Pela janela, a vida passou e sorrindo acenou pra mim

Pela janela vi a vida passeando,
Meio corrida, um tanto mais de vagar,
Mas num ritmo diferente do que imaginei.

A visão que tive daqui
É diferente do que se experimenta de lá,
Entre frenéticos passos tentando alcançar
Um tempo que não espera
E um caminhar descontraído só pra ver
O que o dia a dia oculta-nos da visão.

Daqui de cima, se percebe a grandeza
Que o viver proporciona.
Mesmo em minha pequenez
Esse sentimento desperta
Uma necessidade de querer viver intensamente.

Sabendo que aqui, onde tudo não passa de sombras
Daquilo que o tempo não pode conter,
Somos todos um, apesar de divergentes.

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E que apesar de intensa e prazerosa,
Esperar apenas nessa vida é esquecer
Que na dimensão onde só existe luz,
Onde não há sombras ou escuridão,
Há um prazer tão verdadeiro
Que apenas um novo corpo pode provar.

E se as cores são belas, sentimentos fortes,
Músicas envolventes,
A natureza profunda e relaxante,
Onde sentidos se confundem num ápice de prazer,

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No dia em que conhecermos a Verdade absoluta,
Inteiramente como somos conhecidos,
Veremos que o que começou aqui
Não passa de eco da eternidade,
Por isso sigo, sem abrir mão de minhas escolhas.

Meu viver é entrega, embora isso me custe
E o morrer é certeza de liberdade.
Enquanto decido viver, posso todas as coisas
E mesmo que não acerte
Há sempre possibilidades de corrigir a rota.

Fecho a janela, cumprimentado
Pela última brisa que escapou,
Enquanto o céu escurece,
Ocultando a luz que iluminava o dia,
Permanece em mim a Luz que mostra
Onde meus cansados pés devem ir.

Veja também  Cansado daqui, ele foi, entre as nuvens, curtir o vento da liberdade (In memorian)

Assim vou tendo, de janela em janela,
Uma percepção diferente daquilo
Que olhos ainda não enxergam,
Nem havia soado aos ouvidos,
Ou chegado ao coração.

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Mas quando meus passos seguem lá embaixo
Sou como outro a vagar
Pelo caminho que de cima vi
E quem sabe não seja eu o motivo
De outra poética inspiração
A correr solta por janelas
Abertas ao vento, chuva, sol e lua.


 

#freetalk
É engraçado como algo simples e tão presente, como uma janela, pode nos mostrar tanta coisa e fazer a gente refletir sobre a vida, viajando em filosofias que fazem parte de nós mesmos, sem que muitas vezes a gente se dê conta e foi exatamente assim que nasceu esse poema.

Eu estava a passeio com minha família em Poços de Caldas, então olhei pra janela do prédio que ficamos e me deixei livre pra sentir a inspiração que ela proporcionava, assim as palavras começaram a se formar, virando sentenças, até trazerem a profundidade que os dias nos tentam roubar.

Meu caso de amor com janelas é antigo, por elas sempre observei a imensidão do céu e a chuva cair, ainda mais porque minha cama fica ao lado de uma, por onde tenho a felicidade de contemplar o sol despertar e quando se põe a dormir, além das floridas árvores bailando ao vento.

Pela janela o céu mostra lindas paisagens, ali enxergamos tanta coisa, mas principalmente é onde vemos a vida passar, em diferentes ritmos e intransigentes estações, que apática a qualquer desejo de controle, segue em seu próprio compasso, rumo a algo maior.

Ósculos e amplexes,

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