#episodioanterior

Como se nada do que estava passando fosse suficiente, Lourdes ainda descobre que o marido estava escondendo algo de si e isso lhe deixou assustada, afinal, do que mais ele podia ser capaz?

Quando ele consegue ver o filho, algo inesperado acontece e ela acaba perdendo a consciência e depois de melhorar e voltar pra casa ainda teve que enfrentar a mídia, mas fazer isso mexeu consigo de uma forma que ela não esperava.

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O sol alcançava o ponto mais alto do céu, quando Nandinho e os amigos saíram, um tempo daqueles significava ótimos momentos na praia, só que ao invés disso eles estavam indo trampar – mesmo que isso envolvesse entretenimento, ainda era trabalho. Fazia uma carinha já que não viam a cor do mar, pois quando não estavam no corre, era o cansaço que acabava atrapalhando.

Mesmo que o evento começasse de fato só a noite, como o caminho até BH costumava levar mais de oito horas, eles saíram cedo – até dava pra ir um pouco mais tarde, mas Nandinho fazia questão de chegar antes pra conferir todos os detalhes.

Um dia lindo daqueles – em que a gente se espreguiça bem e fica cheio de inspiração, imaginando como aproveitá-lo melhor – dava nem pra reclamar, a não ser curtir, só que passar todo aquele tempo dentro de um carro acabava sendo uma experiência escaldante.

— Ainda mais porque “alguém” não arrumou o ar-condicionado. – Lucas falou, como quem não queria nada.

— Que adianta ter conversível sem ar-condicionado? – Tiago reclamou, sem poder com o calor. – Não dá pra saber se é pior o teto solar aberto ou fechado. – Ele se abanou, sentindo-se derreter.

— Pô, mas cês reclamam, hein!? – Nandinho se enfezou. – Cês sabem que não tive tempo de ver isso essa semana e, outra, a gente mora tudo junto e todo mundo usa a laza. Vai dizer que cês não se tocaram?

“Ter contatos é o segredo de qualquer negócio bem-sucedido, ter os certos, então, é o que faz alcançar novos patamares.”

— Primo, cê não tinha pedido pro Tiago ver isso? – O comentário o fez recordar.

— Verdade, Dani! – Nandinho olhou pro retrovisor, na direção de Tiago, arqueando as sobrancelhas. – E aí, cabeça, por que cê não fez isso, hein!?

Tiago tentou explicar, mas acabou gaguejando e se atropelou todo, do banco da frente Lucas se esticou pra cutucar o amigo e dar uns pedalas nele. Com a agitação ele acabou batendo no braço de Nandinho, fazendo o carro ir com tudo pro lado e todo mundo ser jogado pra direita.

— Meu, cês não sabe levar nada a sério!? – Nandinho reclamou depois de recuperar a direção. – Isso que dá andar com criança! Por que cês não pode ficar de boas, igual o Dani, nem parece que ele é o novinho aqui.

Foi só ele terminar de falar que os amigos caíram na risada.

— Falando assim té parece que ele é o mais adulto! – Lucas zoou.

— Tô dirigindo, pai! A vida de cês tá na minha responsa, não dá pra brincar. – E deu o assunto por encerrado.

Percebendo a seriedade do momento, os garotos resolveram ficar cada um no seu quadrado. Mais alguns quilômetros a frente, Tiago voltou a resmungar, apesar de Lucas ficar quieto, ele também já não estava mais aguentando a temperatura, só Dani parecia se divertir, olhando tudo com deslumbre – recém-chegado do nordeste, era acostumado ao calor bravo.

Foi então que Dani lembrou de algo e abriu a mochila, tirando de dentro dela uma garrafa de água que trouxe congelada – dava pra ver que ela estava na temperatura certa, até pedra de gelo ainda tinha.

— Pegaí! – Solícito, ele ofereceu.

— Leke, cê é zika memo! – Tiago ficou todo feliz, mas antes da mão conseguir alcançar a garrafa, Lucas foi mais rápido e a tomou antes.

— Primeiro os mais velhos! – Ele sorriu maliciosamente.

— Pô! Maior caô isso aí! – Tiago resmungou e, cruzando os braços, virou de lado, fazendo bico, enquanto colocava a cabeça fora da janela.

“Coisas boas acontecem pra quem se dispõe a buscá-las, ainda que pareçam complicadas demais.”

Bastaram alguns segundos pra algo, meio quente, meio gelado, descer bunda a baixo, fazendo-o pular!

— Que bagulho é esse!? – Ele se assustou. Quando olhou pro lado, Lucas despejava água dentro de seu short. – Tá pinéu, tio!? – Ele ficou muito bravo.

— Pra vê se apaga esse fogo na raba! – Lucas rachou de rir.

— Se fosse isso era mais fácil resolver, parça! – Ele aproveitou que o amigo se rachava e deu o bote na garrafa, puxando-a pra si.

— Cê nem pode reclamar, parcinha, a culpa é… – Ele nem conseguiu terminar, a água que Tiago jogou na sua cara entrou pela boca e por pouco ele não se engasgou.

— Dá pra parar de patifaria aí ou não?! – Nandinho ordenou sério, sem tirar os olhos da direção.

Lucas e Tiago se entreolharam na maldade, antes de Nandinho se dar conta, o mais novo despejou o conteúdo da garrafa dentro de sua camiseta.

— Aaah! – Ele berrou. – Seu filho de uma mãe boa… que não merecia um desgosto desses!

Os moleques riam de se mijar, descontrolados, sem conseguir parar.

— Cês cabô tudo com a água, poxa! – Dani ficou desapontado.

— Cabô não! – Sem que Dani esperasse, Tiago jogou o resto na cara dele. – Agora sim!

Desse jeito a água se foi mais rápido do que se tivesse evaporado, o lado bom é que todos se refrescaram um pouco, mas a sede continuou, já que ninguém conseguiu beber. Pra evitar pneumonia por causa da roupa molhada, Nandinho abriu o teto solar – quente como estava logo eles secaram – o problema foi que quando chegou no próximo posto eles estavam tão sedentos que pareciam ter vindo a pé do nordeste.

A cena foi cômica, ao ver o bebedouro, os quatro saltaram do carro na direção dele, se atropelando e num empurra-empurra, já que quem começava a beber não queria parar mais. A galera que estava no posto ficou impressionada com tamanha voracidade, ainda mais por terem saído de um X6M Black, mas eles nem ligaram, já estavam acostumados com situações bem mais constrangedores, então aquela era fichinha.

Depois de matar a sede desértica, entraram na loja de conveniências e compraram algumas garrafas de água, isotônico, gelo, um cooler e alguns petiscos que eles deviam ter trago já de casa, ao invés de comprar pelo caminho e pagar mais caro.

— Mas advinha quem esqueceu de novo? – Lucas olhou pro Tiago, fazendo cara feia.

— Quem mais seria? – Dani perguntou, rindo pra Tiago.

— Você, pai! – Tiago apontou pro acusador.

— Quem? Eu? – Lucas ergueu a sobrancelha.

— Você! – O garoto estava convicto.

— Eu não! – Ele insistiu.

— Foi sim! Quem roubou o pão na casa do João, comeu tudo e ainda esqueceu de comprar as coisas.

— Tá doido!? Quem sempre compra os bang é cê, Jão! – Lucas apontou o dedo na cara do amigo.

— Só que como eu tava ocupado com as artes das próximas raves, te pedi pra fazer isso. Cê até concordou!

— Éeee… lembro disso não… – Lucas franziu a testa, tentando puxar pela memória.

— Ele pediu na hora que cê tava no celular, com os contatinhos. – Dani ajudou a refrescar a memória.

— Culpa sua que fala quando tô nos esquema! – Não conformado de estar errado, ele deu pedala no amigo.

— Ai! Ai! – Tiago esfregou a nuca. – Cê que tem que prestar atenção, peste!

— Ah! Achei que não era nada de importante e só concordei pra cê calar a boca e não me atrapalhar.

— Cês já acabaram a DR aí ou a gente vai precisar do dia todo pra isso? – Nandinho colocou a cabeça pela janela, acelerando os garotos pra entrar no carro.

Abastecidos e com as intrigas resolvidas, pelo menos por algum tempo, eles pegaram a estrada novamente. Os moleques estressavam Nandinho, mas ele os amava, afinal, eram a família que tinha escolhido.

Por falar em família, fazia alguns anos que Nandinho não via os pais – na verdade, desde que veio pra São Paulo – se bem que eles nunca foram tão apegados. O fato dos três ter uma rotina que os mantinha afastados meio que contribuiu, assim como a independência que veio a partir dos quatro, quando ele começou a fazer jiu-jitsu, chegando até a participar de alguns campeonatos.

Apesar de gostar da prática esportiva, tudo aquilo acabou ficando pra trás, assim que se mudou, pois o jiu-jitsu já não se encaixava na nova rotina – pra manter a forma ele passou a fazer academia e natação, que também serviam de terapia diária, permitindo botar os pensamentos em ordem.

Quando saiu do nordeste, apenas com a cara, a coragem e uma vontade grande de vencer – algo que fez assim que completou dezesseis, já que por lá a emancipação vinha bem mais cedo – a intenção era aparecer de vez em quando, mas primeiro precisou juntar grana, daí surgiram outras coisas pra tomar o tempo, então os amigos acabaram se tornando a família de que precisava.

Nandinho saiu, tendo como destino Araraquara, pois ainda que fosse longe da capital, ainda era São Paulo e como a cidade estava em expansão, ele teria várias oportunidades de trabalho – ele acreditava que coisas boas acontecem pra quem se dispõe a buscá-las, ainda que pareçam complicadas demais.

De fato, não foi difícil arranjar emprego e ele começou a trampar numa metalúrgica, assim deu pra alugar uma casa bacana. Comunicativo como era, Nandinho fazia amizade onde chegava e percebeu que a queixa da geral é que o lugar era parado demais, não tinha evento nenhum – a cidade mais próxima que tinha algo era Barretos, ainda assim não era sempre que tinha show lá.

Como Nandinho era desenrolado e sempre gostou de festa, aproveitou os contatos e começou a organizar resenha – o que não dava pra descolar muita grana, mas pelo menos a diversão de fim de semana estava garantida – assim ele foi pegando as manhas e acabou ganhando o apelido de Nandinho Baladas.

Quando as resenhas ganharam fama pra fechar toda rua – a galera estava mesmo sedenta por algo – já não dava mais grana alguma, ele então ouviu falar de rave, algo que tinha chegado a pouco tempo no país e que começava a pocar, principalmente em Belo Horizonte, onde baladas desse tipo eram cada vez mais comuns, crescendo num ritmo acelerado pelos sítios locais, bem como no interior de Minas Gerais.

Aproveitando a oportunidade, Nandinho pesquisou tendências e fez laboratório nas maiores raves, como XXXPerience, Spirit of London, Dream Valley – sua preferida era a Tomorrowland, que o transportou pra um novo mundo de possibilidades. Com tudo que vivenciou, ele uniu forças a Lucas e Tiago, que já ajudavam nas resenhas, enquanto o primeiro – designer gráfico – ficou responsável pela comunicação visual e pelo relacionamento através das redes sociais, ao segundo coube o fornecimento de insumos, pra produzir a melhor rave de todas.

Um dos maiores atrativos de uma rave que se prese é a lineup, por isso a lista nunca era revelada completamente, deixando o DJ in the box – como ficou conhecida a atração surpresa, já que era representado apenas por um cubo com interrogação, ao estilo Super Mario – ser anunciado só na balada.

Nem sempre o DJ era conhecido, mas apenas os melhores assumiam a pick-up nos últimos instantes, tinha até countdown pra gerar mais expectativa, resultando num engajamento que lotava as baladas e prolongava o interesse. Além disso, a atitude mantinha a galera até os últimos minutos de cada rave, ainda assim isso era incomum, já que, no final, quando a geral já estava bem louca, costumava-se por um DJ mediano.

A atenção aos detalhes fazia toda diferença na hora de proporcionar a melhor experiência e garantir o retorno da galera, tornando cada edição ainda mais frequentada – garantindo uma arrecadação que não parava de aumentar. Com isso, deu pra comprar uma casa ampla, com piscina e churrasqueira, além de poder ostentar os últimos modelos de BMW – já que ele era apaixonado por carros.

Numa realidade melhor, Nandinho resolveu trazer o primo com o qual tinha mais apego, considerando-o seu irmão mais novo, pra morar consigo – com o caminho aberto, as coisas seriam bem mais fáceis pra Dani.

O resultado de tudo funcionar com tanta perfeição era devido a ele e os garotos ralarem bastante durante a semana, fosse caçando DJ, organizando insumos, divulgando e fazendo relacionamento pra, no mínimo, os próximos três meses. Além disso, Nandinho ainda tinha a faculdade de relações internacionais que terminava de lhe sugar o tempo e energia restantes.

Quando o BMW encostou na fazenda, próxima ao centro, a noite – que já tinha virado adulta suficiente pra saber curtir – começava a dar as caras, prometendo ser intensa.

Mesmo a balada começando mais tarde, algumas horas depois de Nandinho chegar a fila na bilheteria já se formava, geral sabia que valia a pena a espera, uma vez lá dentro a curtição ia até o dia raiar, ainda mais porque segunda era aniversário de BH, o que significava um feriadão pra curtir até não poder mais.

Era maior orgulho pra ele ver uma fila tão grande, pois isso significava que vinha fazendo um bom trabalho. Ter contatos é o segredo de qualquer negócio bem-sucedido, ter os certos, então, é o que faz alcançar novos patamares e Nandinho tinha contato direto com, ou sabia quem conhecia, os melhores dos Dj’s, estourados ou não, que faziam a galera pirar.

“Geral vai pirar mesmo quando ver o DJ in the box dessa edição!” – Nandinho riu ao lembrar que aquela era a lineup mais insana que já tinha montado, aquela balada seria realmente inesquecível, deixando sua marca na história das melhores baladas já produzidas.

No começo Nandinho fazia uma rave a cada três meses, daí a demanda reduziu o tempo pra um mês até chegar a ter uma por semana, cada uma com temática diferente. Foi quando ele teve grana suficiente pra comprar o sítio onde os eventos aconteciam.

O local pertencia a Ricardo Pessoa, que o cedeu, pra curtir umas raves boas. Sem precisar pagar aluguel, demorou menos tempo pra juntar grana e obter a posse do sítio.

O amigo ainda insistiu que não era preciso se preocupar, dinheiro não era problema, só que Nandinho fez questão de saber o preço – passado bem abaixo do mercado – e depois de feita a transferência do valor e ter a escritura, o botou na lista VIP permanente – algo justo pra alguém tão parceiro.

A atitude também assegurou que as próximas raves continuassem a acontecer ali, sem estar firmada apenas em favor, o que era importante estrategicamente, até porque o sítio já tinha ficado conhecido como residência fixa devido aos eventos realizados anteriormente, além de ter uma ótima localização.

O próximo passo foi comprar os melhores equipamentos, dependendo cada vez menos de fornecedores, assim dava pra alugar o local pra outros eventos, conseguindo uma boa grana com isso. Como tudo começou a se consolidar, acabou largando a faculdade que tinha começado apenas por achar que trabalhar com eventos era algo instável, no qual não dava pra seguir carreira.

Quando o DJ assumiu a pick-up, as batidas se propagaram pelo ar, criando uma atmosfera maravilhosa, a vibração ecoada pareceu converter tudo numa energia contagiante que fluía pela galera. A sensação proporcionava um prazer indescritível, no qual Nandinho já tinha viciado.

Aquele era o momento em que todo esforço se mostrava válido, quando ele sentia as forças recarregar, zerando a vida, preocupações, cansaço e podia reiniciar com nova disposição e empenho redobrado pros desafios e realizações que estavam por vir.


#proximoepisodio

Todo empenho, capacidade e dedicação de Nandinho traziam ar um de ostentação e felicidade que era compartilhado incessantemente nas redes sociais, onde seguidores se amontoavam em números pra curtir e acompanhar o que ele andava fazendo.

Só que a felicidade registrada era apenas a máscara que ele insistia em usar, sem que nada fosse realmente capaz de ter qualquer internamente – onde sua alma gritava por atenção.

Ósculos e amplexos,

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