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Articulário: Apagando reflexos com a sua luz - .inversivel
Articulário: Apagando reflexos com a sua luz
Amir Geshani/ Unsplash

Apagando reflexos com a sua luz

“Quem reflete a vida alheia, certamente, desconhece o próprio brilho.”

Mishael Mendes [Mateus 5.14-16]

Ditando moda

Como a religião, a ciência – desde suas correntes filosóficas até a mecânica quântica – já foi importante pra nos dizer no que acreditar ou como fazer isso, assim como a sociedade com suas normas de conduta sugeria quais atitudes ter, e como nos comportar. Porém, essas influências agora são propostas pela mídia que, ao influenciar nossos pensamentos, diz no que acreditar e como reagir. Somando isso ao poder dos influencers que ditam tendências e estilo de vida, que instigam tanto pro bem quanto pro mal com seus exemplos – motivo pelo qual devemos ter cuidado com as referências que seguimos, como vimos por aqui – e cuja influência sobre o consumo causa até mais impacto que celebridades.

Em meio a tanto faça, compre, seja – e uma lista maior de ordens que Pitty descreve em “Admirável chip novo” – a gente pode acabar levado pela maré que nos torna uma peça substituível de uma sociedade consumista, como critica Charlie Chaplin em “Tempos Modernos” (“Modern Times”, de 1936). Assim nos pegamos com atitudes e preferências que podem não refletir quem somos.

Quem é você?

Após chegar num lugar estranho e passar por transformações inesperadas, Alice é questionada sobre quem era, e isso a deixa confusa, porque quando acordou pela manhã era algo, mas após passar tantas mudanças acabou perdendo a própria referência. A ironia nisso é que quem lhe faz a pergunta é justo um inseto cujo corpo sofre mutação total ao se transformar em borboleta; a garota até aponta isso, mas evoluída que era, a lagarta ignora o fato e insiste na pergunta, deixando Alice desconcertada.

Em “Memoirs of Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds” (em livre pt-BR: “Memórias de extraordinários delírios populares e a loucura das multidões”, de 1841), Charles Mackay registra algumas manias populares, entre elas a de perguntar “Quem é você?” (“Who are you”), dando ênfase na primeira e última palavra. Bastava alguém dizê-la pra atrair atenção da geral, e se a pessoa não soubesse o que dizer ou estivesse por fora, o riso era certo. Além de engraçado, o meme derrubava a moral de pessoas autoritárias e mostrava a presunção de outras. Surgindo como um cogumelo – o local onde Alice encontrou a lagarta – como Mackay definiu, a mania alastrou e Caroll utilizou a brincadeira em “Alice no País das Maravilhas” (“Alice’s Adventures in Wonderland“, de 1865) lhe dando profundidade ao mostrar que na real não importa saber quem o outro é, mas quem somos nós. Entretanto, com constantes mudanças sofridas, a gente sabe quem realmente é?

Não existe sentido na vida

A insatisfação da humanidade consigo mesma levou ao niilismo, doutrina filosófica impregnada de um pessimismo extremo e ceticismo radical, que prega que o mundo não tem sentido ou propósito e a própria existência é vazia de significado. Suas raízes surgiram da visão pessimista de Nietzsche sobre a vida, a partir de 1872, onde alertava pra maior crise da humanidade, e cujas teorias foram popularizadas pelo existencialismo nas décadas de 1940 e 1950.

O primeiro a abordar o pessimismo humano foi Salomão que, por volta de 930 a.C., escreveu “nada faz sentido, nada faz o menor sentido” [Eclesiastes 1.2] e que todo nosso esforço e enfado trazem dor, tristeza e atrapalham o sono [Eclesiastes 2.22-23]. Por volta de 470 a.C., Empédocles, o primeiro filósofo pessimista, disse: “a vida dos mortais é algo tão mesquinho que é quase uma não-vida”. Mas ninguém ganha de Hegésias de Cirene que mesmo em meio a ferveção dos prazeres hedonistas, por volta de 270 a.C., tomado de um negativismo profundo, começou a pregar que “a felicidade completa não pode existir”, o melhor era escolher a morte, assim, levou muitos jovens ao suicídio – embora não tenha feito o mesmo. Já William Shakespeare em “Macbeth” (“Macbeth“, de 1605) – talvez pela obra fazer parte de sua fase de maturidade – declarou: “a vida não passa de sombra errante, de um pobre ator a exibir e sofrer seu ato no palco que depois não é mais ouvido. É história contada por um idiota, cheia de som, e fúria e vazia de significado”.

Deus não joga dados

Sartre, o principal representante do existencialismo, acreditava que o nada revela cada indivíduo como um ser isolado, “jogado” num universo alienígena e sem resposta, mas pra Einstein “Deus não joga dados com o universo”, ou seja, existe uma ordem que rege todas as coisas, nada surge a partir do acaso e sem qualquer propósito. Embora Einstein tenha concordado mais tarde que “Deus joga dados incansavelmente sob leis que ele mesmo prescreveu”, sua fala se referia a física quântica, que possui regras ainda desconhecidas pela ciência.

Antes mesmo do existencialismo pocar na França, a percepção da grandeza do universo fez H. P. Lovecraft enxergar a humanidade de forma pessimista através do cosmicismo – o terror cósmico – sob a influência decadentista, pra quem a falta de propósito cósmico era esmagadora. Assim, seríamos todos sobras do Big Bang jogados num estranho universo e sem qualquer resposta somos obrigados a dar sentido a nossa existência; que esvazia a vida de significado e leva a uma visão pessimista.

Ser ou existir, eis a questão

Em “O existencialismo é um humanismo” (“L’Existentialisme est un Humanisme, Les Éditions Nagel“, de 1946), Sartre afirme que o homem não é uma criação, mas o resultado de algo que surge no mundo e a partir daí cada um atribui sentido a sua existência, assim, “a existência precede a essência”, porque “primeiro o homem existe, se encontra, surge no mundo, e se define em seguida”. Porém, a própria raiz da palavra deixa claro que essência é aquilo que compõe o ser, com os componentes primários e fundamentais inscritos previamente, tornando a vida possível – como um código genético espiritual.

Vindo do latim essentia, “central, básico, natureza, qualidade fundamental”, essência possui relação com o verbo esse, “ser, estar”, que veio do grego ousia, “essência, substância, ser, propriedade, natureza, realidade, existência, vida, fortuna, propriedade, bens, riqueza”. E provém da raiz indo-europeia *es-, “por ser”, seguido pelo sufixo composto -ntĭa, como elemento de qualidade. Ela está contida nas palavras latinas: presença (praesentia), onipresença (omnipraesentia), presente (praesens), substância (substantia), ausência (absentia) e em essencial (essentiālis).

Somos poeira

Segundo Aristóteles, essência é o conjunto de qualidades e atributos que caracterizam o ser. Em “Metafísica” (“Metà ta physikà”, de IV a.C.), ele diz “se o universo é considerado um conjunto de partes, a essência é a primeira delas, se como uma sucessão, então a essência tem o primeiro lugar, pois a partir dela vem a qualidade, em seguida, a quantidade”. Essa preexistência que soprou a vida em nós [Gênesis 2.7] também pode ser encontrada na matéria a qual somos formados. Não apenas somos um universo particular em nossas complexidades: temos o universo em nós.

Um primeiro vislumbre do cosmo – cuja vastidão não consegue ser medida ou expressa – pode levar a considerar o tamanho de nossa insignificância, porém, também fazemos parte da grandeza, “somos todos poeira de estrelas”. Embora a frase tenha ficado conhecida através do astrônomo Carl Sagan, após ser dita na série científica da PBS: “Cosmos – A Personal Voyage” (em livre pt-BR: “Cosmo – Uma viagem pessoal”), de 1980, como citação de seu livro “The Cosmic Connection – An Extraterrestrial Perspective” (em livre pt-BR: “A Conexão Cósmica – Uma Perspectiva Extraterrestre”, de 1973). Surgiu com Albert Durrant Watson, ex-presidente da Sociedade Astronômica Real do Canadá, durante o discurso anual de 1918, onde disse: “nossos corpos são feitos de matéria estelar” – descoberta essa feita pelo protagonista do conto “Retravo – Quando o escuro deu à luz“, após renascer das trevas.

Barro estelar

Após observar mais de 1500 estrelas, os astrônomos do Sloan Digital Sky Survey (SDSS), através do Observatório Apache Point, no estado norte-americano do Novo México, confirmaram o que Watson profetizou: tanto nós quanto os astros, possuímos 97% dos mesmos átomos. Sendo que os elementos essenciais pra vida – hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre – provém de estrelas que surgiram após o Big Bang e das explosões de supernovas há bilhões de anos, que se espalharam preenchendo o universo de elementos que compõem os planetas e o corpo humano.

Assim, somos constituídos de estrelas, não apenas num nível quântico, mas por elementos que foram e continuam sendo gerados por pressões gigantescas no coração dos astros, que se tornaram parte de nós. Dez por cento de nosso peso médio é composto por hidrogênio, o resto por elementos mais pesados que o hélio, produzidos nas estrelas. E a descoberta de moléculas orgânicas no meio interestelar, e de gelo e carbono em cometas e astros, confirmam que foram as estrelas as responsáveis por produzir a matéria-prima do ar e da vida que nos cerca. Assim, não apenas o barro que nos formou possui estrelas, também andamos entre astros.

Milagre debaixo da terra

Quando Tiago disse que nossa vida não passa de um vapor que aparece por um pouco e depois dissipa [Tiago 4.14], bem como Pedro, que somos como a grama e nossa beleza como as flores do campo que secam e murcham [1 Pedro 1.24], ambos se referiam a nossa mortalidade, afinal, esperar apenas nessa vida nos torna miseráveis [1 Coríntios 15.19]. Existe mais pra vida que os olhos enxergam [Hebreus 11.3], como lembra Gustavo Paiva “o céu não é o nosso destino, o céu é a nossa origem” de onde também vem nossa cidadania e esperança [Filipenses 3.20].

Em “Mistério”, Tiago Arrais poetizou que a vida é mistério a abrigar o milagre da vida, como uma semente plantada, a qual não podemos ver – nem saber onde vai dar [João 3.8] – mas que soprava desde o início do mundo [Gênesis 1.2]. Assim, somos mais que “a soma de todos os altos e baixos“, mesmo que muitas vezes os conflitos e inseguranças pelo medo de rejeição e a vergonha nos puxe pra diferentes direções e questione nossa identidade – algo destacado pelo poema “A beleza que de você emana” – nossos mundos escondidos abrigam mais que confusão e deficiências.

Brilhando como a luz

É inegável que o maravilhamento do universo pontilhado de estrelas, ou a força do trovão, nos leve a questionar quem é o mortal pra que D-s o visite ou dele se lembre [Salmos 8.4]. Diferentemente do que se propaga, não somos resultados de um sonho, já que D-s não dorme [Salmos 121.2-4]. Somos ondas lançadas no oceano que se tornam vapor no vento, mas mesmo sendo pó e barro do chão, em nossa irrelevância reside a importância de sermos criados a imagem de D-s [Gênesis 1.26-27]. Feitos pouco menor que os anjos – ou que D-s, conforme a versão original – coroados de glória e honra com a grandeza a habitar em nós [Salmos 8.5].

Conforme destaquei em “O Segredo das Eras – Despertar“, a Teoria da Relatividade ensina que matéria é energia condensada e luz é energia liberada, assim, somos realmente luz, por isso não necessitamos refletir ninguém. Somos vasos de barro [2 Coríntios 4.7] a carregar a eternidade [Eclesiastes 3.11] e devemos nos erguer pra resplandecer [Isaías 60.1] esse tesouro em nós. Que a gente faça como a cantiga infantil “Minha pequenina luz” (“This Little Light of Mine”), escrita por Harry Dixon Loes, em 1920: deixemos nossa luz brilhar, mesmo sendo ela pequena porque o seu tamanho é o suficiente pra iluminar a escuridão ao nosso redor.

Artigo publicado originalmente no LinkedIn, também está disponível no Medium.


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Mishael Mendes Assinatura
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