#episodioanterior

A maior proximidade de Red com Emie estava desagradando não apenas Zie – que era ciumenta dos amigos – mas começou a incomodar Zack também. Precisando cada vez mais de atenção da garota, os dois amigos iniciaram uma disputa pra ver quem ganhava a preferência dela, onde cada ato valia um ponto.

Disposto a conquistar Emie – e bom jogador como era – Red dá uma cartada que aumenta seu grau de intimidade com ela e isso acaba Zack bolado. Red só não esperava que o amigo também estava disposto a jogar pesado.

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— Red, migo, que saudade! – Iowa o agarrou assim que viu o amigo no ponto e foi logo dando aquele abraço apertado. – Cê anda meio sumido desde o sítio.

— Ah, impressão só! – Entre coçou a cabeça, enquanto exibia um sorriso amarelo.

— Só espero que não seja por causa da pimenta no churrasco. Meu namorado confessou que só quis zoar um pouco, mas que não sabia que a pimenta era tão forte.

“Sabia que tinha sido aquele peste!”

— É nada disso! – Ele sorriu, meio sem jeito. – É que as coisas andam meio corridas. – Ele soltou um ar de cansaço. – Mas tava mesmo querendo falar com você.

Na verdade, ele estava tentando fazer justamente o contrário, depois de descobrir que o namorado de Iowa a estava traindo, Red passou a evitar contatos mesmo por mensagem, por não saber como lidar com toda situação – o que falar ou então se deixava tudo aquilo pra lá.

— Só espero que a gente não se veja só no próximo dia vinte e nove.

“Existem verdades que só fazem sentido depois que a gente experimenta.”

— Oi!? – O comentário o fez dispersar dos pensamentos.

— É que o próximo é só daqui a quatro anos. – Ela lembrou, sorrindo.

— Ah, verdade! – Ele sorriu. – Tinha esquecido que hoje é vinte nove de fevereiro.

— Migo, cê tá mesmo desligado total! Agora entendo porque cê sumiu.

— Precisava te falar um bang… – Ele começou, sem mesmo como saber o jeito de fazer isso direito.

— Tá bem, Red, mas isso vai ter que esperar. Tenho algo mais importante pra dizer.

Red até tentou falar algo, mas Iowa usou o dedo pra silenciá-lo, então, dando de ombros, resolveu ouvi-la, sentindo que devia mesmo contar o que sabia antes das palavras dela inundaram seus ouvidos com terríveis sentenças.

— Mas aqui não, bora na Starbucks, que a ocasião exige um lugar mais requintado.

— Só vâmo!

Eles foram pra cafeteria, apesar de Red não gostar de café, não resistia as bebidas de lá, mas preferisse as geladas. Ele pediu um frappuccino de brigadeiro com café – pra cortar um pouco do doce e dar um sabor mais harmônico.

Red estava prestes a pegar o coletivo e se mandar pra casa, mas ao erguer o braço pra dar sinal, Iowa surgiu e o agarrou, então eles conversaram bastante – quem falou mesmo foi ela, empolgada como estava. Ele pode até não ter dito, mas tudo que queria era ir embora, o monitoramento tinha sido bem puxado e tudo que lhe ocupava os pensamentos era o sofá macio onde ia se jogar em breve.

Só que o plano não saiu bem como ele queria, atordoado com tudo que ouviu, Red acabou pegando o ônibus errado e levou bem mais tempo pra chegar em casa.

“Amar alguém, não consiste em via única, ela pode até não ser expressa, mas deve existir uma curva, ou ponto, que permita o retorno, caso contrário não se trata de amor, mas de perca de tempo.”

Talvez, no fim das contas não fosse uma ideia tão ruim encontrar a amiga só no próximo 29 de fevereiro – ele refletiu, enquanto retornava pro lar. Não que ele não gostasse muito da amiga, mas é que a ver de longe o tornava menos envolvido com a situação, assim a culpa diminuía – ou apenas ficava escondida, só aguardando o momento certo pra dar o bote nele.

Logo após tomar um banho quente pra relaxar, ele se acabou nas fritas que Ginway, sua mãe preparou – só pra ele não esquecer o quanto aquilo era bom, já que fazia um bom tempo que não as comia.

Daí ele se jogou no sofá e foi assistir Spin Out com os pais. Red ainda conseguiu ver uns dois episódios, quando deu por si a mãe o estava chamando pra ir pra cama.

— Filho, você dormiu mesmo, hein!?

— Ah, mãe, tava cansadão.

— Quer que te conte o que aconteceu?

— Diz aí.

— Vou contar não. – A mãe riu.

— Ah, conta vai! Não consegui assistir.

— A Kat também tomava remédios, né?

— Sim! Igual a mãe dela.

— Ela ficou doida também.

— E aí?

— E aí que você perdeu muita coisa.

— Fala sério, mãe!

— Filho, vai dormir que você ganha mais. – Ginway riu e apagou a luz do corredor.

Pela manhã, após escovar os dentes, Red foi atraído pra cozinha, de onde vinha um cheiro gostoso de farinha de biju, então pediu pro pai lhe preparar um disco mais torradinho, que ele devorou com manteiga e um copo de leite com achocolatado – com toque de leite de coco pra ficar mais gostoso.

“Cada um persegue a verdade que lhe convém, o que a gente pode fazer, após aconselhar sem ser ouvidos, é esperar que o impacto doa menos quando se verem correndo pra parede.”

Foi aí que Ginway começou a atazanar dizendo que ia contar o que aconteceu nos episódios que ele perdeu.

— Sai pra lá, dona mãe! Cê sabe que detesto spoiler.

— Ué! Ontem a noite você tava querendo saber.

— Eu tava chapado de sono. Sei nem o que tava falando.

— Acredita que mãe da Kat ficou boa e ela que ficou louca?

— Alerta de spoiler! Tô tampando os ouvido porque a senhora já falou de mais. – Ele ficou de cara feia. – Que abuso!

O comentário fez a mãe rachar de rir, mas ela ainda perturbou um pouco mais, afinal, carregar Red por nove meses, parir, aguentar ele todo esse tempo lhe concedia o direito de zoar o filho um pouco, ou bastante – isso dependia do estado de ânimo dela e, naquele dia, Ginway estava inspirada.

Apesar de reclamar, ele até gostava da mãe o perturbando, até porque isso o fez esquecer um pouco do que rolou depois do estágio – pra ser mais específico, do que ele ouviu.

Na segunda, Red ria bastante, falando mais que a boca, ainda assim Zie percebeu que ele tinha algo de diferente – é possível sentir dor, mesmo sorrindo [Provérbios 14.13], ou seja, o rosto feliz também serve pra ocultar, aflição e tristeza que a gente tem dificuldade de externar.

— Cê tá todo engraçadinho hoje, garoto, mas tá escondendo algo.

O comentário bastou pra Red a puxar de canto e dizer o que tinha acontecido.

Logo depois de sentarem na Starbucks, Iowa contou que tinha um anúncio importante pra fazer, vendo-a tão empolgado ele a estimulou a dizer, então ela revelou que o namorado a tinha pedido em casamento.

Ele ainda tentou argumentar que eles estavam namorando a pouco tempo.

“Quem tem os contatos certos é capaz de conseguir qualquer coisa.”

— Louco, né? – Ela sorriu. – É que parece que a gente se conhece a tanto tempo e ele me faz tão bem.

— Espera! – Red interrompeu. – Cê não tá grávida ou algo do tipo, né!?

O sorriso dela foi daqueles de quem é pego no flagra aprontando algo.

— Como assim, Iowa!? – Ele se desesperou. – Cê é doida de transar com esse cara, sem camisinha!? E se você pegar alguma IST? – Ele já se imaginou falando, mas se conteve.

— Poxa! Migo, aconteceu. – Ela deu de ombros. – Mas ele aceitou de boas, então a gente resolveu casar. Se já somos felizes namorando, imagina casados? – O olho dela chega brilhou.

— Ah! Sim… – Red deixou escapar.

Ele tentou controlar o máximo possível o tom de ironia na voz, mas a amiga pareceu não perceber nada.

— Quer dizer que cê resolveu falar pra ela, mesmo depois que falei pra cê não se meter.

— Zie, entenda…. – Ele coçou a cabeça. – Ela é minha amiga e precisava saber.

— Então cê contou tudo? – Ela ergueu a sobrancelha.

— Até ia, mas ela tava tão feliz. Ela disse que não via a hora de me contar, pra sabia que eu ia ficar contente, diferente dos pais dela que pareciam não a apoiar. Daí que não consegui contar, mas sinto que não devia deixar ela enganada. – Ele respirou fundo. – O pior é que ela me convidou pra ser padrinho.

— Vixe, Red! – Zie respirou fundo. – Pode parecer ruim, mas foi melhor cê não contar, existem verdades que só fazem sentido depois que a gente experimenta. Pode levar um tempo, mas o jeito é ela mesma descobrir quem é esse cara, do que você tentar arrancar a ilusão que ela criou. Se ela nem ouviu os pais, acho difícil te dar bola, mesmo com os prints que cê pode ter feito no Photoshop.

— Hey! De que lado cê tá mesmo?

— Do seu, garoto, sempre do seu! – Zie piscou e saiu andando. – Agora bora que a galera já vai entrar no lab.

Naquele dia, Red teve ainda mais coisa pra pensar, até porque não era experiente com relacionamentos amorosos, apesar de comunicativo, ele só tinha ficado com algumas garotas – nada que contava como algo mais sério, então não tinha a compreensão do que era estar num namoro e tudo o que o envolve.

Ele desencanou ao entender que amar alguém, não consiste em via única, ela pode até não ser expressa, mas deve existir uma curva, ou ponto, que permita o retorno, caso contrário não se trata de amor, mas de perca de tempo.

Zie ficou feliz de ver que o amigo foi ficando de boas, mas conforme Red parou de esquentar com a situação, voltou a dar atenção total pra tal da Moranguete, ao invés de querer passar mais tempo com ela – como forma de gratidão – estava lá, perdendo tempo, com aquela garota sem graça.

É, pelo visto era mais um amigo que debandava pro lado errado da força, maldita hora que desafiou Red. No caso de Zach era difícil intervir já que ele tinha ficado com a garota, mas talvez Red ainda tivesse salvação.

O que Zie mais queria era afastá-lo da Moranguete antes dele ficar como os outros bobões.

— Só que esqueci que garotos são tudo igual, não resistem uma piriguete.

Por isso ele precisava provar logo o quanto a garota era impudica, mas tudo que conseguiu depois dela a adicionar foi o contrário, quanto mais conversava com Moranguete, mais via o quanto ela era amável.

Isso irou Zie por não ter como provar que a sensação ruim que sentia vir da garota não passava de ciúme besta, então desistiu de insistir.

Ela se tocou de que estava fazendo a mesma coisa da qual tinha aconselhou o amigo a parar – cada um persegue a verdade que lhe convém, o que a gente pode fazer, após aconselhar sem ser ouvidos, é esperar que o impacto doa menos quando se verem correndo pra parede.

Só que mesmo tendo se esforçado pra não se meter foi meio difícil ficar alheia, Red acabava dividindo com ela o que acontecia, pior é quando o compartilhamento de informações envolvia Zach, aí dava ruim e eles discutiam ou um dos dois saía chateado.

Só que eles resolveram dar uma trégua, permitindo assim Zie respirar um pouco mais aliviada, isso até que Red aparecer todo contente, com uma caixa de Moranguete. Quando ela perguntou pra que aquilo, ele disse que ia mandar pra Emie, então abriu o aplicativo de entregas e solicitou o envio do presente.

Red estava animado de ter descoberto o motivo do apelido de Emie – o que deixou Zack enciumado, pois nem ele sabia. Devido às bochechas estarem sempre – como se ela vivesse maquiada – os amigos começaram zoar a chamando de Moranguete.

Pra comemorar a descoberta – reservada a poucos, já que Emie não costumava contá-la – Red enviou o presente, com um desenho dela, no estilo comics, dentro de um coração, com uma faixa, escrita: “você sempre vai estar aqui”.

— Como cê sabe, disso se ela não conta pra ninguém? – Zack levantou a sobrancelha, sem entender.

— Tenho minhas fontes, gatão! – Ele piscou, na mesma hora o amigo fechou a cara.

Conforme Red foi estreitando os laços com Emie, começou a fazer amizade com os amigos dela, assim, não foi tão difícil descolar o motivo do apelido – quem tem os contatos certos é capaz de conseguir qualquer coisa. A amiga dela jurou que Emie não contava porque o motivo porque isso a deixava ainda mais vermelha.

Assim que Emie recebeu o presente, o achou tão fofo que fez questão de fazer vídeo, postar nas redes sociais e marcou o arroba dele. O que só deixou Zie com o pé atrás e Zack ainda mais enciumado.

“É possível sentir dor, mesmo sorrindo, ou seja, o rosto feliz também serve pra ocultar, aflição e tristeza que a gente tem dificuldade de externar.”

Talvez a coisa fosse até pior se Zack soubesse do apelido interno que Red a chamava – pimentinha, já que percebeu que ela tinha outros temperos.

— Red, preciso de você, tô me sentindo maior mal… – Assim que ele leu a mensagem, sentiu o coração apertar.


#proximoepisodio

Red ficou preocupado ao receber a mensagem de Emie, ele logo imaginou que tinha dado ruim, mas só conseguiu falar com ela já bem tarde e quando toma ciência da barra que ela estava passando fica chateado – por que as pessoas precisavam ser tão ruins?

Ele acaba recebendo um presente inusitado e sai a caça, com ajuda da internet, pra tentar descobrir quem o tinha enviado. Por falar em mistério, mais alguém andava meio ausente – cheia de segredos e conversas com alguém misterioso – a ponto de nem ligar mais pras brigas de Red e Zack.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

Mishael Mendes

Um cara totalmente apaixonado por música, se deixar ele não quer fazer nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.