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O torpor que debruçado senti
O prazer que nos inunda de sensações, pode ser o responsável por nos levar a perdição, seja de tempo ou de escolhas
Por Mishael Mendes access_time 3 min. de leitura

Sobre a mesa me debruço pra ver
Que mais um dia distante se foi,
Apenas o torpor é que me restou.

A lucidez apenas me faz sufocar
Trazendo sofrimento e amargor.
Vivendo como não devia fazer

Reduzo a entulho, fragmentos
Imensa quantidade de tempo.
Reflexão impulsiona a viver,

Mas suficiente não é a carga
Pras sinapses poderem atingir.
O que não sonha morto está,

Mas será que consegue sonhar
Quem já morreu ou de sonho
Morre aquilo que não viveu?

Seria a composição desta vida
Feita de infindas indagações
Ou por ausência de respostas

Que nos negamos a enxergar?
Meus olhos buscam a beleza,
Que me impossibilita viver,

Mas sigo, triste, numa alegria
Quase sempre a desvanecer.
Ainda a contemplar a tarde

Foi embora pra sempre
Carlos Arthur M.R/ Unsplash

Que se foi sem mais retornar,
Vi, no azul-celeste despontar,
Manhã [des]esperança trazer.

Da janela se aproxima aurora,
Tão perto que até posso tocar,
Através das cortinas ela chega

Assustado, tento me afastar,
Mas, surdos, os pés engessam.
Sob eles o assoalho dissolve,

Cabeça nas estrelas, pura luz
Tanto brilho chega a sufocar,
Cego, luz alguma posso ver.

Cada brilho pela senda achado
Só serviu de tropeço, escuridão
Antes podia ver, agora não mais.

A síntese da vida só se refere a
Isso ou não pode ser sintetizada?
Se enquanto duvido é que penso

Por que me esvaziam as dúvidas?
Seria sempre árdua a resposta,
Não habitaria ela a simplicidade?

Contemplando a finitude
Kiət Hí/ Unsplash

Contemplando a finitude se percebe
Que o mais além daquilo que existe,
A constante indagação, o desconfiar,

A relatividade presente tem a ver
Com perda e desgaste de tempo
Que permitir a plenitude vivenciar.

Singeleza traz maior alento na dor
Que o acumulo de conhecimento
A resultar em agudeza de angústia.

Por que saber o modo que viverei?
Já me basta a fragilidade do ser,
Ingratidão que se revela no olhar.

Torpor, forma de encarar a vida
Sem dor é mentira, puro engano.
Torpor não é saída ou resposta

É apatia, amputar a percepção
Impedindo de se experienciar
Cada dor, conquista e sucesso.


#papolivre

Os caminhos percorridos podem nos levar a diferentes percepções resultando nos efeitos mais profundos, mas o prazer experimentado não significa que as escolhas realizadas sejam benéficas [Provérbios 14.12]. A fuga da realidade – seja ela qual for – pode até seduzir e trazer alívio, porém, a medida que ela vira rotina o paraíso se transforma em cárcere, aprisionando na dependência a liberdade e o escape se torna gatilho do torpor que anula vontades, dificultando a conversão dos passos através do arrependimento.

Ósculos e amplexos,

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