Encantado – Maior fake news (Episódio 5)

Tempo estimado: 8 minutos
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Adie estava cheia de expectativas pro segundo encontro com o crush, mas quando chegou lá ficou meio decepcionada – já que aquilo não era nada do que ela esperava.

Como já estava ali o jeito foi aproveitar o máximo o tempo com Derry, a partir disso ela percebeu que não é o lugar, mas a companhia de quem se está, daí ela experimentou um dia incrível ao lado dele.

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— Chegamos!

— Eita! Já? – Adie deu aquele sorriso, que era uma mistura de felicidade com surpresa e uma pitada de decepção pela velocidade com que chegaram ao destino.

A impressão foi do percurso de volta ter sido menor que na ida.

“Acho que o Derry pegou atalho!” – Isso era a coisa que mais fazia sentido naquele momento.

O que aconteceu é que distraída como estava, entre conversas e beijos, ela mal se deu conta do tempo que, ignorado, disparou a correr.

Distraída, Adie nem percebeu estar na frente de casa, não fosse pelo encantado avisar, ela ia continuar ali, confortavelmente, grudada no braço dele.

— Sim, bebê! – Derry sorriu da surpresa dela.

— Bora lá, falar com minha família! – Adie foi abrindo a porta do carro, pronta pra descer, mas sentiu Derry segurar-lhe o braço.

— Espera! – Ele encostou a cabeça no banco, com carinha de pidão.

— Cê não quer entrar?

— Não é isso! – Ele esclareceu. – Daqui a pouco a gente vai lá.

— Tá bom! – Ela fechou a porta sem entender muito.

— Só eu achei que tudo passou rápido demais? – Com os olhos em declive por causa da posição da cabeça, Derry a encarou profundamente.

— Que tal se a gente aproveitar agora? – E Adie se jogou no colo de Derry. Bem, pelo menos foi o que ela se imaginou falando e fazendo, mas sua resposta foi bem mais contida. – Sim! – Ela sorriu.

— Então vâmo ficar mais um pouco aqui. – Derry foi se aproximando de vagar, sem desgrudar os olhos dos dela, neles estavam explícitos os desejos mais profundos.

“Amar é uma grande brincadeira, é arrancar sorrisos inesperados, arrepios equivocados e desejos despertados.”

O coração de Adie começou a palpitar, bombeando adrenalina pelo corpo e ela sorriu inocentemente, cada vez que Derry se aproximava, mais alto era o barulho ecoando nela.

Um conflito de sentimentos se misturou, enquanto os neurônios emitiam alerta de fuga, o corpo só queria ficar estático, sentindo aquela sensação prazerosa explodindo pelo corpo, arrepiando a pela sob o toque do encantado.

Os olhos, cada vez mais magnetizados um pelo outro, iam ficando mais próximos, então Derry soltou um som inocente de felicidade e lhe mordeu o queixo, apesar do ato exercer pouca força, extraiu sensações intensas, fazendo Adie perceber que amar é uma grande brincadeira, é arrancar sorrisos inesperados, arrepios equivocados e desejos despertados.

Quando os narizes se tocaram, suaves beijos lhe contornam os lábios, sem poder esperar mais, ela tomou a iniciativa e um ardoroso beijo aconteceu. Envolvida pelo prazer despertado, Adie permaneceu de olhos abertos, sorrindo, Derry os fechou com a mão.

Se ainda havia qualquer resistência em Adie, foi expurgada naquele instante, fazendo-a esquecer qualquer traço de vergonha ou timidez. Agora, o impulso que teve ao beijar Derry, não era apenas uma sensação precipitada pelos sentimentos, mas certeza, proporcionada pelos braços a envolvê-la.

Os beijos continuaram, sem registrar tempo, enquanto a lua brilhava através do teto solar, atravessando o vidro fumê – apesar do carro ser filmado, a película escura não pode ocultá-los do satélite natural.

Derry se afastou, deixando os lábios bem próximos dos ouvidos dela, o que permitiu ouvir, além das palavras quentes, o som ofegante de sua respiração.

— Cê tá irresistível de mais hoje, dá vontade de te morder todinha!

Adie riu prazerosamente, nem tanto pela confissão, mas porque a barba dele, roçando seu pescoço, causou cócegas, aumentando a cada palavra, enquanto um torpor se espalhava no corpo.

— Para de graça! – Ela empurrou o peito dele.

— Nunca falei tão sério!

— Melhor cê parar. – Adie parou os olhos nos de Derry, circundados por cílios grandes e voluptuosos, encimados por sobrancelhas perfeitamente desenhadas.

— Mesmo? E por quê? – Sua voz saiu sexy, enquanto a pele se juntou entre a sobrancelha acompanhando a curva descendente surgida nos lábios.

— É que posso gostar! – Ela sorriu, sapeca.

— Então, se gosto de morder e você de ser mordida nossa mistura pode ser bem perigosa. – Ele voltou a confessar no ouvido dela, fazendo Adie rir instantaneamente ao sentir o atrito da barba dele.

O arrepio maior veio quando ele mordeu o lóbulo dela, o segurando com os dentes, a pressão fraca, mas persistente liberou uma corrente de neurotransmissores que ela nem sabia serem possíveis despertar ao apertar aquela região tão boba.

Aí, Derry se afastou, encostando na porta, abriu o teto solar e com o queixo encostado no punho ficou admirando Adie. Ele a encarou por tanto tempo que a fez perder a graça.

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— Que foi? – Ela sorriu, sem jeito.

— É que te vendo assim fiquei meio confuso.

— Ué, que foi? Cê não quer mais ficar comigo? – Adie ficou preocupada.

“Felicidade se tece no silêncio dos sentimentos e entrega dos instantes ocultos de olhos alheios.”

— Não! É que cê linda assim não dá pra saber se a lua que tá te iluminando ou o contra. – Ele sorriu.

Desconcertada, Adie sorriu e baixou os olhos, então Derry a abraçou, puxando-a pra mais perto, até ela encaixar perfeitamente no peito dele e os dois ficaram assim, coladinhos, conversando.

A noite soprava um vento refrescante – talvez o calor do corpo de Derry ´é que estivesse regulando a temperatura do ambiente.

Encostada no ombro do encantado, às vezes eles se olhavam de lado, noutras Adie precisava erguer a cabeça, mas nada disso incomodou e eles continuaram a conversar e a trocar beijos.

Derry passou a cabeça sobre a de Adie em busca de sua boca e ela aproveitou pra sentir o perfume dele, embora a barba tenha causado cócegas.

Mas quando ele lhe beijou bem abaixo da orelha, causou tremores que o corpo não conseguiu esconder e soltou um pequeno gemido.

— Para, Derry! – Adie pediu manhosa.

— Mas por que, se tá tão bom?

Ela levantou e o encarou, bem a tempo de ver um sorriso inocente.

“Ele é mesmo bem cara-de-pau!” – Adie não teve como não rir.

— A gente tem que aproveitar que o Deepak ainda não ligou.

— É que mandei mensagem dizendo que a gente ia ficar aqui na frente.

— Tá explicado! – Derry a puxou de volta. – Agora vem cá! – E a segurou firme, mas carinhosamente.

Adie colocou os braços sobre o corpo e Derry pôs os dele sobre os dela, daí eles entrelaçaram os dedos, se entregando a mais um beijo.

Naquele momento não tinha nada que ela não estivesse disposta a fazer, caso ele pedisse, Derry tinha conseguido arrancar a sensações mais profundas e estremecedoras.

O calor de ambos corpos aumentou a um nível que nem o ar frio vindo de fora conseguiu reduzir, nesse ponto Derry se afastou, só pra ver o quanto Adie estava linda, sob o luar, ela então sorriu de volta.

No escurinho proporcionado pela noite e os vidros filmados, ficava mais aconchegante – a felicidade se tece no silêncio dos sentimentos e entrega dos instantes ocultos de olhos alheios.

Foi aí que a lua começou a brilhar numa intensamente tão grande, que quase os cega por completo.

— TOC! TOC! TOC!

— Vocês precisam sair do carro! – Uma voz autoritária ordenou.

Quando eles desceram, havia uma viatura do outro lado da rua e dois policiais.

O mais mal-encarado pediu pros dois encostar e eles foram revistados, depois os policiais examinaram o carro e o porta-malas, por último Derry teve que passar pelo teste do bafômetro.

“Cada um só oferecer aquilo que possui dentro de si mesmo, se é amor, medo, ódio ou desconfiança a culpa não é nossa, por isso não mude suas atitudes ou se deixe afetar.”

— O que vocês estão fazendo aqui?

— A gente saiu e depois vim deixar minha garota em casa, seu polícia!

— Então, você mora por aqui mocinha?

— Nessa casa aqui. – Adie apontou pro seu portão.

— E por que vocês estão na rua até uma hora dessas?

— A gente se empolgou conversando e nem viu a hora passar.

— Mostra o documento do carro! – O policial ordenou.

Na mesma hora Derry abriu o carro e pegou o item solicitado.

— Está tudo certo! Agora quero ver os documentos de vocês.

Já esperando por isso, assim que o policial fechou a boca, Derry lhe entregou o RG.

— Peraí, vô pegar.

— Tudo bem!

Na hora que Adie foi abrir o portão, Deepak apareceu.

— Tudo bem, Adie?

— Sim, vô só pegar meu documento.

Do seu quarto, Ryan viu tudo de primeira mão, apesar do iPhone cheio de contatinhos, ele não conseguiu deixar de ficar de olho na irmã desde que ela chegou e achou errado eles ficarem tanto tempo lá fora sem nem mesmo entrar pra cumprimentar ele e os pais.

— Esse cara pode ser encantado, mas de educado tem nada! – Ryan reclamou pra si mesmo e deitou na cama, voltando pras conversas.

Foi aí que ouviu soar, rapidamente, a sirene da polícia, quando colou na janela deu pra ver luzes vermelha e azul piscar, depois o carro passou lentamente, daí subiu de novo e encostou do lado contrário do veículo de Derry, então os policiais desceram e meteram a lanterna no vidro do motorista.

Assustado, na mesma hora ele berrou pros pais o ocorrido.

— Aconteceu alguma coisa, policial? – Deepak quis saber ao se aproximar.

— Aparentemente está tudo certo. – O policial disse ao devolver o RG de Adie.

— Então por que vocês estão revistando minha filha e o namorado dela?

— Recebemos um chamado dizendo que tinha um carro suspeito na área.

— Como assim? – Adie não conseguiu entender.

— Tivemos ligações fazendo a denúncia e a gente veio verificar a ocorrência.

— A gente só tava conversando, seu polícia! – Derry esclareceu.

— Agora está tudo certo, a gente não encontrou nada. – Os policiais se afastaram em direção a viatura.

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— Mas quem será que fez isso? – Deepak tentou entender quem podia ter feito aquilo.

Nessa hora a vizinha da frente sai no portão, de robe, e se aproxima da viatura, os policiais lhe estendem uma prancheta que ela assina.

“Se alguém te oferece veneno você não é obrigado aceitar, tendo um comportamento ruim, recusar é o mesmo que continuar a ser você mesmo.”

Após recolher a assinatura os policiais partem e a vizinha se aproxima pra saber o que houve e conta que quem fez a ligação foi o vizinho da casa anterior a dela.

— Ele mandou mensagem, perguntando se a gente conhecia o carro, como nem ele ou eu e meus pais sabiam de quem era, ele chamou a polícia.

— Só que quem estava nele era minha filha e o namorado dela.

— Me desculpa, seu Deepak, é que como a violência está alta a gente ficou meio assustado.

— Entendo, mas podiam ter falado com a gente, já que o carro está na frente da nossa casa.

— É que no susto a gente nem pensou direito e quando viu o vizinho já tinha ligado, mas desculpa o inconveniente. – Ela se despediu e entrou em casa.

— Melhor vocês não ficarem muito tempo aí, se quiser podem entrar.

— Obrigado, Deepak, mas precisa não, o pior já passou.

— Peço desculpas pelos vizinhos, isso nunca aconteceu antes.

— Tudo bem, não foi culpa sua! Mas esse povinho é bem desconfiado.

— Bom se precisar, só dar um berro.

— Pode deixar, pai! – Adie riu.

Após entrar, Deepak contou o que aconteceu.

— Engraçado que o cara que mora logo ali deixa vários carro abandonado e ninguém nunca liga pra polícia, só porque ele é do crime. – Ryan ficou indignado. – É fogo ter zé-povinho como vizinho.

— Filho, calma, não precisa berrar. – Sonie tentou aplacar a fúria de Ryan.

— Que escutem! Essa gentinha causou mó constrangimento, dava pra meter processo neles.

— Eles erraram, filho, mas isso não é motivo pra causar indisposição com os vizinhos. Cada um só oferecer aquilo que possui dentro de si mesmo, se é amor, medo, ódio ou desconfiança a culpa não é nossa, por isso não mude suas atitudes ou se deixe afetar.

— Ryan, se alguém te oferece veneno você não é obrigado aceitar, tendo um comportamento ruim, recusar é o mesmo que continuar a ser você mesmo. – Deepak ajudou na reflexão.

Lá fora, após passado o susto, Derry e Adie riam disparados, o que o pouco tinha sido motivo de tensão se transformou em razão pra risada.

— Já pensou se a mistura do suco acusa teor alcoólico?

— Cê ia pro xadrez! – Adie entrou na brincadeira.

— Tô fora! A experiência de hoje já foi suficiente. Agora posso dizer como é tomar enquadro.

— Então essa foi sua primeira vez?

— Su memo.

— Também, com essa carinha linda, era mais fácil os polícia te parar pra pegar seu contato.

— Reconheço a culpa pelo meu charme! – Derry riu, acompanhado de Adie. – Essa também deve ter sido sua estreia.

— Pior que foi! – Ela fez a pensativa. – Bem que mamãe falou pra tomar cuidado com más companhias.

— Háaaa! Então é assim?! Cê me traz pras quebrada e eu que sou má companhia? – Ele perguntou, com um sorriso lindo.

— Su memo! – Adie rachou. – Acho bom cê ficar longe do meu irmão, hein!?

— Se não vô corromper ele também?

— Mais fácil ser o contrário!

— Ele é do crime?

— Não! – Adie riu. – Mas já tomou vários enquadro.

— Vixe! Zicado ele.

“O prazer vale mesmo a pena quando se pode machucar o outro?”

— Agora que ele se arruma melhor tá de boas, mas quando ele andava igual moleque zika vivia tomando enquadro. Uma vez, quando ele trampava no shopping, o motorista do coletivo nem parou pra ele e os parças dele com medo de ser assalto.

— Embaçado que a geral gosta de jugar as aparência!

— Verdade!

— Melhor nem voltar mais aqui! – Derry soltou após um silêncio.

— Por quê?

— Vai que da próxima seus vizinho aparece com tocha.

O comentário fez os dois rachar de rir.

— É, se fosse antigamente cê tava ferrado grandão, até provar o contrário.

— Por isso é perigo falar sem certeza das coisa.

— Fake news dá ruim grandão.

— Maior fake news seus vizinho fez! Se antes boato espalhava rápido, pior com tecnologia.

— Aí que a coisa alastra pra geral.

— Por falar em tecnologia, cê sabe quantos números de cabeça?

— Vixe! De telefone só o meu e olha que custou decorar já que não ligo pra mim mesma. E você?

— Sei alguns, mas com celular de memória estendida, tá ficando difícil decorar as coisas.

— Verdade! Se não lembrar é só procurar no Google.

— Como consequência a gente mal acaba usando o cérebro. Sem falar que tâmo cada vez mais conectado no digital e menos bas pessoas.

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— Pior! E aquelas pessoas que tão no mesmo lugar e ficam se falando por mensagem? – Adie disparou, quando olhou pra Derry ele estava com a mão levantada.

— Culpado! Às vezes meus primos e eu fazemos isso.

— Cês tão bem viciados, hein!? – Ela continuou antes das bochechas começar a corar. – Cê já ficou um dia inteirinho sem celular?

— Nunca! Assim que acordo a primeira coisa que faço é pegar ele. E você?

— Sim! Me senti meio isolada, parecia que eu tava pelada.

— É… pelo visto a gente é dois viciado em tecnologia.

— Verdade! – Adie refletiu. – E se o próximo encontro fosse num detox digital?

— Essa coisa existe mesmo? – Derry riu sem poder acreditar.

— Sim! Tem mó galera viciada em tecnologia.

— Como funciona?

— Cê fica uns dias lá, sem qualquer contato com tecnologia, só com a natureza e as pessoas.

— Mas não fica chato?

— Não, porque tem várias atividades.

— É, até parece legal. – Derry considerou a ideia.

— O melhor é que a gente poder ficar juntinhos sem ninguém atrapalhar… – Adie balançou o iPhone.

— Parece mesmo tentador. – Ele riu. – Onde fica isso?

— Nessa estância aqui! – Adie exibiu a tela.

Derry pegou o próprio gadget e fez a busca pra conhecer melhor, ao ver a quantidade de atividades e jogos que tinha se sentiu animado, ainda mais com as fotos do lugar, o local dava mesmo vontade de deixar tudo pra trás e a companhia também ajudava – isso não dava pra negar.

Adie debruçou sobre o ombro de Derry e acompanhou o que ele via, sondando a cara dele só pra vê-lo gostar do lugar, foi aí que surgiu a notificação de mensagem de uma garota, querendo saber se estava tudo certo pro rolê deles.

No mesmo instante ela sentiu certa dificuldade pra respirar, enquanto o ambiente ao redor foi tendo a saturação reduzida, até tudo ficar em escala de cinza, e o vento que entrava pelo teto solar esfriar a ponto de causar arrepios – a descrição pode até dar a impressão de que todo o processo demorou, mas até ela ler a notificação, ter essas sensações e Derry bloquear o iPhone durou poucos segundos.

Quando ela o encarou, ele estava sem jeito total, na mesma hora Adie lembrou do que Ryan tinha dito.

— Esse encantado tá mais pra sapo! – O irmão disparou assim que ela lhe mostrou a foto do crush.

— Como assim? Ele sempre me trata tão bem, além de ser um fofo e maior gato.

— Por isso! Ele é perfeitinho de mais! Cara assim é maior fake news.

— Ah! Sai fora! Para de moiá meus esquema. – Ela se afastou antes do pessimismo de Ryan a contagiar.

Apesar do irmão ter boa intuição, ela estava tão encantada que ignorou o alerta.

Ryan sempre lhe pegava no pé, gostava de provocar, às vezes o peste a irritava profundamente, mas quando ele implicava com alguém, era provável dar ruim – exatamente o que aconteceu.

— Quer dizer que a gente tá saindo, mas cê tá cheio de contatinhos?

— Não é bem isso, bebê!

— Derry, sei o que eu vi!

— Mas…

A situação inesperada deixou Derry sem ter o que falar, mesmo sendo profissional dos vecos. A cara de Adie deixou evidente o tamanho da decepção, então ela apenas abriu a porta e desceu do carro.

— Espera, Adie, posso explicar!

— Me esquece, Derry! – Ela puxou o braço de volta e bateu a porta, num instante estava fechando o portão, deixando do outro lado sonhos e projetos, felicidade e carinho que nasceram na segurança que o encantado havia proporcionado, pena que tudo não passou de fantasia.

Derry foi convincente a ponto de fazê-la acreditar que tudo era real, se entregando como nunca fez antes, sentindo sensações profundas e desejando estar mais tempo ao lado dele.

Adie soube nem como reagir, apenas entrou em casa, mal falou com os pais e subiu pro quarto, chegando lá só conseguiu cair na cama e mergulhou num profundo sono, talvez fosse o cansaço, após um dia agitado, podia também ser a bad ou o efeito Bela Adormecida tomando-lhe o corpo – o fato é que era coisa demais pra processar e o overclock acabou por sobrecarregá-la.

— Nunca mais quero saber de você, Derry! – Ela balbuciou enquanto o sono a dominava, uma lágrima conseguiu escapar, escorrendo pelo rosto macio e lindo de Adie, enquanto ela afundava na letargia.


#proximoepisodio

Bem que a história podia acabar por aqui, mas reza a lenda que Contos de Fadas sempre têm um final feliz – será mesmo? Talvez seja porque estejam longe da realidade – ou por desejaram sempre o melhor?

Parece mesmo que o encantado era só mais um vilão, querendo se aproveitar da inocente princesa, mas uma mensagem inesperada recebida por ela o fará repensar se o prazer vale mesmo a pena quando se pode machucar o outro.

Ósculos e amplexes,

mishael mendes sign, assinatura