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Esse é mais um dia daqueles
No que mais um dia de trabalho trafegando por lugares desconhecidos, sob um tempo desagradável, poderia resultar?
Por Mishael Mendes access_time 3 min. de leitura

Há dias que parecemos não nos pertencer
Como se vontade não tivesse porque existir
Como se não houvesse direito nas escolhas
Ou se optar por isso é que fosse antinatural
Apenas seguir no fluxo em que vai à vida
Parece mesmo o melhor que pode ser feito.

De jeito nenhum você pertence a si mesmo
Sua vontade já não faz mais sentido algum,
Desejos são ilusões que não se valem viver.
A casa, a qual compartilho com inspirações,
Só parece servir de invólucro pra aprisionar
Impondo limites e impedindo alçar alforria.

Escolha não passa de total perda de tempo,
Pensar só resulta em aumento de pesares,
Deixando restar somente o sentir, mas não
Por aquilo trago pelas portas da percepção
Ou do que por olhos e ouvidos se recebem
Tão pouco é trago por estímulos externos,

Mas vem da eternidade habitando em nós
Das profundezas e do lirismo da aspiração
A qual palavras não conseguem expressar,
Ante tal noção tudo perde significado e cor,
As escamas que cegavam caem pelo chão,
Necessidades básicas parecem nem existir

Se isso aqui é prescrutar parte da essência
Falta alguma, de mais nada, sei que terei,
Nem preciso de qualquer esforço, busca,
Pois, tal necessidade me vem de encontro.
Impulso não importa, tudo é breve, finito,
Tal desapego não é perder a sensibilidade

Olhar o que importa
kazuend/ Unsplash

É apenas atentar pro que deveras importa
Vindo grande em dimensão e proporções.
Olhos mostram a proximidade se tornando
Distância e a longitude vindo a se avizinhar
Grão toma valor e a opulência se despreza
É compreender não pertencer a esta esfera,

Tudo o que se vê é passagem, então espera,
Tão pouco as marcas eternas, vão apagar
Existe algo maior o qual não se apercebe,
Sem dar por conta a aquarela descoloriu.
É desejo de fugir, sem músculos mover,
Vontade de adejar, cruzar o firmamento,

Deixar tudo em busca da factual plenitude
Ir atrás do que não confunde, decepciona,
Nem ainda ilude, corrompe ou se desfaz,
Deixar morada que tanto logro possibilita.
É percepção de que ficar só não é solidão,
Nem estar cercado significa ter companhia

Que a comunhão independe de localização,
Basta ir fundo, abrir as portas da percepção.
Nada pode D-s conter, Ele a tudo preenche,
Está em todo lugar e é facilmente acedido.
Não é necessário experiência sobrenatural,
De arrepios, visões, nem quebrantamento,

Tocar o céu
Guillaume Galtier/ Unsplash

Apenas deixar livre, o espírito voa até tocar
O que pulsa, ressoando desde a eternidade.
É desconhecer, conhecendo todas as coisas
Como se o novo fosse passado, algo antigo,
Pretérito composto ainda não aperfeiçoado,
Entender que a partida não passa de aceno,

Pois, em breve cessará distância e saudade.
É a implicação de que tudo está conectado,
A percepção de que fim trará novo começo.
Após o game over é que o céu e à terra irão
Reiniciar, trazendo completo renovamento
Mar, distância que separava, já não existirá.


#papolivre

Existem momentos que um sentimento de tristeza nos assalta sem precisar de lugar ou situação específica, o fato de habitar esse corpo basta pra nos afligir, fazendo o ambiente destoar em tom, cores, sensações, sentido e atenção. Se a gente buscar além da camada de dor, poderá enxergar que essa inclinação é o agito da alma em busca de forças, alívio e comunhão.

A tristeza possibilita estado de reflexão, mas importa saber pra onde olhar [Salmos 120.1], pra se encher a mente de esperança [Lamentações 3.21], se não esse momento só acrescentará peso ao invés de leveza [Salmos 13.2].

Ósculos e amplexos,

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