perto dali, foi chegar lá e o busão encostou, Jennie vibrou ao vê-lo praticamente vazio, assim não ia ter falatório ou alguém ouvindo música no volume máximo pra incomodar, além dela poder escolher um lugar que não teria ninguém pra ficar puxando assunto, afinal, o que ela mais queria naquele instante era ficar na sua.

Veja também  O Fragrante – Desfazendo-se em beijos

Se dirigiu pro fundo do coletivo e sentou na cadeira alta, ao lado da janela, quando fez isso o corpo deu sinal de cansaço, então aproveitou pra encostar a cabeça no braço estendido no assento da frente, aí o ônibus parou e ela acabou metendo o nariz no braço.

“Caramba, não precisa parar tão brusco!” – Ela reclamou mentalmente, fazendo cara feia.

Algumas pessoas subiram, mas ela nem ligou, apenas encostou a cabeça e foi fazer isso pra sentir um perfume cítrico, exatamente o mesmo da praça. Aí, mesmo com o frio ali, raios de sol surgiram e conforme o perfume se intensificava, a temperatura subia, até tomar todo seu corpo, só que o calor não vinha do sol nenhum, mas de dentro dela mesma.

misael mendes, inversível, inversivel, com vergonha, envergonhado adam levine com vergonha, fragrante perfume no ar conto

“Agora pego o whats dele.” – Pensou Jennie e enquanto decidia se tinha coragem pra isso, as batidas aumentaram, se esperasse mais era capaz de levar multa por excesso de velocidade. Ela se sentiu estranha por ficar assim, pois mesmo na hora de ficar, se estava afim de um garoto, nem esperava, já chamava no probleminha e resolvia a situação.

Foi necessário algum esforço pra Jennie erguer a cabeça, apesar disso tudo que conseguiu exibir foi um sorriso de tons amarelos. Porém, ao olhar pra frente a surpresa foi tanta que congelou o sorriso.


 

#proximoepisodio
Será que ela finalmente vai conseguir pegar o contato de Simey e como ele apareceu no ônibus? Ou não era ele? Mas o perfume era exatamente o mesmo, enfim, seja quem for não deixou de ser surpresa pra Jennie, tanto que a deixou ainda mais sem graça.

Se você, assim como Jennie, acha que já entende de muita coisa, então é melhor se preparar, pois vai descobrir algumas coisas inusitadas, a principal é que o destino gosta de bancar o engraçadinho e sair trollando geral.

Prepara que o segundo encontro de Jennie e Simey prometem ser ainda mais inusitado que o primeiro, as coisas foram ainda mais estranhas e isso vai deixar ela bem confusa.

Ósculos e amplexes,

misael mendes assinatura, misael mendes sign

 

 

 

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona.
Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.


Also published on Medium.