folder Arquivado em Articulário
Como ficar conhecido sem precisar apelar
Nossas palavras usam a medida da percepção, logo podem acabar se mostrando incoerentes, além de nos tornar insensatos
Por Mishael Mendes access_time 9 min. de leitura

“Deixe-se conhecer não pelas palavras proferidas pela boca, mas pelas ações de suas mãos.”

Mishael Mendes [2 Timóteo 4.7]

O encanto da exposição

“Você deve escolher as palavras que desencadeiam os significados que quer estabelecer”, é o que alerta de Al Ries e Jack Trout, em “Posicionamento: A batalha por sua mente” (“Positioning: The Battle for Your Mind“, de 1981). De modo inconsciente é o que temos feito na web, afinal, cada palavra importa, define e dá forma ao que enxergamos de nós mesmos.

E quem não gosta de compartilhar sobre si e seus feitos? Falar de nossos gostos e preferências, justifica nossa existência e enumera nosso valor humano; ainda mais diante de uma audiência interessada que faz nossa autoestima se elevar.

Se vira nos trinta

Na  década de 1960, enquanto revolucionava a arte, Andy Warhol comentou a vulgaridade da fama, ao dizer que “no futuro, todos terão seus 15 minutos de fama”. Algo que se refletiu na duração máxima dos vídeos enviado quando o YouTube surgiu, em 2005. 

Baseada nas celebridades instantâneas que começaram a surgir com os talent shows – como a versão tupiniquim show de calouros – a previsão de Warhol ganhou forma com os reality shows sendo ampliada pelo surgimento das redes sociais que transformou indivíduos comuns em influencers.

Contudo, essa conexão constante que facilitou localizar alguém a qualquer momento, além da criação de registros públicos a um clique, nos forçou a formas mais criativas e interessantes de nos expor – ainda mais com a diversidade de perfis chamativos.

Quem não se destaca, não leva

Tantas vozes querendo ser ouvidas nos leva a dar mais atenção a autopromoção, só assim é possível manter a relevância de nossa  identidade online –obrigando a gente a se vender o tempo todo. Dessa forma as redes sociais provocam o narcisismo na geral e nos pegamos encantados a admirar uma vitrine virtual, porque “todos buscam a comunicação, querem essa importância”, como afirmou Leandro Karnal, em entrevista à revista Trip.

Uma forma de se sobressair é fazendo marketing pessoal, que utiliza estratégias do marketing pra promover e fortalecer a marca pessoal atraindo mais atenção e influenciando outras pessoas a enxergá-la como referência.  

Apesar de aplicado desde a década de 1950, o marketing pessoal (self marketing) costuma ser associado ao conceito de marca pessoal que surgiu no artigo “The Brand Called You…” publicado na Fast Company, em 1997, por Tom Peters. O conceito foi um divisor e gerou o livro, de 2001, “The Brand You 50 – Reinventing Work” (em livre pt-BR: “Você como marca – Reinventado o trabalho”). Mas as atenções começaram a se voltar pra marca pessoal quando a série de artigos sobre posicionamento, escritas por Al Ries e Jack Trout, foram publicadas na Age magazine, em 1972.

Falador passa mal

Estamos sedentos pelo engajamento das curtidas, reações e comentários, também pelo número de seguidores, visualização e tempo de retenção. Em entrevista ao Olhar Digital, o especialista em comportamento digital, Thiago Valadares, destaca que “a produção de conteúdo tem que valer mais que a curtida e as pessoas precisam pensar em como esse conteúdo está afetando a vida dos outros e construindo sua imagem virtual. A persona digital hoje conta muito pras pessoas, e elas caíram num looping de necessitar das curtidas”.

Nossa necessidade de audiência faz a gente querer opinar sobre tudo, até porque o acesso fácil ao conhecimento nos habilita a falar sobre qualquer tema, assim a gente se transforara em especialistas de coisa nenhuma. Falamos de tudo sem nos aprofundamos em assunto algum e dizemos o que nos vem a mente sem qualquer freio na língua como numa conversa cara a cara. Esquecendo que é preciso cuidado com o que se diz, afinal, quem fala demais se complica e pode cometer mais erros [Provérbios 10.19].

Olha a postagem fresquinha

As plataformas digitais amplificam nosso poder de comunicação e quando algo é disponibilizado na internet é difícil eliminar; mesmo soterrado sob inúmeras postagens, algo mal colocado ou preconceituoso pode ser recuperado e nos causar problemas ainda mais porque mesmo apagado é possível acessá-lo. Atualmente, 70% dos empregadores conferem as redes sociais de candidatos antes de contratá-los.

A identidade virtual está tão atrelada a vida social, profissional e ao cotidiano que é difícil separar nossa pessoa pública da privada. Integração essa que vai continuar até estarmos mergulhados num mundo digital através de nosso corpo analógico – o metaverso já está virando a esquina. Assim, o que era pra ser reflexo do off-line passou a afetar o mundo físico ao ponto de quem está de fora pode levantar suspeitas, como avaliou a revista britânica Daily Mail, e até revelar sinal de psicopatia.

Melancia no pescoço

Antes de descer até o chão e ser pioneira do funk, a fruta já chamava atenção pela suculência – composta por 95% de água ela dá bom no verão – e seu tamanho que não a deixa passar despercebida. Razão que a tornou referência no aconselhamento pra quem quer se destacar: “pendura uma melancia no pescoço”.

Quem fala muito de si só quer chamar a atenção [João 7.18], mas Kate Hudson lembra que “nada é mais atraente do que a confiança silenciosa”. Características como arrogância, ostentação, ficar se gabando, necessidade de compartilhar tudo e obter curtidas, são reflexo da insegurança. As pessoas que mais chamam atenção, são as mais inseguras, assim exageram o que lhes falta. Autoconfiança é silenciosa e não necessita de likes pra saber que está acertando.

Diga-me o que postas

Engraçado que muito do que comentamos do outro, diz mais sobre quem somos que a gente gostaria de admitir, como disse Julio Cortázar: “ao citar outros, citamos a nós mesmos”; mas quando falamos de nós mesmos isso pode não se traduzir em realidade. A ótica que utiliza intenções descritivas pra desenhar quem somos pode não ser a mais exata.

Nossas palavras usam a medida da percepção, logo podem acabar se mostrando incoerentes. Além de nos tornar insensatos [Provérbios 28.26], fazem a gente parecer arrogante ou presunçoso. Nisso insultamos a inteligência alheia ao tentar impor uma imagem distorcida, antes do outro constar a realidade.

Porém, existe algo que chama mais atenção que a autopromoção, o escritor Ralph Waldo Emerson disse certa vez: “o que você faz fala tão alto que não consigo ouvir o que você diz”.

Nem só de palavras se comunica o homem

A liberdade de expressão garante o direito de falar de qualquer coisa, inclusive sobre o quão bom a gente é, mas não precisamos disso pra provar nada. Até porque a forma que a gente se enxerga pode não ter muita coerência, já que a autopercepção tem mais a ver com o que imaginamos de nós mesmos que como somos realmente vistos.

O melhor é deixar que nossas ações nos descrevam. Esse é o jeito correto de mostrar quem a gente é. Deixar os atos falarem por nós resulta numa comunicação clara e eficaz; eles possuem maior coerência entre quem somos e aquilo que tentamos dizer.

Al Ries e Jack Trout alertam que “o significado não está nas palavras; está nas pessoas que as usam”, então por mais tentador que possa parecer falar de nós mesmos é melhor deixar que nosso caráter e realizações – que são eternas – façam isso. Que os outros nos elogiem, até mesmo um desconhecido, nunca nossa própria boca [Provérbios 27.2].

*Artigo publicado originalmente no LinkedIn, também está disponível no Medium.


Fortalece a firma

Fortalece a firma

Ao adquirir os livros indicados você ajuda na produção de mais artigos como esse que informam enquanto te distrai. Você pode obter a versão física de “Posicionamento: A batalha por sua mente“, ou seu original em inglês, assim como “The Brand You 50 – Reinventing Work“.

Se você gosta muito de ler, o melhor é adquirir uma assinatura do Kindle Unlimited que possui milhares de livros. Agora se prefere lançamentos de filmes e séries, descontos nas compras com frete grátis, além de milhares de músicas e benefícios em jogos opte por uma assinatura do Amazon Prime.

Aproveita pra reagir a esse artigo e deixar seu comentário sobre o quanto você curtiu. Ah! Compartilha também com aquele parça que você sabe que vai curtir a postagem. Antes de ir, salve esse artigo nos seus favoritos, assim você pode voltar depois e refletir um pouco mais.

Ósculos e amplexos,

Mishael Mendes Assinatura

artigo artigo de opinião autoconhecimento bíblia conhecimento drops inversíveis filosofia filosofia inversível frases frases inspiradoras inteligência emocional inversível marketing pessoal pensamentos quem é você reflexão reflita soundtrack