#episodioanterior

Dani vê maior gata lhe dando mole e fica tão nervoso que se atrapalha todo, então ela é quem acaba se aproximando e eles ficam durante a rave, mas quando a coisa estava boa, ele acaba descobrindo que ela já era comprometida.

O exagero no entorpecente, acaba dando ruim pra Tiago que acaba passa mal, mas Nandinho lhe ajuda a melhorar, então cada um vai curtir como melhor deseja, até que o inesperado acontece e corta o barato dos amigos.

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Ao ver Dani caído por cima de Mônica, Lucas e mais alguns garotos foram acudir, distraído, Tiago apareceu tentando ajudar, mas acabou ficando pra trás, enquanto o garoto era carregado o mais distante possível do barulho, perto das lixeiras.

— Que tá pegando? – Nandinho apareceu, cheio de preocupação.

Completamente encharcado de suor, ele já tinha esquecido tudo mais se jogando numa onda de incríveis sensações, enquanto o coração seguia acelerado. Ao olhar pra área VIP, conseguiu ver os amigos e o primo, que parecia ter seguido seu conselho, agarrado com Monica, sem querer soltar.

Sem conseguir manter a atenção por mais que alguns instantes, ia olhar pra outra direção quando Dani e Monica pareceram sumir, como as vistas estavam meio borradas não deu pra ter certeza do que houve, então deu um pulo e arrastou Cris pra ver o que realmente tinha acontecido.

— Ele tá no buraco. – Fábio, um dos garotos que ajudou a socorrer Dani, esclareceu.

— Lucas, que cê fez? – Nandinho estava assustado.

— Ahh… o garoto tava precisando se divertir.

“De que adianta conquistas, se enquanto se ganha o mundo, perde-se pelo caminho.”

Pouco depois de Nandinho ter se afastado, Lucas apareceu e viu Dani bastante travado ainda, então encostou e ofereceu uma garrafa com um pouco de água. Quando ele perguntou o que seria aquilo, o amigo disse que era algo pra ajudá-lo a curtir, o garoto ficou receoso, mas todo simpático ele insistiu que ia ser bom.

Quando Dani deu uma golada, Lucas insistiu pra beber tudo [1 Coríntios 15.33]. Não demorou muito pro garoto se sentir mais leve, solto e, totalmente eletrizado, começou a dançar e a curtir de verdade.

— E quanto de Gi ele tomou?

— A mesma dose que faço pra mim…

— Duas tampas e meia? – Nandinho interrompeu. – Por que deixou ele tomar tudo? Até pro Tiago que já acostumou deu ruim, quanto mais o Dani que nunca usou nada! – Ele franziu a testa.

— Poxa! Dei pra ele se soltar e curtir. Dava pra ver que ele queria isso, mas tava todo travado. – Lucas tentou justificar, mas a real é que com a percepção alterada, ele não conseguiu ter noção alguma do impacto que suas ações podiam ter.

Assim que Tiago apareceu, Lucas segurava Dani pra mantê-lo sentado, enquanto Nandinho lhe abaixava a cabeça, jogando água gelada, daí passou gelo – ambos tragos por Monica – na nuca do primo, tentando fazê-lo acordar, mas nem isso, os berros ou chacoalhões o despertaram do estado de inconsciência.

Sem obter qualquer resultado, pediram ajuda aos bombeiros que rapidamente trouxeram uma maca pra levar Dani pra tenda médica. Apesar de não parecer, o garoto pesava um bocado, enquanto ia sendo levado, com certo custo, Monica ia ao lado, levantando o braço dele que insistia em cair e arrastar no chão, até ser depositado no chão da tenda.

Um dos bombeiros quis saber o que realmente tinha acontecido, mas geral desconversou.

— Seria bom se vocês contassem o que ele tomou, pra gente saber o procedimento a ser adotado.

“Pra que insistir numa vida cheia de glamour e curtidas, mas que não traz descanso ou felicidade.”

Sentindo-se cheio de culpa, Nandinho disse que o primo tomou uma alta dose de Gi e que, mesmo tentando mantê-lo acordado e se movimentando, ele dormiu e não acordou mais.

— Ele chegou a tomar ou comer mais alguma coisa?

— Não! – Nandinho confirmou depois de olhar pra Monica que balançou a cabeça em negativa.

Como não tinha perigo de vomitar o deixaram deitado de barriga pra cima – no caso de quem havia comido, o protocolo era deixar o corpo deitado de lado pra evitar engasgos com o próprio vômito.

O bombeiro pediu pra eles saírem, liberando a passagem, mas Nandinho insistiu em ficar por ser primo do garoto. Ante a isso, o bombeiro concordou, mas pediu pro resto se afastar, assim, Tiago, Lucas, Cris, Monica, Fábio e Marcos – o outro garoto que ajudou a socorrer Dani – tiveram que sair.

Nandinho disse pra relaxarem, voltar pra pista pra e se divertirem que ia ficar de olho em Dani.

— Melhor ficar esperto, Nandinho. – Monica o chamou de lado e alertou. – Acho que esses estagiários não sabem o que tão fazendo, um deles perguntou se eu tinha cobertor pro Dani.

— Como assim? – Nandinho ficou indignado.

— Olha só como ele tá! – Ela apontou o descaso. – Eles trouxeram o Dani de qualquer jeito, se eu não tivesse do lado teria machucado a mão dele.

— ‘Xá comigo, vô dar jeito nisso aqui! Agora vai se divertir.

Só que depois disso ninguém curtiu direito e vez ou outra, iam falar com Nandinho pra saber de Dani, mas a resposta continuava negativa. Se ele custava a despertar, Monica reparou que, pelo menos, o cobriram – algo que só aconteceu depois de Nandinho insistir que o primo estava gelado demais e precisava ser aquecido, mas a solução encontrada não foi um cobertor térmico, como ele tinha sugerido.

“Insaciável, a morte costuma chegar em momentos inesperados e, às vezes, vem cedo demais, furtando vidas prematuramente.”

Nandinho ficou indignado da forma que o primo foi tratado, ele ainda insistiu pra colocá-lo na ambulância, mas disseram que ela devia ficar livre, caso houvesse algum caso mais urgente.

Isso lhe possibilitou perceber que não dava pra contar com o auxílio público pra prestar os primeiros socorros, ele nunca imaginou como a galera que precisava de socorro era tão mal tratada, o que lhe fez perceber que o melhor era contratar uma equipe emergencista.

— Bora voltar? – Monica deu um selinho em Nandinho e o convidou pra ir junto, ao ver que Dani parecia estar melhor. – Agora é só esperar ele acordar.

Preocupado do primo não acordar, Nandinho se mostrou resistente, mas a galera insistiu que ficar de tocaia não fazer Dani acordar, então ele cedeu e, se aproximando de Cris que estava meio de lado – meio perdida com a situação – voltou com a galera.

Dançar, Nandinho conseguiu com facilidade, mas por melhor que estivesse o clima e Cris lhe desse maior tesão, ele não conseguiu deixar de pensar no primo esticado na maca, assim, após sentir que já tinha ficado tempo de mais ali, foi verificar o estado do primo.

Quando se afastou, a galera o seguiu e acabou por chegar a tempo de ver o Dani acordar – o que foi maior alívio. Emocionado, Nandinho puxou o primo pro abraço, quando ele se aproximou.

— Cê tá bem, Dani? – Nandinho mal cabia em si de tanta felicidade.

— Tô sim! – Ele não entendeu o motivo de tanta comoção. – Lembro de nada, só apaguei, mas agora tô de boas e… mals aí zoar o rolê, galera! – Ele se desculpou.

— Relaxa, garoto! – Lucas colocou a mão no ombro de Dani e eles foram andando. – Quem nunca deu PT?

“Há quem prefira viver fingindo cegueira, se sobrecarregando de tarefas ou entorpecendo os sentindo, pois é mais fácil manter os olhos bem fechados que enfrentar a dor de sua real condição.”

— Ahh… mas logo na primeira? – Ele estava envergonhado.

— Verdade! Isso deve ser coisa de família. – Lucas ponderou, rindo.

— Como assim!? – Dani ficou confuso.

Lucas contou que pouco depois que dos três se conhecerem, saíram pra beber, achando que era o bom da bebida, Nandinho exagerou na tequila e acabou tendo coma alcoólico.

— Ainda acho que o Nandinho fez isso só pra ser carregado pelo bombeiro, maior gatão o cara. – Lucas confissionou, mas falando alto suficiente pra ser ouvido.

— Real isso aí, concordo total! – Tiago apoiou, se rachando de rir.

— Cala boca, seus peste! Cês só fala besteira! – Nandinho deu um pedala nos dois.

Os garotos ficaram brincando de lutinha, enquanto Dani se acabava de rir, eles eram mesmo engraçados demais, então Nandinho agarrou Lucas pelo pescoço e começou a fazer cócegas até ele pedir pra sair, então o soltou, só aí percebeu o primo contente, o que o fez se sentir melhor, então a galera voltou a dançar.

As luzes multicores, pulsando e serpenteando no embalo da música, aumentavam a sensação de sinestesia, transcendência e dissociação ao tornar movimentos mais lentos e robotizados, enquanto as roupas brancas brilhavam. A fumaça ajudava a dar corpo as luzes, enquanto imensas telas exibiam imagens abstratas e psicodélicas que ora se mesclavam, noutras se abriam, entrando umas nas outras.

Com um ambiente assim, geral logo esqueceu o acontecido, ainda mais sob o efeito dos entorpecentes, ficando na maior vibe boa.

— Mano, bora! – Sem ser esperado, Nandinho disse ao pé do ouvido de Lucas, que apenas assentiu.

Enquanto Lucas foi buscar Tiago, ele foi chamar Dani, mas quem disse que o garoto queria soltar Monica? Estava tão bom ficar grudadinho que ele queria permanecer assim por um bom tempo.

— Depois te passo o número dela! Cês ainda vai ser ver bastante.

— Mas… – Ele tentou revidar.

— Vai lá! – Vendo que Nandinho estava começando a ficar impaciente, Monica silenciou o novinho com um beijo de arrancar o fôlego. – Melhor cê ir agora.

— Tá bem! – Ele concordou, mesmo sem entender a pressa.

Nandinho saiu na frente, sem nem esperar o primo, então Lucas e Tiago apareceram. Eles seguiam pra direita da área VIP, bem mais ao fundo, onde o BMW os aguardava estacionado.

— Tiago, por que já tâmo indo? – Dani aproveitou que Lucas acompanhou o primo, pra descolar.

— Coisa do Nandinho! – Ele deu de ombros. – Às vezes ele fica assim, a gente não faz ideia do que seja, mas quando ele decide algo é melhor nem contrariar.

— Entendi… – Ele respondeu lacônico, sem realmente compreender nada daquilo, até porque, apesar de insistente, o primo sempre foi compreensivo. Aquela era uma faceta realmente desconhecida dele.

— Cê tá melhor mesmo? – Tiago perguntou, sem jeito.

— Tô sim! – Dani sorriu.

— E cê sentiu algum bang?

— Nada! Só lembro que tava dançando, daí acordei na tenda.

— Que bom! – Tiago deu um meio sorriso.

Mesmo não aparentando, ouvir isso o deixou mais aliviado. É que, enquanto a geral correria com Dani pros fundos, ele não ajudou o suficiente, chegando apenas quando já o tentavam acordar.

Não que ele não se importasse, é viu maior casal lindo, foi difícil até saber qual dos dois era mais gatíneo – a garota ou o garoto – e tão encantado Tiago ficou, que não conseguiu desgrudar os olhos deles, foi quando percebeu Dani no chão, ao ajudar viu o garoto lhe olhando encarando, assim, enquanto os amigos se afastavam, ele decidiu aproveitar a oportunidade, depois ia saber o que realmente tinha acontecido.

Dançando, ele foi na direção do garoto e o beijou, então trocaram nomes e elogios, daí virou pra garota e a beijou também – rolou até beijo triplo. Por mais que estivesse bom e que Tiago quisesse aproveitar mais, ele sabia que precisava correr antes que os amigos desapareceram de onde os viu ir, então se despediu e saiu correndo.

Assim que os garotos entraram no carro, Nandinho pisou fundo e pegou a estrada, animados e cheios de energia, eles foram conversando durante o trajeto.

— Pessoal tem preconceito com droga, mas quem usa fica mais de boas, tanto que em rave geral é amigo, já quem bebe, quer brigar e ainda fica de ressaca no outro dia, coisa que balinha ou doce não dá. – Empolgado, Lucas discorreu cheio de propriedade [Salmos 1.1-2].

Ainda sob efeito dos entorpecentes, os garotos concordaram – há quem prefira viver fingindo cegueira, se sobrecarregando de tarefas ou entorpecendo os sentindo, pois é mais fácil manter os olhos bem fechados que enfrentar a dor de sua real condição.

Então, Lucas começou a falar do after que iam fazer pra compensar por saírem tão cedo.

— Vai ser logo pool party pra descontar! – Botando a cabeça pra trás, Lucas viu Dani e Tiago, rindo com vontade [Provérbios 14.13], enquanto ele viajava na maionese.

Independente do horário, era comum rolar after quando chegavam da rave, eles apenas tiravam um cochilo antes. Depois que passaram a produzir balada, deixaram as resenhas de lado, daí resolveram voltar com o agito apenas por diversão.

Apesar de rir e fazer bastante graça, a real é que Lucas estava preocupado, pois se não arrumasse logo outro fornecedor, ia acabar ficando sem lança, já que a polícia tinha apreendido toda carga do seu fornecedor, no interior de São Paulo.

Somando-se a preocupação a crise de consciência, ele começou a chorar, dizendo que tinha estragado o rolê e que a culpa do que aconteceu com Dani era sua porque não se atentou do quanto a dose podia ser perigosa, daí quase o matou.

Calmamente, Nandinho disse pra que não tinha sido nada disso e que já estava tudo bem – o que foi dito foi mais porque não estava a fim de drama, resultado dos entorpecentes, que querendo consolar o amigo.

— Foi culpa sua não, eu que quis tomar. – Mais paciente, Dani esticou pra frente e todo fofo secou as lágrimas do companheiro. – Tô de boas já. – Ele sorriu.

Isso fez Lucas se acalmar, então, os garotos seguiram fazendo maior zoeira, planejando os detalhes da pool party, apenas Nandinho permaneceu quieto – desde que tinham entrado no carro ficou na dele, sem se envolver.

Ligados como estava, ainda seguiram alguns quilômetros fazendo barulho, até o cansaço se abater sobre eles, então o silêncio se instalou.

 — Hey, garoto! Que isso aí!? – Nandinho, ralhou ao olhar o retrovisor.

No mesmo instante, Tiago e Dani que se beijavam, se afastaram, rindo.

— Tiago tá pensando que meu primo é bagunça? Cê pega geral, depois vem ficar com o Dani?

— Relaxa primo, a gente tá só curtindo! – Dani riu despreocupadamente.

— Não sabia que cê também era bi.

— Ah! Sei lá! – Ele deu de ombros. – Só me deu vontade. – E recostou no peito de Tiago, puxando o braço dele pra si. Todo contente, o garoto ficou acariciando-lhe o cabelo.

Quando foram buscar Dani, logo que chegaram ao aeroporto, Tiago bateu o olho e viu, perdido na multidão, um gatíneo que prendeu toda sua atenção – ainda mais porque trocou olhares consigo, fazendo-o torcer pra que o primo de Nandinho fosse aquele garoto.

Ele estava quando indo na direção dele, quando Lucas o puxou e disse pra se apressar que precisavam ir rápido, daí acabou perdendo o crush de vista, mas enquanto andava, foi olhando pra trás procurando vê-lo novamente. Distraído, não notou quando o amigo parou e acabou esbarrando nele, que lhe disse pra ter mais cuidado e prestar atenção.

— Culpa sua! – Ele fez careta. – Fica parando de repente, ‘té parece que não me conhece.

— Parei porque já achei quem a gente veio buscar! – Lucas revirou os olhos. – Dani, esse é o Tiago, mas não repara que ele é bem distraído mesmo.

Na hora que ele foi pro lado, deixando visível o garoto, o coração de Tiago até acelerou e ele ficou todo vermelho quando Dani sorriu e lhe estendeu a mão, cumprimentando-o – ele mal acreditou que estava diante do gatíneo que tanto procurou.

Apesar de estar muito a fim dele, principalmente depois de ver quão cremolícia ele era, ao conhecê-lo melhor percebeu que ele era o padrãozinho hétero top, ou seja, ele não tinha chances – o que houve é que interpretou errado os sinais. Se não ia rolar nada, pelo menos valia a pena tê-lo como amigo, pois além de gato, Dani era fofo, simpático e com um grande poder de atração – igual Nandinho.

Tiago já tinha desistido de qualquer coisa além de amizade, quando o sono começou a bater e ele viu aqueles olhos azuis-claros lhe encarando, da mesma forma que da primeira vez, só que tão profundamente que o fez tremer até a alma. Acostumado a flertar, ele estranhou se sentir tão embaraçado e, sem-jeito, sorriu do melhor jeito que deu, quando Dani fez o mesmo, ele não resistiu e se aproximou, foi quando o beijo rolou.

Dani acabou dormindo com os afagos, ainda sem poder acreditar na sorte que tinha, Tiago sorria, enquanto acariciava os fios castanho-claro dele, aí deu um beijo em sua cabeça macia e, sentindo o cansaço pesar, fechou os olhos e mergulhou no sono também.

Ao olhar em volta, Nandinho viu que era o único esperto, foi aí que a solidão começou a lhe apertar o peito. Ele tinha pensado que se saísse o mais rápido possível da rave, ia conseguir escapar, deixando aquela sensação ruim pra trás.

Pouco depois do primo acordar, quando ele estava começando a curtir, a impressão de que nada daquilo era verdade o fez se sentir estranho – graças ao excesso de serotonina, ficou sem saber se o que sentia era ou não real.

Tentando se acalmar, Nandinho utilizou uma técnica de relaxamento, que consistia em respirar compassadamente, assim começou a inspirar, segurar, expirar e soltar, contando até o mesmo número, e foi repetindo até a mente silenciar, esvaziando de tudo que o fazia perder o autocontrole. Com o cérebro melhor oxigenado, as conexões com as sinapses se intensificaram, deixando os pensamentos mais claros, então começou a se questionar se realmente valia a pena tudo que conquistou.

O xará dele, o pessoas, disse que tudo é válido, desde que a alma seja grande, mas será que compensava aproveitar tanto, já que nada lhe era proibido [1 Coríntios 6.12] – de que adianta conquistas, se enquanto se ganha o mundo, perde-se pelo caminho [Marcos 8.36-37]?

Do que adiantava continuar se apegando a um fio de felicidade que logo se rompia, fazendo-o cair nas profundezas de um abismo de trevas e pavor – pra que insistir numa vida cheia de glamour e curtidas, mas que não traz descanso ou felicidade [Marcos 8.35]?

Ele já tinha se pegado ponderando isso diversas vezes, mas por mais que refletisse, não encontrava uma solução, tudo o que conseguiu foi perceber o abismo entre o que sabia e as respostas.

— Não sei quantas almas tenho, cada momento mudei. Continuamente me estranho, nunca me vi nem achei. De tanto ser, só tenho alma, quem tem alma não tem calma. – Ele se pegou repetindo o poema de Fernando Pessoa.

Fazia tempo que o tinha visto, mas aquelas palavras definiram tão bem o que ele vivia sentindo que ficarem gravadas nele, voltando hora ou outra em sua mente. Aqueles versos de um dos poemas mais enigmáticos, refletiam também toda a consciência da dor vivida pelo próprio poeta.

Em meio aos questionamentos, a responsabilidade pelo que houve com Dani voltou a pesar – a culpa só podia ser dele! O primo não era de usar nada e se manteve firme na decisão, mesmo ele e os amigos fazendo uso indiscriminado de Key e outras substâncias psicoativas, mas como o garoto se inspirava nele, achando incrível tudo o que fazia, acabou cedendo.

“E se ele tivesse morrido? Como eu ia explicar pra tia que trouxe o Dani pra São Paulo só pra matar ele?” – O que seria uma encrenca sem tamanho. Ele sabia bem que as chances de morte súbita por Gi eram imensas.

Os pensamentos se tornaram mórbidos e ele imaginou o primo – que dormindo no banco de trás – gelado, de olhos arregalados e sem brilho, totalmente sem vida. A ideia o assustou tanto que o coração voltou a acelerar e a mente foi dominada por várias cenas de morte, das piores formas possíveis, sanguinolentas e com o líquido espirrando pra tudo que é lado.

O que se apossou dele, foi tão pavoroso que nem dá pra descrever com exatidão – nem vale a pena. Diversas cenas de homicídio e suicídio, tanto de filmes como de desenhos, os quais se quer imaginou existir, não paravam de repetir – como se todo registro de destruição da vida já criados tivessem sido reunidas e descarregadas de uma única vez em sua mente.

Enquanto os garotos dormiram tranquilamente, Nandinho travava uma luta insana e interminável consigo mesmo, ele chega ficou banhado de suor. Com o coração acelerado, a ponto de quase explodir, o peito começou a doer, fazendo-o perder o controle da direção, quando deu por si o carro ia pra cima de um garoto.

A expressão que Nandinho viu no rosto dele foi puro terror, deixando-o mais perturbado, mas não teve tempo de fazer nada, deu apenas pra ouvir o baque. A feição do garoto ficaria gravada pra sempre em sua mente, não fosse pelo carro ter ido na direção do poste causando um barulho ainda maior que mergulhou tudo num silêncio sepulcral.

Dessa forma todos os pensamentos e acusações silenciaram e Nandinho pode finalmente descansar, sem, contudo ter qualquer ciência do que aconteceu [Eclesiastes 9.5] – insaciável, a morte costuma chegar em momentos inesperados e, às vezes, vem cedo demais, furtando vidas prematuramente.


#proximoepisodio

Diante do rompante de Lourdes, Amanda decide encerrar a entrevista e a produção vai embora, mas antes de poder ter sossego, os vizinhos começaram a chegar, querendo saber como Marcos e Lourdes estavam, além de ter notícias sobre o estado de Cadu.

Quando as luzes se apagaram, o silêncio domina a casa, mas dentro de Lourdes uma inquietação lhe perturba o sono. Sem ter como descansar, ela simplesmente desaparece, deixando Marcos assustado sem ter a menor pista do sumiço da esposa.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

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