#episodioanterior

Algumas fotos diferentes, somadas a muita zoeira, fizeram Jean se dar conta de algo que até então só ele não tinha percebido – pelo jeito ele era mesmo o último a saber das coisas, ainda mais porque teimava em não ver o que tava bem diante do nariz. Aí, fica difícil, parcinha!

Ao perceber os sentimentos por Kylie, ele parte pra conquista, mas vai ver que isso pode ser bem complexo e que a inteligência não serve de muita coisa, ainda mais quando se tem experiência praticamente zero com paquera.

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— Há, tá pegando a Kylie mesmo, hein, pai? – Earvin abraçou Jean com maior sorrisão.

— Meu, cês são tudo mala mesmo! Culpa do Allan que começou com graça.

— Ah, pode parar! A geral viu que cê paga maior madeirinha pra ela.

— Como assim!?

— Cê dá pala demais!

— Mesmo? – Jean ergueu a sobrancelha enquanto tentava recordar se isso procedia.

— E não!? – Earvin apertou o ombro do amigo. – Vai, assume logo, pai.

— Pode ser…

— Pode ser, nada! É mesmo!

— Tá bom! Tô xônado por ela, mas acho que vai rolar não.

— Como, não?

— Ah! Sei lá… acho que ela me curte não?

— Quando cês conversa, ela olha nos seus olhos e sorri bastante?

— Sim.

— Cê já percebeu se ela te toca ou até imita o que cê tá fazendo, tipo mexer no cabelo, depois de cê fazer isso?

— Sabe que nunca reparei? Ela me toca bastante, mas esse é o jeito dela mesmo.

— Com a gente ela não é assim. – Earvin soltou, como quem não quer nada.

— Hum… – O comentário o deixou pensativo.

“Paquera é sobre descobrir coisas em comum, é compartilhar e construir conhecimento.”

— Ela te elogia?

— Até que sim… – Ele ficou meio inseguro.

— E ela sempre pede sua ajuda que tô ligado.

— Isso é! – Jean concordou balançando a cabeça.

— Então ela tá muito a fim de você, pai!

— Ainda acho deve ser só simpatia mesmo.

— Jean, como cê é lerdo! Ela já deu vários sinais que tá a fim!

— Será mesmo?

— Como não!?

— É que a gente tá conversando de boas, daí do nada ela perde o interesse.

— Explica melhor isso aí.

— Outro dia tava dizendo como fazer foto legal com o iPhone, daí ela mudou de assunto e me deixou falando só, aconteceu o mesmo quando falei como o Mi Note é phoda e…

Jean tava meio desconcertado, mas foi falando, só que não conseguiu terminar, do nada o amigo começou a rir.

— Poxa, tô falando maior papo sério e cê fica rachando a bolacha? Tô sendo avacalhado grandão!

— Foi mal! – Earvin não conseguiu evitar rir mais com a indignação do amigo. – Já sei o que tá pegando.

— Que é, então? – Jean perguntou mais pro amigo parar de rir, do que por interesse.

— Jean, para de ser nerd!

— Oi? – A sobrancelha levantada ajudou a reforçar o nível de não-entendimento.

— Sei que cê se empolga quando tá falando, mas precisa parar de ser emocionado.

— É que tava tentando impressionar a Kylie.

— Justamente isso que tá afastando ela.

— Mas ela é toda descolada no Insta, tem vários seguidores, celular de última geração e é mó inteligente. Pai, maior 10/10 ela! – Jean expirou, como se tivesse conseguido soltar algo que tava preso a tempos na gargante.

— Entendo que uma mina do naipe da Kylie é meio intimidador, mas se exibir não funciona com ela.

— É que… sei, lá! – Ele ficou tão sem graça que té baixou o olhar. – Ela é incrível demais!

— Cê também é pai! Mas tem que fazer isso sem se gabar!

“O processo da paquera flui quando a gente não tá tentando agradar, afinal, a conquista é parte de quem somos, não surge apenas num momento de conveniência.”

— É que na hora fico maior nervoso e começo a falar demais.

— Entendo, mas cê precisa relaxar! Paquera é sobre descobrir coisas em comum, é compartilhar e construir conhecimento.

Ao ouvir isso, Jean viu o amigo com outros olhos – como maior especialista na arte da paquera.

Earvin disse pra puxar assunto, sem falar demais, deixando Kylie contribuir com informações, sendo atencioso quando ela conversar, usar o olhar 43 quando e sorrir quando a visse, além de ser carinhoso, fazer cafuné, abraçar com vontade e colocar a mão na cintura dela quando tivesse oportunidade, daí era só convidar pra sair.

— Garotas adoram ir pra um lugar legal e boa companhia! – Ele piscou, sugestivo.

Jean foi fazendo nota mental de tudo pra não esquecer, aquilo era muita informação de uma só vez.

— Pra fechar, cê devia falar que curte ela!

— E se… – Jean se assustou. Ele não esperava uma dessas, assim, do nada.

— Para de medo, pai!

— Pode ser por mensagem?

— Cê é doido!? Isso só pessoalmente, olhando nos olhos.

— E quando faço isso?

— Cê vai saber o momento certo.

— Valeu, pai, ajudou pakas! – Jean bateu na mão do amigo e com o outro braço ao abraçou.

Apressado, pra botar em prática as dicas do amigo e ver no que ia dar, Jean nem esperou chegar em casa, foi logo enviando direct pra Kylie no coletivo mesmo.

— Sei que a modelo ajuda bastante, mas como cê consegue ter um feed tumblr assim? – Ele puxou assunto.

— Bobo! Sempre planejo as fotos antes de postar. – Ela sorriu.

— Como faz? – Ele ficou interessado.

— Uso o UNUM, pra ver como vai ficar, aí consigo deixar tudo combinando. Ele tem pra Adroid, também.

— Há! Como já sei os apps que cê usa pra edição vô ficar famosinho que nem você! – Ele provocou.

— É mesmo? – Ela achou graça

— Pega eu!

— A gente pode tentar. – Ela mandou o emoji de olhos semicerrados e risos. – Mas não tem só aqueles!

— Olha só, tava escondendo o jogo, então? Diz aí!

— Tem ainda o VSCO, que tem uns filtros ótimos e edições avançadas, uso ainda A Color Story os filtros desse dão mais cor e brilho, sem falar que dá pra salvar eles.

— Certo, o VSCO e A Color Story achei aqui, tô baixando já.

“Não se trata de você poder ou não, fazer algo, mas o quanto você está disposto a conseguir aquilo, tudo é uma questão de persistência, não de capacidade ou competência.”

— Também gosto muito do Polarr que tem bastante opção profissa e quando quero fazer umas edições nível Photoshop, aí escolho o Snapseed que tem várias ferramentas.

— Ah! O Snapseed também já usei, dá hora mesmo! Agora o Polarr vô ter que usar pra saber como é.

— Certeza que cê vai curtir!

— Então esses os apps pra ter um feed tumblr?

— Su memo! Uma das coisas que mais chama atenção, nas fotos, é a edição.

— Sim! Ela que dá vida pras fotos!

— Disse tudo! Agora pra ficar famosinho tem mais umas coisas, como usar o mesmo filtro ou manter uma identidade nas fotos, daí o próprio Insta começa a recomendar o perfil pra outras pessoas seguir. Usar hashtag ajuda pakas.

— Tô ligado, mas maior preguiça escrever hashtag toda vez.

— Só usar app! Pra isso prefiro o Top Tags, o legal dele é que mostra hashtags por categoria e as mais usadas, mas dá pra personalizar, aí salvo vô salvando as que mais uso.

— Que zika! Aqui achei o in Tags, mas dá pra fazer tudo que cê falou. E como cê faz aqueles Stories phoda?

— Háaaa… segredo!

— Poxa! Vai contar não!?

— Claro que sim, bobo! – Ela riu. – Uso o Unfold, pra colocar texto ou fazer colagens, numa pegada minimalista.

— Curti! E aqueles vídeos phoda meio antigo ou distorcido, cê usa Unfold pra isso?

— Pros vídeos, uso o InShot e Biu, os dois tem efeitos da hora, daí o que não tem num, pego no outro.

— Phoda mesmo o InShot, tô instalando já aqui, mas o Biu não achei.

— Procura como Noizz, é que eles trocaram de nome na App Store, mas é o mesmo app.

“A ideia de que garota é sexo frágil, não passa de imposição do machismo pra condicionar mulheres ao domínio subserviente dos homens.”

— Poxa! Valeu pelas dicas, agora vô ficar estorado.

— Cê já é uma graça e tem um ótimo olhar pra fotografia, falta só trabalhar mais seu feed.

— Ah… valeu! – Ele ficou sem graça. – Achei um app que cê vai gostar! – Sem jeito, ele desconversou.

— Sério? – Ela demonstrou interesse. – Qual é?

— O Foodie, pra você que adora comida cê vai curtir ele! – Ele riu.

— Poxa, Jean, que fofo! – Ela enviou emoji com olho de coração. – Amei o Foodie! Os filtros dele deixam os pratos mas bonitos, já vô recomendar no Stories.

A reação o pegou de surpresa, afinal, ele não tava vecando, só queria fazer graça mesmo.

“Não é que o Earvin tinha razão? Aquele moleque é pesado!” – Jean percebeu que o processo da paquera flui quando a gente não tá tentando agradar, afinal, a conquista é parte de quem somos, não surge apenas num momento de conveniência.

— Já que tâmo falando vídeos e tals, bora pegar um cine? – Ele aproveitou que tava com moral pra propor.

— Adoraria! Faz tempo que tô querendo ir, mas como as coisas corridas nem consegui.

Jean ficou com medo de atrapalhar, mas Kylie insistiu que ele ia fazer maior favor, já que precisava distrair a mente – ele só conseguiu esconder a felicidade porque tavam conversando por direct, se não ia dar mais pala que tudo – mas ela disse que só fechava se pudesse escolher o filme – é claro que ele concordou. Então ficou combinado de irem no dia seguinte, por volta das oito.

— Melhor coisa foi ter falado com o Ervin! – Jean tava nem acreditando que tinha date marcado com Kylie.

Ainda bem que ele apelou pro amigo, bom nessas coisas de conquista, pois a experiência dele era quase nula.

Seguindo os conselhos do amigo, Jean viu que ter uma conversa legal e chamar pra sair era bem mais fácil do que parecia – ele se deu conta de que não se trata de você poder ou não, fazer algo, mas o quanto você está disposto a conseguir aquilo, tudo é uma questão de persistência, não de capacidade ou competência.

Na hora do date, Jean era a empolgação encarnada, só ficou surpreso com a escolha de Kylie, que optou pelo Coringa. Ele ainda não tinha visto, mas tava mó galera criticando, dizendo ser filme de psicopata – algo que nem de longe tinha a ver com a aparência frágil e delicada dela.

Bem, se ele não curtiu muito a escolha, pelo menos guardou isso pra si mesmo – e acertou, se não ia levar maior esporro, pra Kylie a ideia de que garota é sexo frágil, não passava de imposição do machismo pra condicionar mulheres ao domínio subserviente dos homens.

Se ele achou ruim a escolha, o resultado se mostrou ainda pior, mas não pelos motivos que ele imaginava, é que o filme tinha uma história tão intrincada que eles não conseguiram fazer outra coisa a não ser prestar bastante atenção – daí que rolou foi nada mesmo.

Como não conseguiu dar nem um selinho, Jean não teve outra opção a não ser convidá-la novamente – algo terrivelmente ruim, só que não! O que levou um tempo, os trabalhos, estudos e compromissos também não ajudavam, mas bastou um pouquinho de boa vontade e conseguiram ir na semana anterior das provas.

Só que dessa vez ele foi mais estratégico e pra ter certeza que o beijo ia rolar, resolveu escolher o filme. Kylie só ficou sabendo quando viu o ingresso.

— “A Hora do Pesadelo”? – Ela gritou, fazendo as pessoas olhar na direção deles.

“Bom! Parece que acertei mesmo!” – Ele se parabenizou.

— Cê é um fofo mesmo! Como sabia que eu tava querendo assistir ele?

— Ah… é! – Ele ficou sem jeito. – Depois da última seção, achei que cê ia gostar de pegar um clássico do terror.

— Cê acertou mesmo! – Ela bateu palminhas de felicidade.

Jean ficou decepcionado com si mesmo, então Kylie o arrastou pelo braço.

— Bora! Já vai começar! – Ela era pura empolgação.

Eles seguiram pro fundo, Jean tinha escolhido os melhores lugares, na mão tinha aquela pipoquinha marota – a desculpa perfeita pra pegar na mão de Kyle – além de estar munido de drops, tinha té treinado com laranja, mas cabô errando no filme – mas também como ele ia adivinhar que ela curtia terror?

Como o plano de ficar com Kylie ia molhar de novo, Jean desencanou e resolveu curtir o filme. Tão concentrado tava, que nem olhou pro lado ao passar a pipoca, então o balde caiu no chão.

Sem entender, ele olhou pra crush, só se deu conta que ela tava assustada, e num ponto de terror tão grande a ponto de estar congelada de medo – por isso não conseguir pegar o balde.

Catando a pipoca do chão, Jean viu que o momento tão esperado tinha chegado – é aqui que começa tocar o Aleluia de Handel, afinal, aquilo tava realmente acontecendo, mesmo quando tudo parecia ter miado.

Ele começou se espreguiçando, como quem não quer nada, daí botou o braço no ombro dela, bastou a puxar um pouco pra Kylie ser atraída pro lado dele. Ao acariciar o braço dela o sentiu estar gelado, além dos pelos eriçados.

Quando deu por si, Kylie se escondia em seu braço, a cabeça no peito dele buscava proteção – isso aí, garoto, parece que dessa vez cê acertou, isso porque o filme é de 1984, imagina se tivesse superprodução atual e fosse em 3D?

Aos poucos o corpo de Kylie foi aquecendo e ela começou a corar, daí que Jean se aproximou do rosto dela, quando ela ergueu os olhos seus lábios estavam a distância de um sopro, prestes a se tocar, sem desgrudar o olhar, ela apenas sorriu, sem oferecer a menor resistência.


#proximoepisodio

Meio clichê essa coisa de acabar episódio na parte mais esperada, né não?! Mas se não for assim fica difícil cê continuar lendo – seja sincero, cê ia voltar se não tivesse tão curioso pra saber o que realmente aconteceu?

É, parece que Jean finalmente ia se dar muito bem e meter maior beijaço – mals aí, mas só ficou nisso mesmo! Só que ele vai descobrir como um beijo não dado teve o poder de transformar aquela noite cinzenta na melhor de todas, mas um temporal e uma lembrança esquecida, acabaram cortando o clima total.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

Mishael Mendes

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.