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Após fugir de Simey e ter de enfrentar uma enxurrada de sentimentos que a deixou perdida, Jennie conseguiu se acalmar e resolver ligar pra melhor amiga, mas quando pega o iPhone, Vee está ligando e pede pra vê-la imediatamente.

Ao encontrar a amiga e dizer o que houve, Vee conta algo que vem escondendo a tempo demais e, mesmo sem querer acreditar, Jennie é obrigada a aceitar que Simey não vale nada – na verdade, é ainda pior – e que ele apenas se aproveitou de seu momento de fraqueza.

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Fazia mais de um mês desde que Vee viajou, apesar de sempre se falarem as conversas eram desencontradas, como a amiga arrumou um emprego assim que chegou lá, as agendas não batiam, até porque o fuso horário do estado onde ela se encontrava era diferente.

O legal de usar aplicativo de mensagens é poder falar a qualquer hora, daí quando o contato puder responder a conversa continua de onde parou, mesmo com o espaço de várias horas – quem sabe até dias, se você estiver falando comigo – sem isso atrapalhar a comunicação, pelo contrário, às vezes pode até mesmo ajudar a prolongar o papo, pois, se na hora faltar assunto dá pra bolar algo ou mesmo pesquisar – o único problema é se a pessoa perder o interesse devido um grande intervalo de tempo pra resposta ser enviada – a não ser que a ideia seja finalizar logo o papo, daí é só enviar risadinhas, emojis, “beleza” ou “ok” e pronto.

No caso da amizade entre Jennie e Vee, o relacionamento seguia firme e forte – mesmo a distância. Jennie estava feliz com as novidades da amiga, menos pelo número crescente de coisas boas acontecendo, pois, isso aumentava a probabilidade dela não voltar mais, até porque o pai dela conseguiu se estabilizar por lá e Vee já tinha até contatinho fixo.

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Jennie era de se relacionar fácil e vivia cercada de gente, mas Vee era a mais chegada – você descobre a verdadeira amizade quando, ao falar, parece estar só, pensando com si mesmo – era essa a sensação que ela tinha, conversar como a amiga era como se falasse com si mesma, sem medo das informações vazar por aí – Vee ocupava o patamar de irmã, pra quem ela podia pra contar de tudo e mais um pouco.

Por falar em informações circulando por aí, o beijo entre Jennie e Simey – que bombou no Twitter – a deixou famosinha, logo que a geral descolou os perfis dela que, além de ter o número de seguidores e solicitações de amizade aumentando a cada dia – além de comentários e elogios – os pedidos por um canal no YouTube e por conselhos de relacionamento também não paravam de chegar. Embora pra ajudar não se precisa de eloquência, apenas de uma boa pitada de sinceridade, ela não se sentia apta pra isso, afinal, como a aconselhar alguém se não conseguia socorrer a si mesma?

“Você descobre a verdadeira amizade quando, ao falar, parece estar só, pensando com si mesmo.”

Assim, antes de ser tornar a próxima webcelebridade ou digital influencer, deletou todas contas em redes sociais. Jennie percebeu que estava viciada demais nas interações virtuais – nem no banho largava o celular – assim preferiu ficar anônima, se desconectando de vez pra manter a sanidade e ter tempo pra se dedicar a outras coisas – já que tinha problema com esse tipo de distração, achou melhor desconectar o mal através da exclusão.

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No dia que tudo aconteceu, o esforço e a conversa com Vee ajudaram a acalmar a avalanche de sentimentos e desejos incontrolados que fez as pernas correr na direção oposta que o coração queria, só que isso acabou não durando tanto quanto ela gostaria – mesmo depois do que a amiga contou. Apesar dos conselhos pra, se quer, pensar nele, algo ainda martelava em sua mente.

— Se ele tava namorando, por que me beijou? – Justamente tentar entender o significado disso é que fazia a questão impregnar na cabeça e feito chiclete não saía sem deixar resquícios.

Jennie tentava entender por que – de todas as garotas – ele tinha escolhido logo ela e não pareceu esquecê-la, a entrega do beijo a fez sentir que era desejada na mesma intensidade que queria ele.

A lembrança daquele instante já não era motivo de choro, mesmo atrelada a sentimentos que vinham se arrastando a anos, ainda assim Simey não lhe saía dos pensamentos. Os beijos a fizeram ver de vez o quão intenso era o que sentia por ele e que nem o tempo ou Luke foram capazes de deletar.

Até aí deu pra levar, o problema surgiu quando começou a ter impressão de vê-lo em clientes, alguém passando na rua, algum garoto no intervalo, no cara que subia no ônibus ou no que ficava esperando no ponto, mas quando os garotos percebiam seu olhar de interesse ela desviava, desconcertada.

Ela até chegou a trocar ideia com alguns contatinhos que conheceu num app de relacionamento, mas nenhum parecia lhe chamar a atenção, então se convenceu que eles não deviam estar dentro do perfil que procurava, afinal, ela era bem exigente.

Quando os matchs começaram a ficar interessantes, Jennie percebeu que conversar com eles, só fazia lembrar Simey – se não fisicamente, era pelo papo – então, em menos de uma semana excluiu o perfil, pois, se deu conta de que não estava buscando alguém legal, mas tentando encontrar Simey em outros garotos – é difícil arrancar da cabeça algo que já tomou o coração e lá ficou raiz.

Vendo que não tinha outra forma de resolver isso, tomou uma decisão.

— Jennie, como cê…? – Simey ficou surpreso ao abrir a porta e ver Jennie prestes a tocar a campainha.

— A gente precisa conversar. – Ela interrompeu a queima-roupa.

Agitado, Simey parecia ter pressa pra sair, até dar de cara com Jennie e ficar meio sem reação, mas ela o percebeu aliviado. Simey ficou mesmo foi ansioso pra saber o que Jennie fazia ali.

Aí que estava, o que ela tinha ido fazer ali era o total contra do que Vee aconselhou, mas ela precisava de respostas pra encerrar aquela confusão na cabeça. Depois de tentar ocultar os sentimentos e ver que isso adiantou foi em nada, talvez conversar com Simey ajudasse a resolver a questão.

— Cê ia sair? – Jennie quis saber ao vê-lo todo arrumado e cheiroso.

“Por que mesmo depois de tanto tempo ele não mudou de perfume?” – Ela se questionou ao sentir a fragrância ser empurrada pelo vento em sua direção.

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— Sim, mas a gente pode conversar. – Ele ficou sem graça. – Quer entrar?

— Precisa não, pode ser aqui mesmo.

Simey olhou em volta, a lembrança que tinha deles dois ali na frente não era das melhores.

— Pensei que cê nem quisesse mais falar comigo depois daquele dia na praça… – Ele estava sem jeito.

— É que lembrei de algo urgente e precisei sair correndo.

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— Pior que cê me bloqueou no Whats e nem deu pra falar mais contigo.

— Foi mesmo? Nossa, nem percebi… – Ela deu um sorrisinho amarelo bem sem vergonha.

— Já foi difícil recuperar seu número. Meu iPhone deu ruim e perdi todos contatos, os que ficou tava tudo sem nome, por isso perguntei quem era, daí quando cê respondeu, salvei o número e vi sua foto, daí quando tava de boas fui te chamar, a foto tinha sumido. – Simey lamentou.

— Acho que foi quando tava fazendo a limpa no Whats, daí não percebi e cabei bloqueando.

— Não só lá, né? Também não consegui te achar no Face. – Ele zoou.

— Para de ser convencido! – Ela mandou logo pra ele baixar a bola. – Precisei excluir. Depois daquilo bombar na internet não tive mais sossego.

— Entendo… Jennie, queria me desculpar contigo pelo que houve na praça… – Ele conseguiu dizer após um abismo de silêncio.

— E também por me beijar mesmo namorando?

— Não… digo, sim… quer dizer… espera como cê sabe? – Ele se atrapalhou todo, por essa não esperava.

— Mas cê não tá? – A frase foi mais uma sentença que uma pergunta.

— Na verdade, tô… – Ele começou a suar frio. – É que na hora foi tão forte o que tava rolando entre a gente que esqueci de tudo e não te resisti.

— Ah! Simey, pra cima de mim esse papinho de novo?

“Pra ajudar não se precisa de eloquência, apenas de uma boa pitada de sinceridade.”

Era justamente isso que Simey não queria que Jennie pensasse, que tudo não passava de veco furado, que ele só se aproveitou da situação, mas a verdade tinha sido exatamente isso. Caso tivesse feito diferente ia ter de conviver com o arrependimento por perder a chace de ter mais uma vez aqueles lábios nos seus, enquanto sentia que a garota mais linda e incrível lhe pertencia no breve instante do momento que passou eternizado pela poesia dos sentimentos e desejos.

— Vai dizer que cê também não sentiu?

— Não.

— Não foi o que seu corpo disse, cê até retribuiu os beijos. – Ele tentou justificar.

— Impressão sua. Quer dizer que da primeira vez que a gente ficou cê também não me resistiu? – Ela aproveitou pra tirar a história a limpo.

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— Também! – Ao ver o olhar sério de Jennie, ele tentou consertar. – Desde que te vi, algo chamou atenção em você e senti uma atração forte, daí perdeu o contato contigo, mas quando cê apareceu de novo não consegui resistir e a gente acabou ficando, mas como tava ficando com outra garota, achei melhor me afastar pra não te machucar.

— Daí cê foi e fez pior, me beijou mesmo namorando! – Jennie deu as costas, nervosa.

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— Pera! – Ele a segurou pelo braço. – Nunca quis fazer isso contigo, Jennie, mas cê mexe comigo de uma forma que perco o controle de mim mesmo.

Ela virou e o encarou de tal forma que ele até baixou os olhos, sem graça.

— Queria ter resolvido isso naquele dia, mas daí cê foi embora e como não tinha mais seu contato, não consegui falar contigo, daí isso viralizou e tentei te encontrar, mas não te achei em lugar nenhum e quando tomei coragem pra ir na sua casa, cê aparece aqui.

“Isso explica porque ele té esqueceu onde ia, pra ficar aqui conversando.” – Jennie pensou com si mesma, porém, continuou em silêncio, nem o rosto dela parecia ter o que falar – até Mona Lisa, com o sorriso enigmático, diria mais naquele momento.

— Jennie, a verdade é que desde aquele dia, não parei de pensar em você. – Ao ouvir isso, ela acabou deixando um sorrisinho escapar, mas foi tão sutil que nem chegou a ser percebido por Simey. – E… – Antes dele poder continuar, a chegada de uma mensagem o fez parar pra responder. – Será que a gente pode continuar essa conversa depois? – Ele estava sem jeito.

— Ué! Pensei que cê queria resolver isso logo.

— É que minha namorada tá vindo pra cá, daí se ela te ver aqui, vai dar ruim feio.

— Por isso cê ia na minha casa, pra esconder dela?

“É difícil arrancar da cabeça algo que já tomou o coração e lá ficou raiz.”

— Não é isso! É que ela foi bem compreensiva mesmo depois que a história alastrou e… gosto muito dela, mas precisava resolver as coisas entre a gente…

— A gente o que, Simey? Nunca teve a gente! – Ela fez um olhar profundamente sério. – Sabe, gosto mesmo de você, por isso é melhor me afastar de vez, isso não está me fazendo bem.

— Só isso?

— Sim!

— Ok!

Os dois ficaram se olhando por um longo tempo, então ela lhe deu as costas e foi embora, enquanto Simey fechou a porta, sentindo que com isso estava afastando de vez a razão de sua felicidade. Então resolveu disputar uma partida de “Need for Speed”, mas ao pegar o controle do Xbox, uma lembrança o atingiu feito choque, aí botou um short, uma regata e foi jogar vôlei.


#proximoepisodio

Depois da bola fora de Simey – se bem que pra Jennie, foi mais uma bolada na cara mesmo – ele sente que precisa resolver as coisas, que só pioraram depois da última conversa, e vai atrás dela. Mesmo insistindo ele continua sendo ignorado até que, de saco cheio, Jennie o expulsa de sua casa, conseguindo com isso afastá-lo de vez.

Mas insistente como o destino é, ela o encontra no último lugar que jamais podia esperar ele aparecer, só que dessa vez não dá pra fugir e Jennie se vê obrigada a aturá-lo – não sem tornar o processo mais difícil. Depois de uma conversa séria e uma pitada de tempo eles voltam a ter amizade, é quando Simey chama no probleminha e abre o coração, mas a resposta que recebe acaba por deixá-lo bolado – ele já tinha até planos de pedi-la em namoro.

Ósculos e amplexes,

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Mishael Mendes

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.
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