Ao fechar os olhos meus
Todo resto vai, partindo-se,
Esvaindo medos e temores
Todos sentidos se perdem.

Já não há mais existência,
Menos ainda lembrança,
Mergulho na dormência
Onde tudo que há é vazio.

Aos fechar os olhos meus
Somem dores e tristezas
Pesos e momentos ruins
Tudo passa a não existir.

Libertando-me a alma
Livre segue a vaguear,
Toda forma deforma
Virando sopro, desfaz.

Ao fechar os olhos meus
Condenação vira vapor,
Cobranças liquidificam,
Medos a nada definham.

O pesar inicia partida,
Flutuando entre nuvens,
Cada jugo se faz suave
Tempestades desfazem.

Ao fechar os olhos meus
Cada palavra vira frescor
Do ensolarado dia novo
Onde a chuva vem regar.

Mergulho, profundo coma,
Carregado pelas nuvens,
Embalado sou pelo vento,
Da chuva ouço melodias.

Ao fechar os olhos meus
Trevas já não assustam,
Mas envolvem, confortam,
Diferença não existe mais.

Desfazendo-se em luz
Tudo começa a brilhar,
Pra depois submergir
No silêncio do sossego.

Ao fechar os olhos meus
Posso sentir que esqueci.
Sensações, tranquilidade,
Convidam ali permanecer.

De mansidão o corpo inunda,
Hormônios, soltos, relaxam,
Causando boas sensações,
Das sinapses a serenidade.

Ao fechar os olhos meus
Todo sofrimento se olvida,
Minhas forças se renovam,
Em volta do sol vou a girar.

Todas as coisas se ignora,
Restando o que pode ser.
Talvez perdido nas brumas
Me refaça com o imaterial.

Ao fechar os olhos meus
Entre vigília e dormência,
Levado sou suavemente,
Arrastado pelas ondas,

Convidado a não sentir
As dores e deficiências
Tragas pela substância
Já gasta, bem decadente.

Ao fechar os olhos meus
Toda confusão e as dúvidas
Acalmam em meio a intensas
Doses de harmonizante paz.

O mal, enfim, deixa de estar,
Precipita no esquecimento,
Perde o poder, lugar cede,
Ao bem que se deve estar.

Ao fechar os olhos meus
Experiencio sensações,
Profundo relaxamento,
Distinto toma as portas,

Alivia dores e impressões,
Refúgio oculto, alto retiro,
Sob as asas vou me abrigar,
Sentindo no ar a mansidão.

Ao fechar os olhos meus
Um salto na não existência.
Calma que realidade não traz,
Cessa o que a mente encheu.

Necessidades desaparecem,
O sentido se acha perdido,
Desejo de ali permanecer
Até tudo ser restaurado.

Não é vontade de sumir,
Só desejo de sentir a paz,
Ser inundado de bonança
Sem importar preocupação.

Levado sou fora de realidade,
Com sensações não pervertidas,
Só restando paz que fortalece.
O frescor dissolve pelo corpo.

Ali me lanço não por medo,
Muito menos tentando fugir,
Mas quando lá me encontro
Não é preciso pesar decisões,

Avaliar planos e pensamentos,
Verificando todas as intenções,
Procurando entender o que
Não pode uma explicação ter.

Enquanto mergulho não busco
Só proteção, descanso e alento,
Mas completude que já perdi,
Encontro o que nem procurei.

Torpor e alívio entrelaçam
Criando complexo sensorial.
Ali me encontro com quem
Ainda não pude me tornar.


#freetalk

Sono é descanso pros sentidos, enquanto a mente realoca pensamentos e se organiza pra continuar funcionando com desempenho total, enquanto isso vai brincando de produzir sonhos, fazendo a criatividade correr solta.

Apesar de ultimamente dormir pouco, alguns anos atrás descobri o quanto o sono pode ser reparador. Sempre que estava me sentindo mal ou com alguma dor, principalmente psicossomática, quando a mente disparava, sem poder controlá-la ou, ainda, quando sentia uma imensa tristeza, basta dormir, às vezes um simples cochilo era suficiente, pra me fazer sentir renovado e bem disposto novamente.

Os antigos acreditavam que toda vez que o sol cedia lugar a lua é porque ele era dovorado ou estava morrendo, até nascer na manhã seguinte. Acredito que dormir seja como morrer, assim, ao fechar os olhos morremos diariamente, pra renascer mais fortes e restaurados, rumo a algo melhor do que fomos dias atrás.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura