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Mesmo feliz pela mudança da amiga e as novidades dela, Jennie não conseguia esconder certa tristeza por Vee estar tão distante – conversar por mensagem não era a mesma coisa. Além disso, algo mais a incomodava e a culpa era toda de Simey.

Jennie até tentou esquecer Simey e conhecer outros garotos, mas quando percebeu, estava vendo ele em todo lado ou procurando-o nos contatinhos, aí ela toma uma atitude que é o contra do que Vee aconselhou. Apesar de conseguir as respostas que queria, ela não saiu sem se ferir mais uma vez.

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— E aí, Simey, cê tá fazendo aqui? – James se surpreendeu, sua casa foi o último lugar em que ia esperar encontrar o ex-instrutor.

— Ah… vim falar com a Jennie. – Ele estava meio sem jeito.

— Ela é sua amiga?

— Sim, ela é uma garota incrível. – Ele sorriu.

— Acho que a gente não tá falando da mesma Jennie, então! – James rachou.

— Ela tá? – Simey ignorou a gracinha.

— Sim, tá jogando, entra aí!

— Obrigado, mas prefiro esperar aqui mesmo.

— Então peraê que vô chamar ela.

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James despareceu casa adentro, enquanto Simey ficou esperando no portão, de onde deu pra ver Jennie sair com cara de paisagem e fechá-la numa careta, assim que viu quem era.

— Oi, Jennie! – Simey tentou ser o mais simpático possível, apesar do nervosismo.

— Que cê tá fazendo aqui?

— Vim conversar contigo…

— E se minha mãe te ver? – Ela interrompeu. – Minha família tá toda em casa!

— Só vim conversar, não vô fazer nada de mais. Te mandei mensagem no whats, mas cê nem recebeu.

— Daí cê achou que podia aparecer aqui?

— Fiquei mal porque a nossa conversa terminou daquele jeito, então achei melhor vir pra gente se acertar, já que ainda tô bloqueado.

— Será que é porque não quero falar contigo?

— Calma, Jennie, parece que tô fazendo algo ruim.

— E tá mesmo!

— Mas que foi que fiz de mais? Vim só conversar.

— Esse é o problema, não quero te ver!

— Poxa! Cê tá mesmo me expulsando?

— Cê nem devia ter vindo! – Jennie estava visivelmente alterada.

— Tá certo, falou! – Sem reação, Simey achou melhor se mandar dali.

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Apesar de chateado, ele não era de desistir do que queria. Tudo que vale a pena sempre possui um custo consideravelmente proporcional ao que se deseja obter, como Jennie era importante demais, ele deu só o intervalo de uma semana e continuou tentando falar com ela.

— Jennie, o Simey tá aí de novo atrás de você.

— Outra vez!? Cara chato, não entende que não quero assunto!

— Melhor ir lá, pelo menos escuta ele.

— Acho que é o jeito! – Ela aspirou ruidosamente.

— Ah! Finge não, sei que cê tá gostando dele correndo atrás de você. – James riu, mas isso fez se formar uma imensa cara feia em Jennie. – Calma, tô só brincando!

— Hum!

— Eu, hein!? – Ele ficou em silêncio, vendo ela sair pela porta. – Garotas, vai entender?

— Jennie? – Simey não conseguiu esconder o quanto ficou feliz ao vê-la. – Bom te ver.

— Se não for assim cê não me deixa em paz! – Já ela estava bem azeda da vida. – Que cê quer?

— Sei que cê ainda deve tá chateada comigo, mas só queria conversar.

— Tô mesmo!

— Pelo menos posso saber pelo quê?

— Se cê perguntou é porque nem devia tá aqui!

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— Espera! – Ele a segurou, mas quando ela voltou o olhar pra ele, havia um careta tão feia que a largou instantaneamente. – Cê pode pelo menos dizer que foi que fiz dessa vez?

— Esqueceu como terminou nossa última conversa?

— Poxa! Que fiz de mais?

— Cê sabe! Depois do que rolou cê me tratou daquele jeito, isso fica rodando na minha cabeça.

— Me perdoa! O que aconteceu não sai da minha cabeça também, só não queria que a Jeannie te visse lá e achasse que cê tava dando em cima de mim.

— Sempre tão bonzinho você, que dó! – Mais irônica que isso impossível.

— Será que cê não pode esquecer tudo de errado que fiz?

A resposta dela foi permanecer em silêncio, olhando pra ele.

— Queria saber se pelo menos a gente pode ser amigo…

— Sei não, isso ainda tá recente demais.

— Mas mudei, poxa!

— Aham… acredito!

“Tudo que vale a pena sempre possui um custo consideravelmente proporcional ao que se deseja obter.”

— Mas é…

— Simey, quando um casal se separa não é bom se ver porque a chance de rolar flashback ou brigar é maior. Talvez um dia a gente volte a se falar, por enquanto é melhor manter distância.

Ele ficou tão chateado que nem conseguiu processar direito o que ouviu e tudo que lhe veio na mente foi um simples “ok” que lhe escorreu da boca.

— Cê, nem vai me dar tchau? – Jennie questionou ao vê-lo lhe dar as costas.

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— Ah… tchau…

A conversa pareceu surtir efeito, já que ele sumiu. O problema é que quando Jennie ouvia a campainha tocar, achava ser ele, mas depois de um mês se convenceu que o recado tinha sido entendido.

“Melhor mesmo!” – Só que a verdade é que ela sentia falta dele atrás de si, ela só não estava disposta a facilitar as coisas depois de tantas provas do quanto ele era maior féla.

— Cê tá fazendo na minha escola? Pensei ter dito pra se afastar! – Ela se surpreendeu, ao entrar na sala de informática e dar de cara com Simey.

— Jennie? – Ele pareceu tão ou mais surpreso. – Não sabia que cê estudava aqui quando aceitei a vaga.

— Claro! – Ela o ignorou e foi sentar no lugar de sempre, no fundão.

— Bom dia, galerinha! – Simey falou cheio de ânimo.

— Bom dia! – A geral respondeu.

— Sou Simon Aniston e vô dar aula pra vocês a partir de agora.

— Ainda bem que o ano já tá acabando.

— Mesmo assim dá pra gente aproveitar bastante! – Simey contornou, enquanto Jennie sentia as bochechas corar, ela não percebeu que tinha pensado com a boca.

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Depois dessa, ela permaneceu em silêncio o resto da aula, mas nas outras quando ele tentava interagir ela batia de frente, sendo áspera, nesses momentos a galera até ficava quieta diante do climão.

Paciente, Simey respirava fundo e continuava contornando a malcriação, até que, no final de uma das aulas, chamou-a de canto, dizendo que não tinha necessidade de receber aquele tipo de tratamento, pois, só estava tentando ajudá-la ou saber se estava entendendo o conteúdo, mas ela insistiu que só de lembrar que ia vê-lo se sentia mal.

— Se sente mal por quê?

— Depois a gente conversa pelo whats, agora preciso ir. – Ela disse ao ver os amigos meio afastados, conversando e rindo, distraidamente.

— Depois como, té hoje tô bloqueado!

— Quando chegar em casa te chamo, agora preciso ir.

— Melhor conversar agora. – Ele insistiu. – Tô me esforçando, mas cê só fica me tratando mal.

— Era só isso? – Ela estava impaciente, apesar de falar baixo.

— Só isso? Será que cê não pode esquecer o que aconteceu? A gente não pode ser amigo outra vez?

“Quando um casal se separa não é bom se ver porque a chance de rolar flashback ou brigar é maior.”

— De novo, cê insistindo nisso? Por que tá me pressionando?

— Não tô pressionando, poxa!

— Tá sim, direto cê pergunta isso.

— Claro que não, essa é a segunda vez.

— Cê tá contando? – Ela ergueu a sobrancelha.

— Claro, cê não acha que tá se sentindo demais? Também não tô implorando sua amizade.

— Melhor mesmo, agora preciso ir!

— Ok!

Ela se afastou, acompanhada dos amigos. Ninguém comentou nada, mas deu pra ver que discutiam.

Com o tempo Jennie percebeu o esforço por parte de Simey pra ser o mais profissional possível, mesmo com tudo que rolou, assim aos poucos, foi deixando de lado a resistência. Percebendo isso, ele foi se reaproximando, então voltaram a se falar, pelo menos na escola, já que ela nunca mais o desbloqueou.

Jennie estava ocupada arrumando as blusinhas na arara, quando alguém lhe toca o ombro pedindo ajuda pra escolher algo pra namorada, ao olhar pra trás vê Simey ficar todo sem graça.

Sem perder a linha, lhe mostrou todo o conhecimento de moda, ajudando a escolher o melhor presente, uma saia longa floral e uma blusinha de babado azul – também o mais caro, afinal, ela ganhava por comissão, além do que fazê-lo pagar caro era uma fora de se vingar – mas ele se quer deu importância pro preço, antes continuou puxando conversa, inventando perguntas só pra caçar assunto.

— Adivinha quem taí atrás de você!

— Não acredito! – Jennie deu até um pulo do sofá.

— Nossa, essa felicidade toda é só pra ver o Simey?

— Ah, besta! Do jeito que cê falou pensei que fosse a Vee.

— Então cê não vai falar com ele?

— Claro que vou! – Ela percebeu que estava a dar pala. – Quer dizer, pode ser. – Ela disse, indiferente.

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— Vô dispensar ele, então!

— Sai daí, peste, deixa que vô lá!

— Sabia que cê tava afim dele!

— Se não quiser morrer antes da hora, melhor esquecer que sabe falar!

— Tá menina bruta, pode nem mais brincar. – James saiu rindo.

Jennie apenas ignorou o comentário e foi pro portão.

— Olá!

— Oi, Jennie! – Ele exibiu um sorriso maior que o rosto.

— Cê tá fazendo aqui? – Jennie viu que ele parecia esconder algo atrás de si.

“Zoeira é um jeito leve de falar verdades que de outra forma a gente não consegue dizer.”

— Ah! Tava aqui por perto e resolvi dar uma passada pra te ver.

— Mas que cê tava fazendo por aqui? – Nem a curiosidade conseguiu esconder a felicidade.

— Vim comprar algo pra uma garota especial, aí.

— E ela gostou?

— Ainda não sei, mas espero que goste, trouxe do chocolate que ela gosta. – E tirou a mão das costas, revelando uma barra de chocolate branco com recheio de maracujá. – Acertei? – Ele sorriu mais.

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— Ah, valeu, mas não como mais essas coisas, tô fazendo academia e comecei uma reeducação alimentar. – Sem jeito, ela empurrou a barra com as mãos.

A parte de estar fazendo dieta era até verdade, só que ela não estava numa tão restritiva assim, além disso, no suporte de lixo, próximo ao portão, havia algumas embalagens da versão menor do chocolate saindo do saco ali depositado. Jennie até olhou desconfiada, mas pra sua sorte Simey não prestou atenção, se não teria visto o tamanho da mentira deslavada.

— Por isso cê tá ainda mais irresistível. – Ele piscou.

“Poxa! Ele não deixa passar uma sem meter veco?”

Eles acabaram passando o resto da tarde conversando, com o tempo a amizade ressurgiu e eles foram estreitando as relações, sábado sim, sábado não, ele aparecia e eles ficavam trocando ideia. Jennie gostou de ter feito as pazes e de passar tanto tempo conversando com Simey, o ruim era na hora de entrar, James enchia o saco até cansar, mas com o tempo acostumou – zoeira é um jeito leve de falar verdades que de outra forma a gente não consegue dizer.

De fato, estava indo tudo muito bem – obrigado – até aquele fatídico dia chegar.

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A conversa estava boa, como sempre Simey fazia graça e Jennie – boba que era – se acabava de rir e seguia fazendo o mesmo. Do nada, ele assumiu uma postura séria, curiosa ela quis saber o que houve – ele tinha mudado tão de repente que nem parecia o profissional da palhaçada de segundos atrás.

— Terminei com a Jeannie. – Ele estava sombrio.

— O que houve? Cê disse que gostava dela e que cês tavam bem. – Jennie ficou até preocupada.

— É que não consigo parar de pensar em você. – Ele pegou a mão dela.

— Peraê! Pensei que cê queria só minha amizade. Tudo bem que cê era fofo e atencioso demais, mas pensei que esse fosse seu jeito.

— Sempre vô atrás do que quero! Antes pensei amizade já bastava, mas só isso não é suficiente…

— Para aí, precisa nem terminar. Sabia que não era uma boa a gente ter amizade. Cê confundiu as coisas, melhor ir embora.

Simey pensou dizer algo, mas achou melhor partir, então deu um forte abraço nela e se foi. Quando Jennie o viu de costas, abraçou-se e conseguiu sentir a fragrância dele, espalhada pelo pescoço, braços e roupa – tipico de Simey, ele ia embora, mas o perfume ficava impregnado.

Após isso, ele não deu mais as caras e Jennie teve certeza que dessa vez o desaparecimento era definitivo – até bateu arrependimento – mas a distância a fez perceber que a constante necessidade de vê-lo não existia mais, tudo era apenas impulso pra conversar, daí depois disso acontecer conseguiu alinhar os sentimentos e viu que ele não tinha mais um peso tão significativo quanto imaginava.

— DIN-DON! – A campainha soou alta.

No dia do descanso, Jennie costumava não ter muita pressa, ainda mais depois de pegar pesado, na academia, no dia anterior, assim estava quebrada, então se arrastou pro portão.

Quando chegou lá não havia ninguém, ela esperou e nada, sem entender abriu o portão, olhou pra um lado e nada, então sentiu alguém tocar-lhe o ombro e levou maior susto, quando virou pro outro deu de cara com Simey rindo dela.

— Bobo! – Ela bateu nele. – Quer me matar do coração?

— Se você estiver falando que por minha causa ele tá batendo mais rápido, gostaria sim! – Ele piscou.

— Simey, pode parar!

— Tá bem…

— E por onde cê andou que sumiu?

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Como estava de férias, ele aproveitou pra participar da Game XP, no Parque Olímpico, além do local possuir uma bela vista – ele é praticamente cercado por água, de onde se pode ver o oceano Atlântico – ainda teve todas aquelas paradas de deixar qualquer geek de olho brilhando, como arcades, pinball, games de última geração, kart elétrico, laser tag, labirinto do Pac-Man, disputas de futebol, roda-gigante, drop equivalente a um prédio de 15 andares, parque jurássico com imersão de realidade aumentada e 4D, parede de escalada e teleférico que cruzava todo espaço, mas o que Simey mais gostou foi da montanha-russa com óculos de realidade aumentada, era como estar em outra dimensão.

Daí, como estava no Rio, aproveitou pra ficar mais uns dias e depois de visitar o Museu do Amanhã, gastou todo tempo curtindo as praias de lá. A mais bonita que visitou foi a “do Farol” – localizada na Ilha do Farol, em Arraial do Cabo.

Rodeada de dunas, morros cobertos de vegetação nativa, além de areia branquinha e água de um azul transparente, de onde deu pra ver de perto o fundo cheio de diversidade de vida, num mergulho livre – pena que só pode ficar uma hora lá, já que a ilha é controlada pela Marinha.

Ele descreveu tão bem as atrações e a praia, cheia de belezas naturais que Jennie se sentiu transportar pro lugar paradisíaco, mas antes do vento lhe tocar a pele, Simey interrompeu a narração.

“A beleza atrai os olhos, mas o que convence a ficar é o que a pessoa contém.”

— Sabe, enquanto tava na Praia do Farol, pensei bastante e vi que não consigo te ver só como amiga…

— De novo esse assunto? Desse jeito cê estraga o que a gente tem, daí nem amizade vai ter mais.

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— É difícil só jogar papo fora, quando quero te agarrar, abraçar e beijar até cê ficar sem fôlego. – Foi exatamente isso que aconteceu com Jennie ao imaginar a cena, ela até precisou se abanar.

— Simey… – Ela lhe segurou o braço. – …cê tem que entender que não te vejo mais desse jeito, o que sentia por você mudou.

Ouvir aquilo à queima-roupa foi algo que ele não esperava, Jennie andava maior simpática e quando se abraçavam era tão intenso, que interpretou os sinais como vestígios de interesse, acreditando que se insistisse ia conseguir – não apenas tê-la de volta – mas, até assumir namoro – algo que ele mais queria.

O tempo mostrou que ela tinha sido o maior amor de sua vida – isso porque nem tiveram nada concreto e, talvez esse tenha sido o ponto, desejar demais e não ter e, mesmo querendo, lutar contra sentimentos e desejos, mas quando a verdade se fez aparente, ante a luz emanada dela toda, como suor expelido pela pele, a resistência caiu-lhe aos pés e ele se viu sentimentalmente de quatro por Jennie.

O problema em todo esse drama – que só não era pior que mexicano, mas no melhor estilo oriental – é que como não soube esperar acabou arrumando namoro e, como fiel que era, resolveu guardar tudo no caixa do pretérito mais-que-perfeito, até descobrir que não era ali que ela se enquadrava, antes Jennie teimava em pular pra caixinha do pretérito imperfeito, rodando livremente pela cabeça, fazendo vibrar forte o coração cada vez que a imagem dela surgia entre os pensamentos.

— Então, não tem chance mesmo? – As palavras saíram com dificuldade.

— Desculpa, mas não! Tudo que sinto por você é bastante carinho, mas só.

— Acho que cê tava certa, mesmo, melhor a gente não se ver mais.

— Simey, não faz assim. – Ela disse ao vê-lo lhe dar às costas, sem se quer despedir-se, mas ele ignorou e continuou em frente.

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Jennie ficou apenas o olhando se afastar, alguns metros depois ele para e faz o caminho inverso, ela ficou toda feliz, mas disfarçou.

— Cê deve querer ficar com isso… – Simey pegou a mão dela e depositou algo.

— Minha correntinha? Não acredito! – Ela ficou tão feliz que deu maior abraço nele. – Pensei que cê tivesse jogado fora ela.

— Jamais! Guardei pra te devolver, mas com tantos desencontros, cabei esquecendo de te dar, daí quando voltei de viagem tava arrumando meu quarto e achei ela escondida no guarda-roupas, ela tava tão bem guardada que nem eu lembrava mais onde tinha colocado.

— Valeu mesmo! – Ela sorriu e lhe deu maior beijo.

— E o que isso significa? – A pergunta saiu assim que Simey recuperou o fôlego, mas sem ainda caber em si mesmo, tamanha felicidade.

— Só tirando dúvida!

— De quê? – Ele sorriu, levantando a sobrancelha.

— Da última vez que cê veio aqui e disse que estava a fim de mais que amizade isso mexeu com minha cabeça e comecei a duvidar se também queria o mesmo, mas agora tenho certeza.

— E seria?

— Quero só sua amizade mesmo!

— Espera! E se a gente tirar a prova dos nove? Esse não valeu, cê me pegou no susto! – Simey aproveitou pra chegar mais perto.

— Tá bom de teste, cê já pode ir! – Ela empurrou com as duas mãos o peito dele.

— Nunca imaginei que cê podia ser tão ruim, negando um beijinho pro seu melhor amigo aqui. – Ele choramingou, fazendo beicinho.

— Tchau, Simey! – Ela se aproximou do portão.

— Espera! Ganho nem um abraço? – Ele tinha os olhos pidões, feito só filhote consegue fazer.

— Vem cá! – Jennie estendeu-lhe os braços.

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Instantaneamente Simey foi atraído pra aquele abraço – o melhor que já tinha recebido. Eles nem pareciam querer se largar, mas quando Jennie foi se afastando ele aproveitou pra roubar um beijo, mas tudo que conseguiu, foi um selinho.

A beleza atrai os olhos, mas o que convence a ficar é o que a pessoa contém – por isso, mesmo após anos e desencontros, ele ainda desejava Jennie. Diferente das garotas lindas que ficou, a essência dela era ainda mais atraente que a beleza que enchia os olhos – toda aparência não passava de convite pro que ela tinha no coração e era isso que ele desejava descobrir, agora mais que nunca.

— Que abuso, garoto! – Jennie disse ao se afastar.

— Vai que cola! – Ela lançou um olhar mortal pra ele. – Muito cedo? Quem sabe, mais tarde? – Ele sorriu, sapeca.

— Quem sabe, nunca? – E Jennie fechou o portão, séria, mas quando encostou nele não conseguiu deixar de rir de tamanha ousadia enquanto a fragrância dele exalava da roupa tomando-lhe o olfato.

Já do lado de fora, Simey caminhava bem mais animado do que quando chegou, os passos estavam tão leves que saiu deslizando pelo asfalto, enquanto sentia-se inflar de esperança.


#proximoepisodio

E aqui tem fim a minissérie “O Fragrante” – ou não. Bom, pelo menos o que tinha pra ser contado, se contou, mas como as pessoas podem ser ainda mais instáveis e aleatórias que as próprias decisões que tomam, tudo é possível.

Falando em possibilidades, existe muito o que contar sobre os prazeres e os desafios de produzir essa série – exatamente por isso, a gente tem mais um encontro! O próximo episódio é um especial pra contar como tudo surgiu e falar sobre os bastidores da minissérie que estreou essa tag aqui no blog Inversível e que começou a ser escrita alguns anos atrás.

Ósculos e amplexes,

mishael mendes sign, assinatura

Mishael Mendes

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.
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