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Poesificando Quando o pesar me cai sobre os olhos - .inversivel
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Poesificando: Quando o pesar me cai sobre os olhos
Joanna Nix-Walkup/ Unsplash

Quando o pesar me cai sobre os olhos

Ao fechar os olhos meus
Todo resto vai, partindo-se,
Esvaindo medos e temores
Todos os sentidos se perdem.

Já não há mais existência,
Menos ainda lembrança,
Mergulho na dormência
Onde tudo é vazio, apagão.

Aos fechar os olhos meus
Somem dores e tristezas,
Pesos e momentos ruins,
Tudo passa a não existir.

Libertando-me a alma
Em liberdade vou a vagar,
Toda forma se deforma,
Virando sopro, desfaz.

Ao fechar os olhos meus
Condenação vira vapor,
Cobranças liquidificam,
Medos a nada definham.

O pesar inicia partida,
Flutuando entre nuvens,
Cada jugo se faz suave,
Tempestades têm fim.

Ao fechar os olhos meus
Joanna Nix-Walkup/ Unsplash

Ao fechar os olhos meus
Cada palavra vira frescor
De um novo dia a raiar,
Onde vem a chuva regar.

Mergulho, profundo coma,
Carregado pelas nuvens,
Embalado sou pelo vento,
Da chuvarada há melodias.

Ao fechar os olhos meus
Trevas já não assustam,
Mas envolvem, confortam,
Diferença não existe mais.

Desfazendo-se em luz
Tudo passa a brilhar,
Pra depois submergir
No silêncio do sossego.

Ao fechar os olhos meus
Sinto aquilo que esqueci.
Sensações, tranquilidade,
Convidam a ali permanecer.

De mansidão o corpo inunda,
Hormônios, soltos, relaxam,
Causando boas impressões,
Das sinapses a serenidade.

Ao fechar os olhos meus
Todo sofrimento se esquece,
Minhas forças se renovam,
Ao redor do sol vou a girar.

Todas as coisas se ignora
Adolfo Félix/ Unsplash

Todas as coisas se ignora,
Restando o que pode ser.
Talvez perdido nas brumas
Me refaça com o imaterial.

Ao fechar os olhos meus
Entre vigília e dormência,
Pela leveza sou carregado,
Arrastado entre as ondas,

Convidado a não sentir
As dores e deficiências
Tragas pela substância
Já gasta, em decadência.

Ao fechar os olhos meus
Toda confusão e dúvidas
Acalmam em meio a doses
De intensa harmonia e paz.

O mal, enfim, deixa de estar,
Precipita no esquecimento,
Perde poder, o lugar cede,
Ao bem que se deve achar.

Ao fechar os olhos meus
Experiencio sensações,
Em profundeza o descanso
Submerge as portas,

Alivia dores e sintomas;
Refúgio oculto, alto retiro,
Sob asas se encontra abrigo,
Espalhando no ar mansidão.

Salto na não existência
Blake Cheek/ Unsplash

Ao fechar os olhos meus
Um salto na não existência.
Calma que realidade não traz,
Cessa o que a mente encheu.

Necessidades desaparecem,
O sentido se acha perdido,
Desejo de ali permanecer
Até tudo ser restaurado.

Não é vontade de sumir,
Só desejo de sentir a paz,
Ser inundado de bonança
Sem importar preocupações.

Levado sou fora da realidade,
Com sensações não pervertidas,
Só restando paz que fortalece.
O frescor dissolve pelo corpo.

Ali me lanço não por medo,
Muito menos tentando fugir,
Mas quando lá me encontro
Não é preciso pesar decisões,

Avaliar planos e pensamentos,
Verificando todas as intenções,
Na procura de entender o que
Uma explicação não pode ter.

Enquanto mergulho, não busco
Só proteção, descanso e alento,
Mas completude que já perdi,
Encontro o que nem busquei.

Torpor e alívio entrelaçam,
Criando complexo sensorial.
Ali me encontro com quem
Ainda não pude me tornar.


#papolivre

Sono é descanso pros sentidos, enquanto a mente realoca pensamentos e se organiza pra continuar funcionando com desempenho total, brincando de produzir sonhos, onde a criatividade corre solta.

Apesar de dormir pouco, anos atrás descobri o quanto o sono é reparador. Quando estava com alguma dor psicossomática, pesava a imensidão da tristeza ou a mente disparava sem controle, bastava dormir; mesmo um cochilo era reparador, renovando e devolvendo a disposição.

Os egípcios, acreditavam que toda vez que o sol cedia lugar a lua era devorado, sendo apagado pra renascer na manhã seguinte. Dormir é morrer diariamente, mas cada vez que os olhos se abrem retornamos mais fortes e restaurados, prontos pra brilhar, rumo a algo melhor que fomos dias atrás.

Ósculos e amplexos,

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