Tentando direcionar o combate a um denominador comum, nos últimos dias surgiram algumas teorias apontando o provável culpado pela pandemia que tem assolado o mundo.

A mais famosa, endossada pela estrema direita dos Estados Unidos, atribuiu a responsabilidade à China, principalmente depois que o senador republicano, Tom Cotton, dizer que o coronavírus teria sido desenvolvido num laboratório secreto de biotecnologia nos arredores de Wuhan.

No outro extremo, o Ministério das Relações Exteriores da China devolveu a culpa pros Estados Unidos, responsabilizando o Exército Americano por levar a epidemia pra Wuhan, depois de participar dos Jogos Militares Mundiais, realizados em Wuhan em outubro – pouco antes da cidade se tornar no epicentro do COVID-19.

Uma terceira teoria diz que o coronavírus é causado pelas antenas de 5G que, por operarem em frequências menores, acabariam causando problemas respiratórios, que só aumentam devido a maior necessidade de instalação delas, já que possuem uma cobertura de menor alcance.

Tendo expostas às teorias, agora chegou o momento de descartar cada uma. Começando por um país responsabilizar o outro, tudo não passou de jogo geopolítico visando benefício próprio, ao invés de “unir forças pra derrotar um inimigo comum que não reconhece fronteiras políticas ou geográficas”, conforme disse Yonden Lhatoo, o que só agravou a situação, até Donald Trump se ver obrigado a reconhecer que a China não teve responsabilidade alguma, enquanto isso as autoridades chinesas têm se preparado pra segunda onda de contágios devido ao COVID-19.

Já a terceira teoria, ainda não existem estudos sérios suficientes que comprovem o perigo do 5G, mas um estudo genético, realizado por pesquisadores dos Estados Unidos, Escócia e Austrália, publicado na revista Nature Medicine, em 17 de março, traz evidências de que é improvável que o coronavírus tenha surgido através da manipulação laboratorial, mas que ele é resultado de uma evolução natural que, provavelmente, se deu após o contato com algum animal ainda desconhecido.

O fato é que muitas pessoas estão atrás de respostas, buscando se informar, enquanto outras ficam atentas a quem tem se aproveitado desse quadro pra realizar manobras obscuras.

Só que, antes mesmo disso, a coisa já não andava muito boa pro presidente, mas depois de uma quarentena força, e ser instigada pela mídia controladora, a população tem se voltado contra Jair Bolsonaro. Já no outro extremo, alguns têm espalhado especulações do que tem ocorrido debaixo dos panos e quem estaria arquitetando não apenas o impeachment do presidente, mas a entrega da nação nas mãos de mercenários.

“Na era do pós-verdade, talvez o perigo mais fatal, devido à ânsia, medo ou desejo de alertar sobre o que está acontecendo, nem seja compartilhar fake news, mas incorrer no erro de sobrecarregar as pessoas com notícias desnecessárias, ainda que verdadeiras.”

Saber isso implica em nossa responsabilidade, não apenas por evitar a disseminação do COVID-19, mas também da importância de nos posicionarmos. Enquanto alguns têm reagido batendo panela de suas janelas, outros compartilham tais informações, tentando despertar o senso de responsabilidade dos familiares e amigos.

Só que, na era do pós-verdade, talvez o perigo mais fatal, devido à ânsia, medo ou desejo de alertar sobre o que está acontecendo, nem seja compartilhar fake news, mas incorrer no erro de sobrecarregar as pessoas com notícias desnecessárias, ainda que verdadeiras.

Pode parecer absurdo o que falei e, se isso fez ficar de boca aberta, afirmo isso de uma forma ainda mais clara: o que tem causado um tremendo mal-estar a sociedade é a busca por conhecimento irrelevante.

Por mais que a gente aprenda que o conhecimento molda nossa mente, transformando intelecto e vidas, a ponto de nos tornar conhecidos e celebrados, dependendo de como se dá a busca, pode fazer mal.

Mais do que responsabilizar algo, é preciso entender que eles são meros agentes, ou meios pelos quais se chega a um fim, não são os verdadeiros culpados pela situação crítica que estamos vivendo.

A partir da eleição de Abraão [Gênesis 12.1-3], a nação de Israel foi criada centrada na vontade de D-s, como resultado, tudo girava ao redor dos estatutos e leis divinas [Deuteronômio 30.16], mas caso eles se desviassem desses mandamentos haveria consequências ruins [Deuteronômio 30.17-20].

Assim, quando algo de ruim lhes sucedia, como perseguição pelos inimigos [Juízes 6.1-6], assolação de pragas [Joel 1.4-7] ou mal [Números 21.5-7], havia seca [1 Reis 17.1, 1 Reis 18.1] ou fome [2 Samuel 21.1], ou ainda quando foram levados em cativeiro [Daniel 1.1-2], sabiam Quem era o responsável por aquilo, reconhecendo a potente mão do Senhor [Isaías 41.20], se voltando a Ele [Jeremias 29.13] ao invés de culpar quem os estava subjugava [Neemias 1.3-6].

Não apenas a nação de Israel reconhecia a responsabilidade de D-s pelo mal que lhes sucedia, como aconteceu com os filisteus [1 Samuel 5.6-7] e até mesmo Adoni-Bezeque [Juízes 1.4-7]. O próprio Nabucodonosor – o mais poderoso rei da Babilônia, que dominou o mundo antigo – precisou ficar louco pra reconhecer que, independente da força, desejo, intelecto e garra, tudo que conquistou só foi possível porque D-s assim o quis [Daniel 4.25-37].

“O que tem causado um tremendo mal-estar a sociedade é a busca por conhecimento irrelevante.”

Desde criança, pedia sabedoria e ciência a D-s, o maior desejo era conhecer as profundezas das riquezas, ocultas ao entendimento natural [Romanos 11.33], embora achasse que talvez isso fosse ocorrer apenas na eternidade, mas o Espírito Santo me proporcionou esse conhecimento.

Hoje possuo um entendimento concatenado, capaz de criar profundas relações, que me permite ver a conexão entre diversos versículos e profecias bíblicas. O mesmo ocorre com qualquer área do conhecimento humano, consigo traçar um paralelo entre eles e a Bíblia.

Entretanto, tudo isso me levou a enxergar que o que nos aproxima de D-s é algo que não exige tanto conhecimento assim, apenas obediência, sendo apenas isso que Ele deseja de nós [1 Samuel 15.22].

Acreditar em D-s consiste em fé – uma confiança inabalável – só que essa convicção deve resultar em prática, ou seja, em obediência. A fé já nos basta pra fazer saber o que é necessário, pois ela nos faz entender que tudo que existe foi criado pela palavra de D-s [Hebreus 11.3], assim como narrado na Bíblia.

A partir da crianção do homem, tudo que D-s deseja de nós é obediência [Gênesis 2.16-17], mas a gana em obter conhecimento foi maior, levando Adão a desobedecer [Gênesis 3.4-7] e todo universo – 4ª dimensão, segundo a física – a um estado lastimável [Romanos 8.22] de decadência moral e espiritual [Gênesis 3.17, Romanos 3.23].

O excesso de conhecimento, ou de informações, além de perigoso, causar medo e deixar alguém paranoico – Nikola Tesla que o diga – pode resultar em danos ainda mais profundos.

Conforme identificou Augusto Cury, o excesso de informações – a qual somos bombardeados constantemente – nos têm levado a desenvolver a Síndrome do Pensamento Acelerado. Como resultado, ficamos mais agitados, além de ter lapsos de memória, déficit de atenção, ainda ficamos mais suscetíveis ao estresse, ansiedade, insatisfação, cansaço, mudança de humor repentina e a doenças psicossomáticas – apenas pra citar alguns sintomas.

“O conhecimento molda nossa mente, transformando intelecto e vidas, a ponto de nos tornar conhecidos e celebrados, dependendo de como se dá a busca, pode fazer mal.”

Se isso parece exagero, então diga quantos números de telefone você sabe de cabeça – sem contar o seu – nossas mentes estão tão sobrecarregadas que temos dificuldades de armazenar e recuperar informações simples do dia-a-dia. Já os povos antigos costumavam transferir sua história através da tradição oral – o que exigia uma excelente memória – foi assim com os primeiros registros bíblicos, até Moisés os transcrever no Pentateuco.

Isso prova que o excesso de informações tem deteriorando nossas mentes, mostrando que o conhecimento desnecessário pode ser prejudicial. Apesar da incrível capacidade do cérebro de processar, armazenar e criar relações – a ponto do sistema de inteligência artificial mais avançado não o poder sintetizar – existe um limite.

Sabendo disso, quando D-s contou da recriação do mundo – sim, a narrativa que se encontra no início de Gênesis foi feita pelo próprio Eterno – Ele não sobrecarregou Adão e Eva falando da Teoria da Relatividade Geral, distorção no espaço-tempo ou ainda do entrelaçamento quântico, apenas deu uma sinopse do que houve no primeiro dia e, assim, sucessivamente – também não falou do que houve anteriormente a criação do homem.

Outro ponto a considerar é que o aumento da ciência – conhecimento – nos últimos dias [Daniel 12.4] tem levado pessoas a deixar de lado o que deveríamos meditar dia e noite [Josué 1.8], chegando até a apostatar da fé, dando ouvido a conhecimentos de demônios [1 Timóteo 4.1-2], resultando no esfriamento do amor [Mateus 24.12].

A palavra usada pra falar sobre o aumento de iniquidade, maldade ou pecado, é ἀνομία (anomia) que possui ainda o significado de ilegalidade, impiedade, transgressão, injustiça e desprezo ou violação da lei, ou seja, o abandono da vontade de D-s é que tem reduzido o amor do mundo e de nossas vidas.

“Tempos de aflição servem pra nos aproximar de D-s, enquanto isolamento cria a oportunidade de ir pro secreto, onde falamos direito com o Pai.”

A medida que a gente tem mais conhecimento do mundo e menos do Pai, fica difícil acertar a vontade dEle e amar da maneira certa, por isso Cristo nos convida a aprender mais de si [Mateus 11.28-30]. Deixemos de lado o conhecimento vão que só nos afasta da verdade [1 Timóteo 6.20-21], pois apenas ela é quem nos pode libertar [João 8.32].

Se há um responsável pela aflição que tomou o mundo, ela é total de D-s, que permitiu esse tempo pra gente se achegar a Ele [2 Crônicas 7.14], pra que tenhamos mais comunhão. Tempos de aflição servem pra nos aproximar de D-s, enquanto isolamento cria a oportunidade de ir pro secreto, onde falamos direito com o Pai [Mateus 6.6].

Já é hora de parar de procurar culpados e se meter em teorias que só vão servir pra nos deixar de cabelo em pé, causando palpitações, e erguer nossos olhos, pois, independente da situação, ou do que estamos passando, nosso socorro vem de D-s [Salmos 121.1-2]. Ele é quem nos acude nos dias de angústia, assim não precisamos temer mesmo diante de pandemia [Salmos 46.1-3].

Que possamos nos voltar à D-s, como fez o povo de Nínive [Jonas 3.4-10], reconhecer nossos pecados [2 Crônicas 6.26-31] e dependência dEle e clamar por sua imensa misericórdia. Vamos nos ocupar de conhecer cada vez mais ao Pai [Oséias 6.3], pois Ele é quem nos está afligindo, assim sendo, também poderá nos curar [Oséias 6.1].

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura



Com informações de
YouTube – Débora G. Barbosa
Jornal da USP
Observador
Globo – G1, Revista Galileu, Época
TuaSaúde
Superinteressante
Nature
UNESDOC
Wikipédia 1,2
Jovem Pan
BBC