#episodioanterior

Amante da cultura geek, Red gosta de desenhar e é bastante disperso, porém, mesmo em plena era da modernidade – diferente da maioria – ele detesta redes sociais, apesar de estar em várias delas – o que acaba por ser meio incoerente.

Mas um desafio o fará rever seus conceitos e retornar pras redes sociais, enquanto a geral começa adicionar uma novoca, dando atenção total pra garota, fazendo com que surjam dúvidas de quem seja ela.

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Assim que o papo começou, Red viu Emie o tratar da mesma forma carinhosa que os outros garotos, algo já esperado, mas conforme a conversa continuou, foi se evidenciando que ela não estava apenas fingindo, aquele era mesmo o jeitinho dela, carregado de ares de inocência.

Red olhou em volta, procurando Zack, só então se deu conta de que ele já tinha ido, o amigo costumava ficar até mais tarde, mas dessa vez evaporou sem ser percebido, provavelmente devia ter saído com a turma, distraído Red não o viu passar.

— Que foi que cê tá com essa cara de tonto? – Zie perguntou assim que viu Red todo risonho, enquanto olhava pro celular, no intervalo do monitoramento de quinta.

— Nada, só um vídeo de bebê guaxinim achando que um gatinho é pelúcia. – Ele riu se desfazendo ante tamanha fofura.

— Deixa eu ver! – As palavras gatinho e vídeo na mesma frase, fizeram as pupilas de Zie dilatar e ela deu o bote, tomando o celular da mão do amigo. – Tão fofo! – Ela se sentiu contagiada após a mídia terminar.

— Não é!? – Red concordou.

— Me manda! – Ela pediu, devolvendo o celular.

Assim que recebeu o vídeo, Zie o viu várias vezes, até esqueceu que estava estagiando.

— Garoto, viciei no vídeo! Pra que cê foi me mandar? – Ela quis saber enquanto faziam os relatórios.

“A beleza das coisas se oculta do olhar superficial, só é percebida quando se observa com profundidade.”

— Ué, cê que pediu pra enviar.

— Porque cê me mostrou.

— Eu não, cê que tomou o celular da minha mão.

— Porque cê comentou o que tava vendo.

— Oras! Só disse porque cê perguntou!

— Mas a culpa foi sua, cê sabe que não resisto vídeo de gatinho, não devia ter falado o que era.

— Daí você…

— Ai, garoto, fica quieto! Aceita que tô certa e pronto!

Zie já sabia que Red era assim, toda vez que estipulava algo, ele sempre tinha uma resposta pronta, mas como ela detestava admitir que estava errada, acabava perdendo a paciência.

— Tá bom…

A resposta emitiu um tom de desdenho que só a irritou mais, então Zie resolveu se calar e respirou fundo.

— Red? – Incomodada com o silêncio que se estabeleceu no laboratório, quebrado apenas pelo som das teclas sendo pressionados, Zie chamou o amigo.

— Oi? – Ele respondeu, sem se quer tirar os olhos do computador.

— Quem te mandou?

— Mandou o quê?

— O vídeo lá… do gatinho? – Ela tentou puxar assunto, só pra ter o que conversar.

“Amor não cega, mas amplia a visão pro encanto além da estética que seca feito erva ou murcha como flor.”

O lugar ali, apesar de ficar no centro, era bastante tranquilo já que o comércio costumava fechar cedo.

— Ah! Uma colega aí… – Red falou sem dar muita importância.

— Alguém que conheço?

— Acho que não…

— Faz tempo que cês se conhece?

— Nem tanto…

— Por acaso não é aquela garota… que a geral tava adicionando, né? – Ela chutou.

Quando Red a olhou, meio sem graça, de bochechas vermelhas, ela soube a resposta. Zie costumava ter boa intuição, toda vez que um estalo surgia ela acabava acertando, mesmo sem querer.

Ela se disse incrédula do amigo estar nesse nível de proximidade e que ele estava perdendo o foco, Red discordou, afinal, vídeos de gatinhos são patrimônios da humanidade, assim mereciam compartilhamento sem necessitar de qualquer grau de intimidade, mas a resposta a deixou com a pulga atrás da orelha.

Antes Zie tivesse usado algum antipulga, pois com o passar dos dias, o amigo que entrou nessa pra provar que a garota não era tudo aquilo, ficava cada vez mais parecido com os outros babões.

— Tudo culpa do Zack e aquela boca grande dele! – Zie resmungou pra si mesma.

O amigo conheceu Emie no Hopi Hari, semanas antes. Ele estava na fila da montanha-russa, quando ela passou, no instante que os olhares se cruzaram, uma faísca o eletrocutou, ao puxá-la pra si, Emie exibiu um sorriso inocente, o beijo foi instantâneo e teve um sabor especial, bem além da menta e do açúcar impregnados na língua dela.

O beijo quase que não acaba e foi emendado com outros, enquanto eles ficavam agarradinhos. Percebendo que os amigos tinham se afastado, Emie disse que precisava ir, mas quando foi se afastando, Zack lhe segurou a mão e pediu pra esperar.

“As pessoas falam sobre temas mais profundos ou que causem impacto real, elas apenas soltam o que vem na mente.”

— Vai agora não. – Os olhos se encontraram. – Fica um pouco mais na minha vida. – Ele deu um sorriso lindo.

Ela achou tão fofo o que ouviu e como ele beijava bem, além das sensações que sentia despertar ao olhá-la, Emie resolveu ficar, na mesma hora ele esqueceu do brinquedo e das horas que perdeu esperando na fila, daí saíram de mãos dadas e passaram o resto do dia juntos.

No momento de ir embora, um longo beijo selou a despedida, apesar dos bons momentos, Zack não pegou contato nenhum de Emie, ele até achou melhor que ela também não tivesse dito nada – ele preferia pegar, não se apegar – então cada um foi pra seu respectivo ônibus, seguir o trajeto de volta pra casa e fim.

Pelo menos era pra ter sido assim, o problema é que quando chegou em casa, Zack entrou numa vibe que o fez lembrar o quanto ficar com Emie tinha sido bom.

— Devia ter pegado o contato dela só pra manter amizade. – Ele ralhou com si mesmo.

Zack sabia apenas o nome da garota, ao pesquisar por Emily, na rede social, viu que ele era mais comum do que parecia, foi aí que lembrou de ter ouvido um dos amigos a chamar de Moranguete, bastou complementar a busca e rapidamente surgiu o perfil dela, então ele enviou a solicitação, a partir daí os dois não pararam mais de conversar.

Depois disso Emie viu um aumento esporádico do gênero masculino a lhe adicionar e foi os aceitando um a um, vendo-os tão simpáticos, não teve como não tratá-los de modo diferente – até porque o natural dela já era ser fofa.

Sábadão, emenda de feriado, já que o carnaval caiu na sexta, Red aproveitou pra passear com os amigos, eles preferiram se afastar da bagunça e barulheira causada pela festança, ainda mais depois que os bloquinhos acabaram disseminando, se tornando uma das maiores atrações da cidade, o centro foi tomado, não tinha como passar sem entrar na folia.

A mãe de sua melhor amiga, Iowa Dern, tinha um sítio, lindo feito os que se vê em cartão postal, como a mãe dela era descendente de japoneses, o lugar vivia impecável, por isso era difícil ele não estar alugado, mas ela agendou com antecedência pra levar os amigos e o namorado.

Logo que chegou, Red encostou no parapeito do mirante, próximo à piscina, só pra ver o dia nascer mais lindo, dali era possível contemplar a grama bem aparada cobrindo todo sítio, com imensas árvores mais ao fundo, por fim, o céu surgia por trás das nuvens, com uma beleza digna de ser registrada, não à toa aquele era o lugar preferido dos visitantes pra tirar foto.

As horas passaram e o sol foi ficando mais quente, apesar disso, Red enrolou pra entrar na piscina, mesmo com água clarinha convidativa, o máximo que fez tirar os tênis e deixar os pés submersos, enquanto os balançava.

Mesmo a galera convidando ele não entrou, apenas agradeceu dizendo que daquele jeito estava bom – o que era maior mentira, Red estava quase derretendo, pois, além de estar calor demais, ele ainda estava de sarja preta e camisa xadrez verde turquesa.

O que acontece é que como Red não sabia nadar ou boiar, preferiu ficar de fora, não via graça só de entrar e ficar parado lá dentro ou no máximo, andar de um lado pro outro. O que ele nunca contou – até porque o tamanho não tornava possível de compreender – é que tinha medo de se afogar, o que não chegava a ser pânico, mas a ideia o assustava o suficiente pra preferir escaldar no calor que entrar na água.

Foi quando percebeu um movimento suspeito por parte dos garotos em sua direção, então ele afastou da piscina, olhando pra trás pra ver se não tinham se aproximado demais, ao voltar os olhos pra frente levou maior susto, outros dois tinham dado a volta na casa e estavam quase colando nele.

Tentando escapar, ele seguiu pra única direção livre, o mirante, pra descer as escadas, indo pra parte mais baixa e dificultar ao máximo de o jogar na piscina, quando os garotos foram pra cima, Red resistiu o quanto pode, mas em maior número eles o dominaram, pegando ele por braços e pernas.

Desesperado, Red começou a se debater, vendo que não tinha como escapar, forçou com tudo o corpo pra fora do parapeito, sem se importar com o que podia acontecer caso fosse precipitado duma altura daquelas.

Percebendo que insistir podia dar ruim feio, os garotos desistiram e resolveram o deixar em paz, pelo menos naquele momento – talvez o pegar quando estivesse longe do parapeito e distraído fosse mais seguro, já que a ideia era apenas fazer um trote não causar algum acidente.

Assim que escapou, Red resolveu dar uma sumida – até porque os garotos continuaram rodeando – então disse que ninguém precisava jogá-lo, que ia só trocar de roupa e voltava pra entrar por si mesmo.

Com roupa mais apropriada – ou sem, já que ficou apenas de short – ele seguiu pro banheiro munido do Kindle e ficou lendo Scott Pilgrim, sem se importar com tempo, a saga do garoto encarando os ex-namorados malvados pra ficar com Ramona estava mais interessante – ele optou pela leitura até porque desde que chegou, estava completamente sem sinal, então nem tinha como enviar e receber mensagens ou navegar na Web.

Ao observar o smartwatch, calculou que já devia ter dado o tempo pros garotos esquecê-lo, indicando que estava seguro pra entrar na piscina por livre e espontânea pressão, até porque se demorasse mais podiam dar pela falta dele, aí era certeza que não ia ter escapatória.

— Até que fim! – O namorado da amiga berrou, fazendo todos olhares se voltar pra Red.

— Isso aí, vai lá, migo! – Iowa incentivou.

Vendo-o se aproximar, cheio de marra, em direção a piscina, a galera vibrou. Como Red tinha decidido fazer isso por vontade própria, os garotos respeitaram a decisão dele – até porque estavam doloridos de tentar fazê-lo entrar a força.

Chegando perto da beirada, Red tirou as Havaianas, se abaixou, sentou e desceu escorregando pra dentro d’água. Só se ouviu a enxurrada de vaias, enquanto ele se debruçava na borda, de onde ficou batendo os pés.

— Poxa, Red, a gente pensou que ia rolar mortal, cê chegou cheio de atitude. – O namorado de Iowa lamentou.

— Quem sabe depois!? – Ele riu com a galera.

Pouco depois, veio a melhor parte, churrasco – a carne estava do jeito que ele gostava, meio mal passada, o que a deixava mais macia e suculenta – pra acompanhar uma deliciosa salada de maionese, farofa, vinagrete e muito suco natural, de sobremesa havia uma bela salada de frutas.

De noite, Red encontrou uma rede onde ficou se balançado e, enquanto curtia a brisa soprar suave, se pôs a admirar o céu estrelado, foi aí que uma luz começou a piscar. Olhando em volta ele buscou encontrar algum vaga-lume, quando olhou pra baixo viu que o brilho vinha do celular, ao desbloqueá-lo havia uma pá de mensagens, inclusive de Emie.

Red mal acreditou na sorte que tinha, sem querer acabou descobrindo o único ponto do sítio que tinha rede – era mesmo irônico demais que apenas na rede tivesse sinal.

Então, ele aproveitou pra ligar pra Emie, a voz dela carregava o som da felicidade – a mesma de uma amiga sua, bem divertida, o que aumentou o sentimento de proximidade. Eles conversaram por um bom tempo, enquanto os assuntos brotavam de uma nascente inesgotável.

Depois de falar com Emie, Red voltou a olhar o céu, naquela noite as estrelas brilhavam mais que das outras vezes – algo que só um coração apaixonado permitia enxergar. A beleza das coisas se oculta do olhar superficial, só é percebida quando se observa com profundidade, justamente porque o amor não cega, mas amplia a visão pro encanto além da estética que seca feito erva ou murcha como flor, Da Vinci já tinha alertado sobre a beleza efêmera que engoda.

Tão encantado de falar com Emie, Red ficou que, no dia seguinte, mal interagiu com a galera, estranhando a atitude do amigo, Iowa foi atrás dele e o puxou pro meio da galera.

Quando mais novo, Red tinha certa dificuldade de se relacionar com outras crianças, tanto que os pais o levaram pra fazer terapia. Lá a psicóloga identificou que a dificuldade era devida a ele achar as conversas sem graça, os colegas pareciam falar apenas de trivialidades, assim ele preferia se isolar do que interagir com eles e quando alguém tentava se aproximar, acabava se afastando porque ele o fazia parecer idiota por falar coisas à toa.

— Red, você é um garoto incrível e cativante, mas precisa ser paciente, interações consistem na maior parte das vezes de assuntos triviais. – A psicóloga sorriu, o fazendo se sentir especial.

Ela orientou que quando ele visse um grupo devia se aproximar e comentar o assunto sem mostrar o quando aquilo era idiota, afinal, dificilmente as pessoas falam sobre temas mais profundos ou que causem impacto real, elas apenas soltam o que vem na mente. Depois disso ele passou a ser mais comunicativo e aberto, mas vez ou outra, quando algo lhe roubava a atenção, ele acabava se isolando.

Ninguém sabia que quando pequeno ele tinha sido reservado a esse ponto e mesmo se soubessem não iam acreditar, até porque ele falava sem parar, no fim, a terapia o fez ficar extrovertido até demais.

O papo estava tão gostoso que Red acabou esquecendo a causa de ter se isolado, ainda mais porque tinha umas novocas interessantes querendo saber mais dele – ele só não entendeu o motivo, já que não se achava tão interessante assim – mas mesmo diante de tanta simpatia, Marcie, com seu jeitinho fofo, educado, sorriso envolvente e beleza, lhe prendeu a atenção, então eles começaram a se paquerar, pra decepção das outras garotas.

Quando ele estava prestes a chamá-la pra dar um rolê, outra garota, sabe-se lá de onde, veio correndo pra cima dele, Red conseguiu desviar bem a tempo, então ela caiu com tudo na piscina.

Diante da tentativa frustrada a galera caiu na risada, passado o susto, ele fez o mesmo, distraído não percebeu uma mão se aproximando do calcanhar, antes que percebesse já tinha perdido o equilíbrio e desabou na piscina.

No momento que deu por si, estava tentando controlar a respiração e manter-se em pé, mas mão conseguia se equilibrar.

— A maior parte de quem morre afogado é por causa do medo, sendo o corpo mais leve que o empuxo da água a tendência é flutuar. Ninguém se afoga em questão de segundos, o processo pode levar até três minutos na água doce ou dez na salgada, mas o primeiro minuto é essencial pra controlar a respiração, por isso se deve manter a calma pra evitar decisões ruins. – A voz do professor de química lhe veio a mente, então Red se acalmou, conseguindo firmar os pés no fundo da piscina, que nem era tão funda assim.

A água que entrou pelo nariz, serviu apenas pra lembrá-lo que não precisava ter tanto medo, pois bastaram alguns segundos pra controlar os pensamentos e evitar algo mais sério.

Ao olhar pro lado, viu que a garota que o tinha puxado parecia se afogar, só deu tempo de arrastá-la pra beira da piscina, daí alguém a puxou pra fora.

Red já tinha percebido que a garota era meio debochada, mas ela estava mais agitada que o normal porque tinha bebido todas, daí quando inventou de puxá-lo, ele caiu por cima dela que acabou engolindo muita água e quase se afoga. Passado o susto ela disse que fez aquilo porque o mergulho dele, do dia anterior, não tinha valido e se acabou de rir.

De resto, o dia foi bem divertido, ainda mais porque ele aprendeu a curtir a piscina – há males que acabam trazendo resultados bons – ainda mais num dia quente feito aquele. Red entendeu o motivo da galera gostar tanto de água, mesmo sem saber nadar dava pra fazer muita coisa, como jogar vôlei ou só ficar parado ali dentro pra afastar o calor.

O dia só não terminou melhor porque na hora que Red mordeu um dos espetinhos, sentiu um gosto diferente, com um sabor frutado meio quente e dez segundos depois ele saiu desesperado atrás de água, enquanto a geral se acabava de rir.

Algum engraçadinho, querendo dar mais sabor pra carne, colocou uma pitada de chili pepper. Apesar de não ter provas, Red suspeitava do namorado de Iowa, pois além dele ter sido o que mais deu risada, também era zoeiro.

Red voltou renovado do retiro, mais falante e também encantador, o que deixou Zie toda contente, mas com o passar dos dias, a amizade entre ele e Emie só foi aumentando, assim como o tempo de conversa entre eles.


#proximoepisodio

Parece que o jogo virou, não é mesmo? Se aproximar de Emie só fez Red se interessar mais do que devia, mas enquanto o papo entre eles aumentou, alguém não estava gostando nada daquilo.

Cada vez mais viciado em rede social, ele passou a saber tudo que estava acontecendo com os amigos e conhecidos, foi assim que Red descobriu algo muito sério. E agora, José, o que ele deve fazer com a verdade?

Ósculos e amplexos,

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