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Lourdes acordou se sentindo zonza e perdida, num lugar desconhecido, mas ela logo descobriu que a situação era ainda pior e ficou tão desesperada que acabou entrando em estado catatônico e teve de ser sedada.

Algumas horas mais tarde ela desperta e deseja ver o filho, mas antes precisou falar com o médico. Ainda sob efeito de calmante ela recebeu a triste notícia de que Cadu estava em coma.

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Após o olhar penetrante do marido, Lourdes ficou em silêncio, esquecendo até como é que respirava, o coração foi parando, enquanto a alma tentava sair pela boca, mas antes disso acontecer Marcos lhe tocou o braço, então ela inspirou fundo e o olhar perdido, em direção ao doutor, desanuviou – só que tudo foi tão rápido que só deu pra notá-la em choque, chegando até mesmo a empalidecer um pouco.

O médico explicou que devido ao estado em que Cadu chegou, foi necessário induzi-lo ao coma pra cirurgia ser realizada sem complicações. Lourdes se assustou, questionando o porquê daquilo, a lembrança que tinha do filho não encaixava num quadro desses.

Como desmaiou, ela não chegou a contemplar o real estado de Cadu, mas antes de se alterar, Marcos colocou a mão sobre a sua, entrelaçando-lhe os dedos e ela acalmou.

O doutor Pedro Gonzaga explicou que, devido à urgência, assim que Cadu chegou foi levado pra sala de operações, ficando algumas horas lá dentro. Foi aí que Lourdes se deu conta de que enquanto dormia, o filho estava na mesa de operações, e essa percepção despertou uma necessidade imensa de estar próxima dele.

Não foi fácil convencer uma mãe a aceitar que, mesmo com o filho estando mal, era preciso manter distância, ainda mais quando se esteve tão presente – Cadu tinha uma ótima relação com os pais, sendo Lourdes sua maior confidente – mas depois do médico insistir que o melhor seria retornar no dia seguinte, pois o garoto precisava de repouso, além de estar sob efeito sedativo, ela se deu por vencida e aceitou ir pra casa.

“Quando se descobre a causa das sensações mais profundas, que também é capaz de trazer paz e segurança, não há porque adiar a felicidade.”

Tudo aquilo tinha sido cansativo demais, o fim do efeito do ansiolítico, somando aos demais fatos, fez Lourdes se sentir completamente drenada, e tudo o que ela desejava era cair na cama.

— Querida, o Fábio avisou que a imprensa está em peso na frente de casa.

— Ai, amor! Estou fraca demais pra isso, podemos não voltar pra lá?

Marcos só conseguia descansar direito na própria casa, mas ao ver os olhos pidões da esposa, não teve como negar-lhe o pedido, então eles se hospedaram num hotel, perto dali.

A decisão deixou Lourdes mais tranquila, pois tudo que precisava naquele momento era de sossego, claro que o fato de estar a poucos metros do hospital também contou, pois facilitava pra ver o filho.

Bastou deitar, pro sono pegar os dois de jeito, Marcos se quer lembrou da dificuldade de dormir fora de casa, o cansaço foi tanto que ele teria dormido direto, mas acabou despertando, no meio da madrugada, com Lourdes sussurrando algo, cheio de vibrantes “esses”, então abriu os olhos e a viu de joelhos, encostada na cama.

— Pai, hoje entendi que não tenho controle sobre as coisas, na verdade, nunca tive, apenas pensava poder algo, mas tenho o governo de absolutamente nada, Tu é quem pode tudo. O Senhor sabe a importância de um filho e o que é querer seu bem acima de tudo [João 3.16], mas sei que podes fazer muito mais do que eu até consiga imaginar [Efésios 3.20], e que tuas intenções são sempre as melhores [Jeremias 29.11], por isso, cuida do meu Cadu, ele é importante demais pra gente, é nosso maior orgulho, nos permita, novamente, ver ele sorrir…

Isso foi tudo que Marcos pode ouvir antes de fechar os olhos, com o sono ainda pesando, bastou fazer isso pro som ir diluindo até ser tornar sussurro novamente, daí o silêncio dominou e ele foi inundado de conforto.

Sem dúvidas, ele teria dormido mais – talvez até ao ponto de perder o horário de entrar no serviço – mas antes das cinco, Lourdes o chamou. Eles nem tomaram café, apenas foram pro chuveiro, tirar o cansaço do dia anterior, já que não conseguiram fazer mais nada depois de encostar na cama.

“Há mais verdade num abraço do que palavras podem dizer.”

Daí seguiram pro hospital, mas tiveram que aguardar no corredor, pois foram notificados que antes precisavam falar com o médico. Isso deixou Lourdes desconfiada e perguntar se tinha acontecido algo com Cadu, mas a atendente disse que aquele era o procedimento padrão.

— Que procedimento, o quê!? Quero ver meu filho! – Ela se alterou, já começando a se desesperar.

— Peço desculpas, dona Lourdes! Apenas aguarde mais um pouco, o doutor já está chegando. – Alice, a atendente, foi tão gentil e pareceu mesmo sentir pesar por não os deixar entrar que Lourdes acalmou.

Só que cada minuto passado, sem o médico aparecer, aumentava o nível de ansiedade, deixando-a mais apreensiva. No instante que viu o doutor Pedro, ela correu em sua direção, atencioso, ele os conduziu até sua sala.

O médico costumava chegar sempre antes do horário de iniciar o plantão, pra poder relaxar um pouco, tomar um café e, só depois desse ritual, começar o trabalho, mas nesse dia a impressão que teve foi de ter se atrasado bastante.

Aflita, Lourdes quis saber o que tinha acontecido com Cadu, já que ainda não podiam vê-lo, como resposta o médico disse que o quadro dele tinha estabilizado, mais rápido até que o esperado, e que ele já não tinha nenhuma hemorragia, algo fora do comum considerando as condições em que chegou.

Ao ouvir o médico afirmar isso, Lourdes sorriu e disse que era um milagre – a vida de Cadu era uma sucessão de milagres e tinha sido assim até mesmo antes de seu nascimento.

Pedro assentiu com a cabeça, mas continuou sério, dado as ciências, acreditava que a natureza era regida por leis naturais inexoráveis, não pelo desejo de uma deidade ou alguém, mas por melhor neurocirurgião que fosse – além de contar com uma excelente equipe técnica e os melhores equipamentos – ainda existiam situações que lhe fugiam da dedicação e compreensão, levantando questões as quais, até o momento, não possuía respostas, como no caso de Cadu – durante toda cirurgia ele parecia ter sido assistido e guiado por uma força superior.

A feição do médico fez Lourdes notar certa dificuldade de acreditar em suas palavras, mas ela sabia, como ninguém, o quanto Cadu era um verdadeiro milagre.

Marcos e Lourdes começaram a namorar cedo, mas estavam tão apaixonados que bastou alguns meses pra decidirem casar. No dia marcado, ela sonhou que, com ajuda de um tridente, um ser maligno fazia vários buracos em seu coração, mas toda vez que isso acontecia, um anjo tampava as brechas com sangue.

Ela acordou impressionada com a vivacidade do sonho, porém, sem o compreender direito e devido aos preparativos, acabou por esquecê-lo. A cerimônia foi simples, já que tudo foi realizado as pressas, mas eles estavam tão felizes que aquele foi o melhor momento de suas vidas.

A festa – decoração, comes e bebes – foi realizada pelos familiares e amigos, que também deram os móveis e eletrodomésticos, seu José, o pai de Marcos, cedeu o quintal e ajudou a construir o cantinho deles. Já pra lua de mel o pastor – que realizou a cerimônia e amigo do casal – cedeu a casa em Ubatuba pra eles.

Os parentes e amigos eram só elogios pro casal tão perfeito – ambos eram jovens e se amavam demais. No começo a pressa no enlace causou apreensão, alguns chegaram a suspeitar de Lourdes estar grávida, mas o tempo mostrou que eles apenas tinha percebido, antes de todos, que um havia nascido pro outro – quando se descobre a causa das sensações mais profundas, que também é capaz de trazer paz e segurança, não há porque adiar a felicidade.

Marcos, tão atencioso, vivia enchendo a esposa de presentes, eles sempre viajavam, enfim, eram tão fofos que faziam tudo juntinhos. O que ninguém de fora sabia é que, quando sozinha, Lourdes sentia uma amargura que a levava aos prantos, boa parte das vezes Marcos estava lá pra aconchegá-la nos braços, mesmo que nada pudesse falar – há mais verdade num abraço do que palavras podem dizer.

Apesar de apegada a família, quando casou, Lourdes não considerava ter filhos nem tão cedo, até porque pretendia aproveitar primeiro a vida a dois, já Marcos tinha pressa em gerar uma prole.

Só que os meses passaram sem o empreendimento render frutos. A princípio, ela se sentiu aliviada, mas após várias tentativas sem sucesso, Lourdes ficou preocupada e resolveu passar no ginecologista.

Então veio a constatação de que um cisto, apesar de pequeno, a impedia de ter filhos naturalmente e que a opção seria fazer um tratamento pra tornar as condições mais propícias pra uma inseminação artificial, mas que, ainda assim, não era certeza do útero segurar toda gestação.

Mesmo nunca tendo ligado pra ter filhos, além de estar casada a pouco tempo, o fato dessa opção lhe ser tirada, a deixou arrasada, ainda mais porque o maior sonho de Marcos era ser pai – desejo esse que talvez ela não pudesse realizar. Isso a fez se sentir “defeituosa”, ainda que o esposo não tivesse lhe atribuído culpa ou feito qualquer julgamento, antes procurou tratá-la com ainda mais amor e carinho – sendo melhor que dez filhos.

Marcos ainda insistiu pra seguir a orientação do médico, mas ela recusava, alegando ter medo de não dar certo, ainda mais porque os custos eram elevados, nem dizendo que ambos ganhavam razoavelmente bem – além da reserva que vinham juntando – ela aceitava.

Foi quando ela participou de um retiro da igreja, nesse dia Lourdes se divertiu tanto que até esqueceu a tristeza que portava. No momento da oração, um homem simples e bem humilde se aproximou e disse que ela ia dar à luz a um garoto, de cabelo liso e escuro, daí se afastou e sumiu no meio da multidão.

Aquilo foi tão inesperado que ela apenas assentiu, ficando sem saber até o que sentir – ela não havia comentado como queria o cabelo do filho nem mesmo com Marcos, tinha dito apenas, em pensamento, pra D-s. Tão logo retornou, comunicou a decisão de fazer o tratamento, Marcos ficou tão feliz que a pegou nos braços e jogou ela pra cima.

Só que a cada nova tentativa, a previsão do médico se cumpria e ela acabava sofrendo aborto espontâneo, o que lhe causava uma dor terrível, como se parte dela fosse arrancada a força, ainda assim eles continuaram tentado.

Pra evitar ver a esposa sofrendo, Marcos sugeriu adotar uma criança, afinal, haviam tantas precisando de amor – algo que eles tinham de sobra – mas Lourdes se apegou tanto a ideia de ser mãe – também porque queria dar essa alegria ao esposo – que preferiu continuar.

Pouco depois, ela recebeu uma ótima proposta no serviço, como isso exigiria mais tempo e dedicação, optou por interromper o tratamento. Passado um tempo, Lourdes começou a sentir enjoos, os colegas disseram que ela estava grávida, mas como tinha parado o tratamento, nem feito inseminação artificial, ela desacreditou, só que eles insistiram tanto que ela acabou comprando um teste de farmácia.

Ainda que o resultado tenha dado positivo, ela preferiu passar no médico pra ver se aquilo não se tratava apenas de um engano. O médico ficou impressionado ao constatar a gravidez.

— E não é só isso! Você está na décima terceira semana de gestação. – Ele esclareceu.

Daí foi ela quem se espantou, pois três meses foi exatamente o tempo em que parou de fazer o tratamento e o casal comemorou o fato com uma noite especial – apesar da lógica correta, ela preferiu guardar esse fato apenas pra si mesma.

— Então já dá pra saber o sexo dele, doutor?

— Sim, Lourdes, é um garoto! – O médico sorriu, mostrando o ultrassom. – Você não percebeu nada antes?

— Não, só nas últimas semanas que senti uns enjoos.

O que mais deixou o doutor Alexandre boquiaberto é que os últimos exames mostravam que o cisto continuava no mesmo lugar, sem diminuir um milímetro se quer, o que tornava a gravidez de Lourdes improvável, mesmo assim ela seguia com uma gestação saudável.

Quando o maridão soube que esperavam um bebê, ainda por cima um garoto, mal coube em si de tanta felicidade, os familiares e amigos vibraram muito, todos sabiam o quanto aquela criança era desejada. Já Lourdes preferiu esperar um pouco mais pra se apropriar de toda aquela felicidade dentro de si e que só fazia aumentar.

Conforme os meses passaram, o pré-natal mostrou que, apesar do histórico, a gestação seguia saudável, ainda assim, Lourdes evitou se apegar ao bebê, ela temia fazer isso e acabar sofrendo outro aborto.

— Não precisa se preocupar. – O doutor Alexandre leu os pensamentos impressos no rosto dela. – Seu bebê tem coração forte. Um coração de Tiago!

No caminho de volta, Lourdes confessou à D-s a apreensão e ansiedade que vinha sentindo [1 Pedro 5.7], pedindo pra Ele lhe encher de amor [1 João 4.18], pois estava imensamente grata, assim, queria se alegrar pelo pequeno milagre sendo gerado dentro de si.

— Como gratidão, meu filho será seu!

Lourdes já estava na porta de casa, quando terminou a conversa, então começou a sentir o coração transbordar paz.

Assim que chegou, Marcos foi recebido por uma esposa radiante, então ela o puxou pra decidirem o nome do bebê, ouvir aquilo o deixou tão extasiado que ele até esqueceu a fome que lhe vinha devorando o estômago. Lourdes tinha decidido esperar pelo nascimento do bebê pra nomeá-lo, mas vê-la mudar de ideia encheu o marido de felicidade tal que ele esqueceu tudo mais, então os dois ficaram até de madrugada decidindo qual seria o nome do rebento.

Já era bem tarde quando chegaram a um consenso, o bebê se chamaria Carlos Eduardo Mendez, enquanto o primeiro nome demonstrava a força que ele tinha, significando “guerreiro”, o segundo, cujo significado era “protetor das riquezas”, acabou se evidenciando mais tarde, já que Cadu era dado as artes, guardando uma importante riqueza dentro de si – um talento único que o tornava ainda mais admirável.

Conforme se aproximavam as semanas do nascimento de Cadu, Alexandre Medeiros perguntou como ela preferia o parto, sem pestanejar, Lourdes disse que optava pela cesária. O médico falou que podiam ver, mas orientou que o melhor seria o parto normal, podendo escolher ainda entre parto natural, parto de lótus, parto domiciliar, parto na água ou parto de cócoras.

— É importante a gente planejar bem pra que não aconteça um parto desassistido. – Doutor Alexandre frisou.

Segundo ele, a recuperação duraria menos tempo, além do que, assim que o bebê nascesse já poderia ir pros braços dela e ser amamentado, além da criança ter menos chance de desenvolver problemas respiratórios, ainda ia adquirir importantes bactérias pro fortalecimento do sistema imunológico.

A gestação de Lourdes seguiu sem qualquer complicação, mas a idade gestacional acabou excedendo em duas semanas, como se Cadu não quisesse sair do lugar confortável e seguro que estava.

O único problema é que o parto, que estava previsto pra ser natural, teve que ser realizado por cesária, já que o bebê mudou pra uma posição que impedia o parto normal, mas o médico garantiu que ela teria um parto humanizado.

Ouvir aquilo foi um tremendo alívio pra Lourdes, ela tinha orado bastante pra dar à luz por cesária, como sua mãe havia tido vários filhos, todos naturalmente, ela viu o quanto isso podia ser doloroso e cansativo, portanto isso foi a melhor notícia que teve naquela manhã.

— Buáá! Buá! Buá! – Quando o som do choro do bebê tomou a sala de operações, o coração de Lourdes transbordou de amor, de uma maneira tão profunda a qual ela nunca imaginou ser possível sentir, enquanto experimentava uma intensa sensação de conexão indescritível.

Marcos, então, mal conseguia filmar o parto sem tremer, tamanha era a felicidade – ainda bem que a câmera tinha estabilização de imagem. Ao ver o marido chorar, ela teve certeza do quanto eles estavam conectados a ponto dela saber que ambos compartilhavam do mesmo sentimento naquele momento.

Se tudo foi incrível, se tornou ainda mais sublime quando pode pegar o filho nos braços, então ela sentiu que havia um propósito maior pra própria existência, algo que transbordou num ser tão pequeno e indefeso.

Cadu foi crescendo, com tinha uma saúde frágil, acabou desenvolvendo bronquite, ele constantemente ficava doente. Por conta disso, Lourdes achou por bem sair do serviço – o que não foi fácil conseguir, já que era um excelente profissional – mas como disso dependia a higidez do filho, ela não pensou nem meia vez.

Nem assim Cadu melhorou e parecia cada vez mais debilitado, pra piorar, ainda pegou pneumonia. Na segunda vez, precisou ficar de observação por algumas horas – pra Cadu, segundo o tempo de criança, aquilo durou dias – ele chorou muito, reclamando de dor nas costas e no pescoço, resultados por ter ficado numa mesma posição.

Quando chegou do hospital, Lourdes encontrou o pai, Sebastião, esperando-a, assim que bateu os olhos no garoto, magrelo e pálido, ela disse que o neto não ia se criar.

— Esse menino só vive doente e dessa vez está ainda pior.

O aviso serviu de alerta e quando o pai saiu, ela dobrou os joelhos e, falando face a face com D-s, suplicou pela cura do filho e, caso isso acontecesse, enquanto vivesse, iria pagar com louvor [Salmos 150.6].

Cadu se curou, como resultado, cresceu ouvindo a mãe cantarolando pela casa [Eclesiastes 5.4] e mesmo antes de entender o motivo, toda vez que a ouvia cantar sentia paz. Isso, somado a capacidade incrível da mãe contar histórias – dando vida própria aos personagens – fez com que sua veia artística sobressaltasse.

Sem trabalho, Lourdes acabou se reunindo mais vezes com as amigas e irmãs da igreja, onde seus doces e salgados faziam maior sucesso, foi quando perguntaram quanto ela cobrava pra fazer um bolo e algumas guloseimas pra um aniversário, a partir daí ela começou a cozinhar pra fora e não parou mais.

Entretanto, Cadu esteve a beira da morte outras vezes, ele pegou escarlatina tão forte a ponto da pele das mãos e dos pés cair, chegou a se afogar da primeira vez que foi na praia com os amigos, mas foi resgatado a tempo, foi atropelado de forma que ficou debaixo do carro e saiu ileso, fora as diversas quedas e cortes, resultantes de sua inquietação, mas sempre escapou dos maiores perigos – um verdadeiro milagre.

— O Cadu já está mesmo melhor? – Lourdes quis saber, encerrando o flashback.

Apesar do médico assentir, ela sentiu que ele escondia algo, mas precisou insistir até ele contar tudo.

— O Cadu está realmente bem agora, mas é provável que fique tetraplégico.

Além da violência que atingiu Cadu, o carro ainda passou por cima dele após ser lançado no chão, o trauma causou diversas fraturas nos ossos e lesões que atingiram a medula espinhal, no nível da coluna cervical, prejudicaram a comunicação do sistema nervoso com os membros, por esse motivo foi necessário induzi-lo ao coma, já que ele estava todo quebrado e com hemorragia interna.

— Há uma grande chance dele perder os movimentos, mas não se preocupe, pois temos os melhores especialistas pra ajudar na completa reabilitação dele.

— Não acredito que você mentiu pra mim, Antônio Marcos Mendez! – Lourdes berrou, já vermelha.

Tão desapontada ela estava com o marido, que escondeu o quanto o estado de Cadu era crítico, que nem chegou a ouvir a última fala do médico.


#proximoepisodio

Uma crise parece prestes a despontar no casamento perfeito de Marcos e Lourdes – a primeira depois de muitos anos de casados, mas também ele nunca deu motivos pra isso. Talvez Lourdes até tivesse suportado traição, mas mentir sobre o verdadeiro estado do filho, aí já era demais.

Após tanta enrolação e ter de ouvir coisas assustadoras sobre a condição do filho, ela consegue ver Cadu, mas a visão que tem a deixa estarrecida e mesmo com o coração pesado se vê obrigada a ter de encarar a mídia.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

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