#episodioanterior

Um momento de descontração, regado a carinho, faz Red colocar pra fora aquela imensidão de sentimentos que vinha guardado a bastante tempo em relação a Emie, mas ouvir isso a deixou meio sem ter o que dizer.

Red andava meio desanimado, meio preguiçoso, apesar disso precisava treinar bastante, ele não podia adiar mais ainda a partida de game, nem passar vergonha, então estava passando raiva enquanto treinava o jogo tão difícil e, quando resolveu dar uma pausa, o telefone tocou.

Acompanhe a minissérie » EP 1 • EP 2 • EP 3 • EP 4 • EP 5 • EP 6 • EP 7


A última conversa com Emie foi finalizada, com Red decidido a não ter mais contato com ela, mas depois de refletir bastante, resolveu deixar o orgulho de lado, ao perceber que valia mais ter a amizade dela que perdê-la de vez – isso sim, ia custar mais.

O que o deixou mesmo balançado, foi o fato dela lhe ter ligado, assim o cristalizado coração dele foi se desfazendo até jorrar em águas vivas, daí ele mandou áudio pedindo desculpas e dizendo que ela era importante demais pra ele conseguir esquecê-la, assim eles fizeram as pazes.

— Poxa, migo, té que fim! – Iowa sorriu aliviada. – Já tava desesperada aqui.

— Perdão! É que vim pela rota que conheço, mas tava maior trânsito, daí o motorista teve que fazer uns desvios.

— Bom, pelos menos agora cê tá aqui, migo! – Ela lhe deu um abraço forte, como se com isso pudesse afastar de si todo nervosismo sentido.

— Calma, miga, cê tá derretendo.

— Verdade! ‘Té te sujei. – Sem graça, ela pegou um lenço pra limpar o smoking dele.

— Deixa comigo! – Red tomou o lenço. – Agora temos que focar em você. Como tão as coisas aí, nesse coraçãozinho?

“É difícil conseguir fazer as pessoas sorrir na mesma intensidade que a gente, mas planta a felicidade que você vai colher amor.”

Iowa disse que tava tudo certo, mais ou menos, quando Red a questionou o motivo da resposta, ela confessou que estava apreensiva porque, apesar da família estar ajudando e tudo estar um sonho, era notável que eles não estavam tão felizes como ela gostaria.

— Sabe, Iowa, é difícil conseguir fazer as pessoas sorrir na mesma intensidade que a gente, mas planta a felicidade que você vai colher amor. Só dá um tempo pra eles.

— Migo, cê é mesmo incrível! – Dessa vez o sorriso de Iowa foi de tranquilidade.

— Que isso! – Ele lhe acariciou o rosto. – Boba, para de chorar, cê vai estragar a maquiagem. – Red ofereceu o lenço.

— Pega nada! A make é a prova d’água. – Ela riu do espanto dele, então mais algumas lágrimas começaram a cair. – Cê sempre sabe o que dizer na hora certa, migo.

— Tá bom! Vem cá! – Vendo os olhos pidões e marejados da amiga, ele lhe estendeu os braços.

Red até conseguiu se conter, mas estava tão ou mais emocionado que Iowa, tudo bem que ele tinha desistido de contar a verdade do noivo da amiga, mas ainda não tinha aceitado a ideia totalmente – pelo menos ao ponto de dar aquele tipo de conselho – assim, ficou surpreso com as palavras que lhe saíram da boca.

Só depois de acalmar Iowa, conseguiu reparar que o sítio da mãe da amiga, que já era bonito, estava ainda mais espetacular, cheio de luzes e flores contrastando com o verde. Mas a visão mais linda – sem sombra de dúvidas – foi quando surgiu a noiva, deslubrantemente de branco.

Todos se colocaram de pé pra vê-la desfilar, com o sol a se pôr detrás dela, dando tons de amor as nuvens, Iowa sorria tanto que era difícil saber quem brilhava mais, ela ou o astro atrás de si. Quando uma chuva de pétalas caiu, ela começou a cantar, fazendo os olhos marejar.

Mesmo a música sendo boa – a mais linda que Iowa já tinha ouvido – o que fez as lágrimas rolar, enquanto ela se aproximava do altar, foi a voz dela imprimindo profundidade a cada verso.

“É engraçado que as amizades mais improváveis são aquelas que valem a pena a gente conservar.”

Enquanto cantava a própria verdade, a alma das pessoas foi tocada, a ponto da canção ficar melhor que a versão original – assim como o cover que Whitney Houston fez de I Will Always Love You, música da Dolly Parton.

— É, migo, parece que cê é o próximo da lista! – Se antes Iowa estava contente, depois que a cerimônia terminou o sorriso não descolava do rosto.

— Sei nem do que cê tá falando! – Red apertou as sobrancelhas, só aí se deu conta de que estava com o buquê nas mãos, então o escondeu atrás das costas.

— Destino que fala, né!? – Ela piscou. – Agora bora pra pista!

— Pode ir, tô indo já!

— Não mesmo, bora! – Ela saiu empurrando o amigo.

Sem ter alternativa, Red começou a dançar, logo a pista foi enchendo e a geral tava balançando o esqueleto.

— Migo, cê pode ‘té não acreditar nessa parada de destino, mas se não casar, não vai ser por falta de opção, dá só um ligo. – Com a cabeça ela apontou as garotas tomando a pista.

Quando Red foi olhar de relance, só pra verificar as opções, acabou encontrando os olhos de Marcie em sua direção, na hora as bochechas até tomaram cor.

— Parece que cê nem vai esperar tanto assim. – Iowa cochichou no ouvido dele, toda alcoviteira. – Anda, vai lá! Tá esperando o quê? – Vendo o amigo, sem jeito, ela o encorajou.

Bastou Red se aproximar pra começar a tocar uma música lenta, automaticamente ele ergueu a mão e Marcie a aceitou prontamente, com um sorrisinho no rosto, então eles ficaram agarradinhos, enquanto lembravam o quanto fazia tempo que não se viam e seguiram falando de coisas da vida.

— Nossa! Meia-noite já? – Red se espantou ao olhar pro smartwatch. – A hora passou tão rápido que nem percebi.

— Normal. – Marcie falou naturalmente.

— Mesmo? – Ele ficou sem entender.

— Sim! Isso sempre acontece quando a gente fala com quem gosta.

“A conquista de algo custoso faz a gente enxergar que o tempo perdido e dificuldades enfrentadas são necessárias quando se deseja novos patamares.”

A forma fácil dela dizer aquilo, sob o brilho do luar, com o mirante diante deles, o fez projetar o corpo pra frente, só pra ver o sorriso dela ficar mais lindo e os olhos se fechar, aí o beijo rolou.

— Espera! – Marcie segurou a mão de Red enquanto ele saía, fazendo-o olhar pra si. – Cê não tá esquecendo nada?

— De você!? – Ele sorriu, galante. – Bom que cê decidiu ir comigo. – E piscou pra ela.

— Bobo! – Marcie sorriu, desconcertada. – O buquê. – Ela o ergueu com ambas as mãos.

— Fica, acho que uma flor sabe cuidar melhor de outras flores.

Com esse veco à queima-roupa, ela não resistiu e eles deram um último beijo. Assim, Red foi pra casa de posse do número dela e com um sorriso que só fazia aumentar, ele nem reparou na distância do caminho mal-iluminado.

Como se Iowa tivesse antevisto o futuro, logo eles começaram a ter algo mais sério, mas a amizade de Red e Emie continuou, eles conversavam quase todo dia, não na mesma proporção de antes, até que o papo foi se reduzindo a cumprimentos cada vez mais distantes entre si e eles acabaram perdendo o contato.

O que restou pra ambos foram as palavras de carinho e Apologize, toda vez que ela tocava em algum lugar eles se sentiam conectados de alguma forma, pra Emie, então, a música era ainda mais marcante, não tinha como ouvi-la e não sorrir por lembrar daquele garoto meio mimado e inconsequente que a amou mesmo sem conhecê-la pessoalmente. Tinha sido exatamente isso que tornou a canção tão especial pra si – algo que ela confessou meses antes deles pararem de se falar.

Diferentemente de Red, a amizade de Zie com Moranguete seguia firme, o que só mostrava o tamanho da ironia nisso tudo. Logo ela que tanto tentou afastar o amigo de Emie e não a suportava por roubá-lo, foi quem manteve contato – é engraçado que as amizades mais improváveis são aquelas que valem a pena a gente conservar.

Zie só chegou a dar uma sumida quando rolou toda aquele história nas redes sociais – até porque também ficou meio sem reação, afinal, elas ainda não se conheciam tão bem assim – mas passado isso, elas acabaram ficando bastante íntimas, conforme Zie via o quanto se pareciam.

Foi Emie que ensinou que ela podia ter vários amigos. Quando Zie reclamou que os garotos mal lhe davam atenção, ela disse que não precisava ser tão apegada, pois isso só servia pra sufocar mais a si mesmo que os outros.

Talvez, desapegar de Red tivesse sido a melhor coisa que aprendeu, afinal, depois de terminada a monitoria, eles se afastaram um pouco. O amigo acabou se tornando uma boa lembrança, a qual dava pra conversar de vez em quando.

— A gente pode conversar, Red?

— Claro!

— Me acompanha até minha sala, então!

Ele assentiu, mas assim que Kerr Lauren deu as cotas, Red revirou os olhos e saiu acompanhando ele.

Como Red se destacou enquanto fazia a monitoria e até mesmo enquanto estudava, assim que terminou o curso acabou recebendo a proposta pra trabalhar como instrutor. O convite tinha sido feito por Luigi Castelli, o coordenador pedagógico e a melhor pessoa que ele já tinha conhecido, meio fora da casinha e sempre motivador que, por motivos pessoais, acabou saindo e seu lugar foi ocupado pelo babaca do Kerr Lauren.

O cara mal esperou fechar a porta e já foi reclamando que ele estava com muita gracinha com as alunas e que era bom parar porque a escola tinha câmera, o que podia dar ruim.

— Mas elas que ficam de graça. – Red tentou justificar.

— Também, com os pornô que você posta!

— Ah! Para! Meus nudes são artísticos.

— Independente! Você devia ter mais postura, já que agora está em destaque e os alunos te veem como exemplo. De qualquer forma, dê um jeito nisso.

Red apenas assentiu e se retirou, era tenso ter que ouvir isso de alguém totalmente amoral, Kerr Lauren vivia de graça com as alunas, pegando na cintura delas – fora os clipes do 50 Cent que deixava rolando antes de começar as aulas – e agora vinha com papo mole dizendo que ele é quem tinha que ser exemplo? Era mesmo muita hipocrisia!

Ele não ia deixar Kerr Lauren se intrometer em sua vida pessoal, isso era algo a parte, sem falar que as fotos postadas eram mais pra celebrar o quanto estava confortável com o próprio corpo – quando mais novo ele não se sentia muito bem, até começar a malhar – que qualquer outra coisa. Agora, se isso lhe rendia ainda mais likes e o fazia ter sucesso com as garotas, era apenas consequência – que o agradava bastante.

Claro que ele não gostou nada de ter Kerr Lauren tentando se intrometer onde não devia, mas aquilo lhe fez ter uma ótima ideia. Daí, ele resolveu usar o Twitter pra dizer que estava oficialmente atrás de um novo amor.

motivos pra me namorar:
– cozinho (especialidade: mousse de maracujá);
– sou cheirosin;
– carinhoso e atencioso;
– inteligente;
– arrumo teu iPhone;
– gosto de um bom sertanejin;
– faço massagem boa;
– te desenho;
– adoro xadrez (porque xadrez não sai de moda!).

No mesmo tuíte ele anexou uma foto de camisa xadrez e outra de um de seus desenhos, daí o fixou pra ter mais visualizações, mas nem precisava, porque rapidamente recebeu um grande número de curtidas, fora as respostas – uma mais engraçada que a outra.

Uma garota disse que desse jeito ela ia querer é casar logo, ele então a convidou pra irem comprar as alianças. Teve outra mais espertinha que disse que arrumar o iPhone era fácil, ela queria mesmo é ver ele dar um novo, ao que Red respondeu que nesse caso ela estava procurando Sugar Daddy, não um namorado e colocou risadinhas.

Depois de rir bastante, percebendo ser impossível dar atenção a tanta mensagem, tuítou algumas respostas pra esclarecer a geral.

Pra quem estava duvidando de tantas qualidades reunidas numa só pessoas, afirmou que tudo ali era verdade, que amava mesmo cozinhar, além de saber fazer tudo dentro de casa, era bom em tecnologia e estava estudando engenharia nuclear, ou seja, que ainda ia ficar rico – pelo menos é o que esperava – além de adorar novas amizades, assim estava na pista pra negociações.

Já pra quem quis saber o motivo de ainda estar solteiro, ele disse que tentou, mas das vezes que fez isso não deu muito certo, mesmo fazendo desenho, cartinha, etc., acabou não funcionando e até terminaram com ele antes.

acho que as pessoas não curtem gente atenciosa e carinhosa, daí que dá ruim pra mim. As garotas gostam mesmo é de joguinho, de se fazer de difícil, só que isso não cola comigo.

quando gosto, demonstro, me importo, sou carinhoso e procuro agradar à garota que tô. Talvez eu não seja a pessoa mais interessante do mungo, mas tamo aí na pista… rs.

minha primeira “ex” foi a garota que mais gostei. Tava sendo bom demais ficar com ela, daí preparei tudo pra pedir ela em namoro. Comprei tudo que ele gostava no mercado, fiz um desenho dela e escrevi uma carta.

ia pedir ela na segunda, aí ele foi e terminou comigo um dia antes kkkkk chorei muito. A segunda parecia tá mega a fim de mim, também tava curtindo ela, já tava preparado pra namorar, daí a gente foi no Lollapalooza de casal e quando voltou ela terminou comigo.

ela disse que não tava preparada pra assumir relacionamento, um mês depois lá tava ela, namorando outro… rs.

sem falar dos casinhos que tive, só porque tratei bem, demonstrava me importar, já pensavam que eu tava morrendo de amor e planejando casamento. Mas não foi nada disso, só fui legal porque gosto de proporcionar algo bom. Ninguém precisa ser escroto, ok?

e, sim, ainda acredito na felicidade! Só não sei porque ainda não deu certo, falta de tentativa não é. Se a @GretchenCantora ainda acredita no amor, depois de dar ruim com 17 casamentos, não sou eu que vou desistir no 2º projeto de namoro, né?

mapa astral, a quem interessar:
– Signo: aries;
– Lua: sagitário;
– Ascendente: gêmeos;
– Vênus: aries;
– Marte: capricórnio;
Só não sei o que isso significa, se alguém quiser explicar, fica à vontade, porque não entendo nada disso rs.

Após isso, ele deu uma pausa no Twitter, até porque falar de Marcie o fez recordar o tanto que ainda gostava dela. O tempo que passaram juntos tinha sido tão bom, mas o “ex” dela ficou em cima e eles acabaram transando, daí ela achou melhor não ficar mais com Red antes dele se apegar e acabar se machucando – o que ela nunca soube é que já era tarde demais pra fazer isso.

Então veio a segunda e quando ele começou a se apaixonar, ela deu um pé na bunda dele, depois disso Red acabou ficando com várias garotas, sendo maior fofo e proporcionando a melhor experiência possível, na tentativa de alguma se convencer do cara legal que ele era e resolver ficar de vez na vida dele, mas até hoje isso não tinha funcionado.

Foi aí que uma luzinha acendeu na cabeça e Red percebeu que o lance dele com Marcie era nada por acaso, Iowa tinha dado um empurrãozinho pro destino. A amiga já tinha comentado com ele que Marcie estava solteira e que precisava de alguém, tão legal quanto Red, pra parar de dar moral pro “ex” e ser feliz, mas como ele estava encantado com Emie, acabou não dando muita atenção, embora tivesse pagado madeirinha pra ela.

Iowa viu exatamente onde Red estava posicionado antes de jogar o buquê, como ela sempre teve ótima mira, não foi difícil fazer o arranjo passar por cima das mãos desejosas por pegá-lo, indo parar justo no colo de quem estava só rindo das garotas se empurrando, furiosas.

Tentar passar o buquê não funcionou, a amiga disse que isso dava azar, depois ela o arrastou pra pista, na mesma direção de Marcie – todo resto aconteceu como ela tinha planejado.

— Aquela Iowa não tem jeito mesmo! – Ele riu ao se dar conta de tudo que a amiga tinha arquitetado. – Pena que não deu certo, porque ela foi um ótimo cupido.

O que também não durou muito foi o casamento da amiga, ela tinha se separado alguns meses atrás, após descobrir o quanto o marido era infiel.

Mesmo com o que aconteceu, o relacionamento trouxe algo que transformou completamente o mundo de Iowa, um filho – a coisinha mais linda e fofinha do titio, Red babava. Foi ele quem lhe deu força pra acreditar, finalmente, no mulherão que era e ver que não dependia de ninguém pra ser completa ou conquistar o que quer que fosse.

— Ding! – O barulhinho agudo soou, indicando alguma nova notificação.

Ao olhar a tela, Red viu que alguém tinha enviado um direct, quando abriu a mensagem era Zie, perguntando se ele ainda estava aceitando currículo.

Achando graça, ele entrou na brincadeira, dizendo que ainda estava disponível pra negociações, mas conforme a conversa foi seguindo, Red percebeu que ela falava sério. Zie revelou que gostava dele e isso já tinha um bom tempo, no começo achou que era só amizade, mas daí o sentimento foi aumentado e mesmo eles tendo se afastado a necessidade de tê-lo por perto não diminuiu.

— Cada dia longe de você, me faz sentir que falta algo e esse espaço só pode ser preenchido com você, Red. – Ao ler isso ele até sentiu dificuldade pra engolir a própria saliva.

Red precisou ser o mais cuidadoso possível pra encontrar as palavras certas e dizer o quanto Zie era especial, deixando claro que não de uma forma amorosa, pois não a conseguia ver assim, mas como uma ótima amiga. Do jeito dele, Red conseguiu fazer isso, não sem sentir a alma pesar, os pulmões funcionar com certa dificuldade e os dedos a se perder, enquanto enviava as respostas pra cada afirmação ou questionamento dela.

Depois de entender os sentimentos dele por si e que, apesar da postagem, Red queria mesmo é continuar na pista, aproveitando o sucesso pra pegar geral e ganhar biscoito, Zie resolveu dar um tempo nos papos, mas se expor acabou doendo menos do que pareceu e ela se sentiu mais aliviada.

Já Red, sentiu na pele a dificuldade de Emie ao dispensar alguém de quem só desejava amizade – parece que o jogo virou, não é mesmo? – isso lhe deu uma maior compreensão e o fez ver o quanto a amiga tinha sido decente com ele.

Na vida de Red, havia apenas uma coisa que ainda estava inacabada, mesmo passados tantos meses, então ele resolveu varar a madrugada e só sair da frente do console quando tivesse completado Sekiro: Shadows Die Twice. Mesmo passando uma raiva do caramba, continuou até começar a pegar o jeito.

Ele teve que morrer muito e voltar várias vezes, mas a cada derrota ia obtendo novas descobertas, assim já entrava nas batalhas calculando o número de mortes necessárias até derrotar os chefes, assim, cada vitória terminava com a sensação de ter sido a melhor luta de todas.

Diversas áreas podiam ser desbravadas, apenas correndo e se esquivando, fazendo isso ele descobriu que bastava se afastar e ficar escondido pra ser esquecido pelos adversários – a não ser quando o mini-chefe estava protegido, tentar atacá-lo, mesmo quando a oportunidade surgia, só servia pra fazer o bicho ficar doido, buscando se vingar.

Logo ele percebeu que a melhor forma de derrotar um mini-chefe protegido, era eliminar os inimigos um a um, deixando-o por último e, caso fosse descoberto, bastava se esconder. Já quando o mini-chefe estava sozinho era só atacá-lo sorrateiramente, o que já tirava 50% de vitalidade.

O que dificultava mesmo é que o aumento do poder de ataque só vinha depois de derrotar determinados chefes, assim como a barra de vida e nível de defesa, eles só aumentam após pegar itens que apareciam de maneira restrita – o que tornava a evolução, no jogo, bastante limitada.

O jeito mais eficiente de derrotar inimigos era com mikiri, stealth e parry – diferente dos outros jogos da From Software, onde o parry sempre esteve presente, nesse a técnica deixou de ser um extra pra se tornar parte da mecânica do jogo e necessário pra superar os adversários. Assim, se defender antes de sofrer um golpe, prejudicava a postura do adversário, deixando-o vulnerável.

Apesar de cada adversário ter um ponto fraco diferente, as formas de vencer também eram diversas, mas a parte mais complicada mesmo foi enfrentar os últimos bosses, o clã Ashina, a partida era dividida em quatro fases, a primeira com Genichiro, as três últimas com Isshin. Cada uma tinha padrões de ataques um mais complexo que o outro, mas em todas o segredo era vencer reduzindo a barra de postura, o que exigia ficar perto pra usar parry.

Desse jeito ele conseguiu zerar o jogo, não sem passar bastante raiva, mas no final toda aquela intensidade de sentimentos acabou sendo boa, pois o levou a atingir o objetivo. Pra comemorar, ele fez boomerang dançando, com a hashtag #almalavada e escreveu que a conquista de algo custoso faz a gente enxergar que o tempo perdido e dificuldades enfrentadas são necessárias quando se deseja novos patamares.

Empolgado ele resolveu jogar novamente, mas dessa vez aumentou o nível de dificuldade invocando uma maldição, ainda assim não levou mais de uma hora pra conseguir completar tudo. Por ter finalizado o jogo pela segunda vez, além da maldição, ele ainda podia renunciar um item de proteção, tornando tudo duplamente difícil, daí ele fez selfie, com a TV de fundo, e a tuítou com a legenda “agora a coisa fica impossível #nivelhard”.


#proximaminisserie

Até onde vai o amor de uma mãe? O que ela seria capaz de fazer pelo próprio filho, quanto de si estaria disposta a doar pra garantir que continuará a tê-lo por perto?

Uma história poética – em meio ao caos que se encontra o mundo – mais real até do que você imagina, apenas pra mostrar a profundidade do amor de uma mãe. Semana que vem estreia Interrompido, uma minissérie pra falar de sentimentos, entrega, limites e que sempre é possível fazer mais, mesmo quando tudo parece acabado – como disse Fernando Sabino, “no fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

Mishael Mendes

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.