#episodioanterior

Dani desmaia e deixa a galera em polvorosa, ainda mais porque não acordou mesmo depois de várias tentativas. Sem ter o que fazer, Nandinho apela pro serviço de urgência, só pra descobrir que ele não era tão bom assim e que precisava investir mais nisso.

A noite parecia mesmo estar bem puxada, sem ter mais condições de continuar, Nandinho arrasta os amigos pra ir embora, mas talvez tivesse sido melhor terem continuado na rave.

Acompanhe a minissérie » EP 1 • EP 2 • EP 3 • EP 4 • EP 5 • EP 6 • EP 7EP 8EP 9EP 10EP 11EP 12 • EP 13 [15/09] • EP 14 [22/09] • EP 15 [29/09]


Sem poder prosseguir com a entrevista, Amanda se viu obrigada a encerrar a transmissão da exclusiva – pena que não deu pra segurar Lourdes por mais tempo.

O relato dela tinha levado a comoção geral, levando a audiência a atingir um dos picos mais altos que o jornal do horário nobre não alcançava a tempos. Tudo graças à ela – quem diria que uma repórter regional ia conseguir tamanha façanha?

Enquanto a produção, composta por Ricardo Akyotsu, repórter cinematográfico, e Gilberto Aranha, responsável pela ilha de edição, desmontava os equipamentos, a repórter se preparava pra colher os elogios pelo seu feito – talvez até rolasse convite pra trabalhar na sede de jornalismo da emissora.

Terminado de recolher tudo, eles se retiraram, foi quando deu pra ver a frente da casa abarrotada de gente, como os muros eram baixos facilitava pra bisbilhotar, mas apesar da curiosidade, Amanda percebeu os vizinhos meio receosos, que só começaram a se achegar apenas quando eles saíram pelo portão.

“As pessoas podem ser menos tolerantes quando se é insensível à dor alheia.”

“Bando de caipiras!” – A repórter prensou, revirando os olhos impacientemente, já que estavam atrapalhando a passagem. – “Felizmente, logo não estarei mais aqui!” – E com esse pensamento acalmou.

Pra ela, as espécimes ali só serviam de material jornalístico e, a não ser que a dor alheia gerasse conteúdo pra lhe promover, ela não dava a mínima pras mazelas do próximo [Provérbios 14.21] – o que facilitava é que eles sempre estavam dispostos a aparecer, bastava ver uma câmera.

Como, no dia anterior, o casal não retornou, ao invés de esperar – igual os outros repórteres – ela buscou saber mais, dos mexeriqueiros, sobre o jovem acidentado e seus pais, conseguindo bastante material. Chegou até a gravar entrevistas pra dar um tom mais apelativo a história, além de aguçar a audiência – algo que deu tão certo que proporcionou um link ao vivo no principal jornal da emissora.

— Amanda! Ei, Amanda! – No meio da multidão, uma garota chamou, acenando freneticamente.

Reconhecendo a voz, a repórter, que saía de nariz em pé, após ter cumprido bem sua tarefa, olhou pra muvuca, deu um tchauzinho e um sorriso de meia boca na direção dela, meramente porque a garota é quem tinha avisado da chegada de Lourdes – vai que precisasse dela novamente, o mínimo era fingir se importar. Foi aí que o celular tocou.

“Já era hora! Finalmente vou ser reconhecida!” – Ela se alegrou, ao ver que era a chefe ligando.

Só que o que ouviu não lhe agradou muito, o diretor geral de jornalismo quis saber o que Amanda tinha feito, ao que ela lhe respondeu que apenas seu trabalho.

— Pois você não foi feliz! – Ele sentenciou.

— Como assim!? – O comentário chega causou tontura, ela tinha certeza de que tinha arrasado.

— Olha só o Twitter. – O diretor disse secamente.

Antes ela não tivesse feito isso, Amanda estava nos trending topics, mas não da forma que esperava e isso a fez suar frio. Geral a detonava, dizendo que ela era insensível e que suas perguntas invasivas e inconvenientes, só serviram pra deixar Lourdes pior, pois como um #vampirodamidia a atacou covardemente, num momento de fragilidade, apenas pra obter audiência.

— Amanda, tenho uma notícia pra lhe dar. – Como o volume estava alto deu pra ouvir mesmo com o celular na mão e isso a deixou receosa de encostá-lo no ouvido.

Assim, ao invés da tão esperada promoção, o que conseguiu foi ser demitida pouco após a reportagem.

A ligação da alta cúpula tinha sido muito aguardada, mas ela nunca imaginou que seria pra isso, pelo jeito devia ter mesmo incomodado, ao ponto do próprio diretor geral entrar em contato ao invés de deixar sua diretora fazer isso – e olha que ele era conhecido por usar artimanhas pra demitir repórteres ao invés de sujar as próprias mãos, como no caso em que soltou um vídeo antigo dos bastidores pra fazer a população se voltar contra o melhor jornalista da rede, exigindo-lhe a cabeça, antes de perder sua tão preciosa posição pra ele.

“Talvez o desespero seja, dos estados, o pior. Além de impedir com que se enxergue com clareza, confunde a mente, reduz a percepção e superdimensiona o pavor.”

Buscando revitalizar sua imagem e credibilidade, frente a uma parcela cada vez maior de pessoas com repulsa ao seu poder de influência, a emissora havia adotado uma política de tolerância zero a repórteres com conduta dúbia ou que causasse desconforto. Pelo menos foi o que ficou sabendo quando seu amigo, âncora do jornal vespertino de uma afiliada, ser demitido após receber nude ao vivo, enquanto interagia via WhatsApp, porque “não agiu com naturalidade”.

“Como se desse pra fazer isso diante de algo tão inesperado.” – Ela estalou a língua ao lembrar.

— Tudo bem, Amanda? – Ricardo, que lhe acompanhava nas reportagens, perguntou ao percebê-la tensa.

— Nada não, vamos! – Ela bateu a porta do furgão, eles só esperaram Gilberto entrar na parte de trás, onde ficava a ilha de edição portátil, de onde ocorria a transmissão pra emissora, e partiram.

Acostumada a fazer sucesso localmente – com entrevistas polêmicas e carregadas de emoção – Amanda sempre conseguiu prender a atenção, gerando números positivos de audiência. Isso a fez acreditar que teria a mesma recepção a nível nacional, só que descobriu que as pessoas podem ser menos tolerantes quando se é insensível à dor alheia.

Marcos levou um tempo pra conseguir dar atenção pra tanta gente, enquanto Lurdes permanecia no quarto, até que Fábio e Bia apareceram e ajudaram a dispersar o pessoal. Pouco depois, já se sentindo melhor, Lourdes se juntou a eles, então os quatro ficaram conversando até perder a noção das horas.

Tamanha escuridão, fez a lua parecer adormecida, a emitir luz incapaz de romper o breu. Além disso, um frio congelante vazava quarto adentro, pela brecha na janela deixada pra arejar o ambiente.

Como a coberta não estava sendo suficiente pra aquecer naquela madrugada fria, Marcos virou pro lado de Lourdes e pousou o braço sobre a esposa pra pedir, com suavidade, que ela fechasse a janela, mas o braço caiu pesadamente na cama.

Ao tatear a cama e não sentir a esposa, o sangue gelou, imediatamente ele ergueu o tronco com tudo. Jogar longe o cobertor só serviu pra aumentar o espanto com o desaparecimento da esposa.

Mesmo devassando toda casa, Marcos se quer encontrou alguma pista do sumiço repentino de Lourdes, na garagem também estava tudo como antes, era como se ela lhe tivesse sido tomada sem que ele tivesse percebido qualquer coisa [1 Coríntios 15.51-52].

“Será que ela foi arrebatada!?” – Essa conclusão o fez suar frio novamente, enquanto a respiração pesava e o coração fazia disparar.

Na hora, ele correu pra TV e botou no noticiário, mas tudo o que falavam era apenas sobre amenidades e outros assuntos aleatórios, nada daquilo tinha algo a ver com desaparecimento em massa de nível mundial e de forma inesperada [Mateus 24.30-31].

Sem ter a menor noção do que podia ter acontecido, também sem poder ser comunicar com a esposa, já que ela tinha deixado pra trás celular e documentos, ele botou um roupão, entrou no carro e saiu dirigindo lentamente pra ver se encontrava algum rastro de Lurdes pelas ruas vazias.

Olhando com atenção, cada beco, esquina, ponto e parada de ônibus, ele seguiu perscrutando, mas nada encontrou – a esposa parecia ter evaporado no tempo. Conforme seguia, sem qualquer resultado, a impressão era de que o rastro dela tinha desaparecido a poucos, ainda assim continuou, se deixando guiar pela intuição, até chegar ao hospital, onde Cadu estava internado na unidade de terapia intensiva.

Tão logo ele se aproximou da recepção, deu bom dia e já foi perguntando se tinham visto sua esposa.

— Bom dia, senhor! – Alice respondeu afável. – Qual o nome dela, por favor! – Vendo o latente estado de preocupação do homem a sua frente, que bem podia ser seu pai, ela se compadeceu e fez o pedido pra poder checar o registro de visitas.

— Marcos!? – Lourdes surgiu, se aproximando da catraca que impedia acesso não autorizado.

Quando a doce voz de sua amada lhe tocou os tímpanos, ele se sentiu inundar de paz e calmaria, aí parou o que estava fazendo e correu na direção dela, lhe dando um abraço apertado sobre a catraca.

Ele teria continuado assim, mantendo Lourdes bem próxima de si, pra evitar dela escapar caso a soltasse.

— Senhor, pode passar, liberei o acesso! – Comovida com a cena, Alice se sentiu obrigada a interromper pra que os dois pudessem ter mais liberdade de conversar.

— Amor, como você some assim!? – Emocionado por a ter achado, a voz até falhou.

— Perdão, neguinho! É que seu sono estava tão gostoso que não quis te acordar, mas eu ia ligar antes de você ir pro serviço.

— E como você sai sem celular e documento? – Marcos estava preocupado.

— Você sabe que não gosto de andar com nada, ainda mais uma hora dessas.

— Mas precisa, amor, ainda mais RG, pode ir nem na esquina sem. – Ele ralhou, brandamente. – Se eu tivesse acordado um pouco antes não ia te deixar sair assim.

— Acho difícil, querido, porque saí de casa já tem algumas horas.

— Como assim!? – Marcos se espantou, ele tinha a impressão de que ela tinha acabado de levantar.

Lurdes confessou que saiu pouco depois dele fechar os olhos, pois não conseguiu dormir de jeito nenhum. Não lhe pareceu certo ficar numa cama tão confortável, com colchão de molas, enquanto seu garoto não estava nada bem, largado inconsciente no hospital, então só botou um agasalho, saiu silenciosamente pra não acordá-lo e foi pro ponto de ônibus que ficava na frente de casa.

— Por que não pegou o carro, amor? – Marcos ficou ainda mais sobressaltado após ouvir o relato.

— Porque você ia usar pra ir pro serviço.

— Eu dava um jeito! Mais importante pra mim é sua segurança, e se tivesse acontecido algo contigo?

— Ia não, D-s me guarda! – Ela lembrou que sua proteção não dependia de fatores humanos [Salmos 34.7].

— Ainda assim é bom vigiar! – Ele frisou o alerta do Mestre [Mateus 26.41]. 

— Tudo bem, querido! – Ela abaixou os olhos, sem poder encará-lo e Marcos a abraçou novamente.

— Por D-s, não faz mais isso, amor! Quase entrei em choque quando acordei e você tinha sumido! Entendo que não é fácil deixar nosso Cadu, enquanto a gente descasca, mas precisamos estar bem pra ele.

— Você está certo, querido! – E, sem esperar, ela silenciou todas as preocupações dele com um beijo.

Pego de surpresa, Marcos ficou sem jeito e, pra disfarçar o embaraço, perguntou como Cadu estava, então Lourdes disse que ainda não tinha conseguido vê-lo e que teria que esperar a chegada do médico.

Como não havia jeito, os dois sentaram nas cadeiras de espera, só que por mais confortável que fosse o assento, Lourdes não conseguia ficar parada. Marcos insistiu em perguntar se estava tudo bem, mas ela disse que não aguentava mais tanta espera.

Incomodado, mais pela esposa visivelmente agoniada e inquieta, Marcos resolveu fazer algo, então levantou e foi falar com Alice, pra saber quando o médico ia chegar.

— Senhor Marcos, peço que aguarde só mais um pouco, o doutor Pedro Gonzaga já está chegando.

— Obrigado, Alice! – A resposta o deixou mais aliviado. – Ouviu isso, meu amor? O médico já está… – Marcos se interrompeu, ao ver que a esposa havia sumido novamente.

Alguns metros dali, apesar dos passos apressados, Lourdes tentava não chamar atenção.

— Preciso ver meu Cadu! – A justificativa pra ter largado pra trás o marido e sair apressadamente, sem dar qualquer explicação, saiu baixo o suficiente apenas pra ela mesma ouvir.

Lourdes aproveitou o momento de distração, tanto do marido quanto da recepcionista, pra sair de fininho. A atitude não era o ideal, mas caso dissesse algo pra Marcos, certamente ele a tentaria demover de seu intento, o que faria que demorasse ainda mais pra ver Cadu.

Com os passos apressados, ela olhou pra trás, ao ver que não havia ninguém nas proximidades, começou a correr pra chegar logo no quarto de Cadu, antes que dessem por sua falta e a impedissem de fazer isso.

— Quarto 705… quarto 705… – Lourdes seguiu repetindo, enquanto o elevador subia, só pra ter certeza de que não ia esquecer o número.

“A recepcionista disse pra esperar, que a gente precisava conversar antes com o doutor, mas já falamos demais com ele!” – Ela pensou ao virar uma curva, foi quando avistou o quarto 705.

Sem qualquer cerimônia, já foi entrando, ascendeu a luz e fechou a porta atrás de si. Ao se aproximar do leito de Cadu, o descobriu, apenas pra visão lhe revelar uma amarga surpresa, então o ar se encheu de um odor desagradável.

Seu primeiro instinto foi fazer algo, porém assim que o tocou, Lourdes deu por si e, sem reação, deixou os braços cair lentamente sobre o corpo inerte, mas ainda quente, do filho, se afastou e desatiou no choro – talvez o desespero seja, dos estados, o pior, além de impedir com que se enxergue com clareza, confunde a mente, reduz a percepção e superdimensiona o pavor.


#proximoepisodio

O estado de Cadu faz Lourdes sentir uma tristeza profunda, muito mais do que repulsa ou revolta, ela nunca tinha visto o filho ser tratado com tamanho descaso e toda indignação a faz chorar copiosamente.

Talvez o que teve que passar fosse castigo por sua falta – uma terrível falha cometida, a qual o marido desconhecia e que não a deixou dormir tranquilamente. Até que, em meio aos dias difíceis que surgiram, a felicidade acaba por surgir, sorrindo com um imenso brilho no olhar.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

acidente amor de mãe enfermagem episódio lembranças mãe Minissérie: Interrompido (Todos episódios) soundtrack