Encantado – Manda nudes (Episódio 2)

Tempo estimado: 6 minutos
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O que você esperaria encontrar no Tinder?

Adie resolveu criar uma conta por lá pra conhecer alguém legal, já que não era de sair, além de ser bem tímida. E não é que a coisa deu certo?

Como se o destino tivesse traçado todo um plano pra juntar ela e Derry, cada um deslizou pro lado do outro e o match aconteceu. Daí a conversa rendeu assunto e eles ficaram cada vez mais íntimos com o decorrer dos dias, até ele lhe fazer uma proposta ousada.

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No instante que Derry falou o que queria, o coração de Adie disparou, ainda mais pedindo daquele jeito.

— Poxa, pensei que nunca fosse dizer isso. – Ela disse pra si mesma.

Adie estava tão ou mais a fim dele, mas não queria mostrar interesse em excesso ou, pior, desespero, assim precisou esperar pela iniciativa dele – até porque ela nunca que ia ter coragem de propor isso.

Só que a demora, enquanto eles apenas conversavam, deixou a impressão dela ter ido pra friendzone – aquele vácuo sem fim onde, caindo uma vez lá, pode esquecer que não há retorno, igual buraco negro, por isso, se suspeitar estar próximo dela, corre, se não você vai ser sugado, aí nada que fale ou faça vai surtir efeito e adeus conquista.

Meio embaraçado, Derry confessou que não saíram antes porque o tempo estava corrido, mas como já tinha entregado todos os trabalhos podiam sair de noite.

— Que tal jantar e um cineminha?

— Fechado! – Após enviar a resposta, Adie achou que ela denunciava seu grau de empolgação, mas antes de poder apagar e enviar outra, ela já havia sido lida.

— Perfeito!

— E quando?

— Amanhã, depois que eu sair do serviço.

— Hum… sei não. – Ela ficou reticente.

— Cê já tem algo ou desistiu de sair comigo? – Junto ele mandou o emoji de carinha com lágrima.

— Não é isso!

“Claro que quero, com você vô pra qualquer lugar, seu encantado!”

“De noite, um sussurro é um berro.”

— Que pega, então?

— É que tô sem grana, ainda não recebi. – Ela respondeu, envergonhada.

— Ahh, para! Quem convidou fui eu, então deixa que pago.

— Tá bem!

— Afinal, nada como um bom filme no meio da semana.

— Ainda mais quando a companhia é boa.

— Então, sorte a minha ter você.

— Hown… seu fofo! – Junto da mensagem ela mandou o emoji do macaquinho tapando os olhos. – E onde a gente se encontra?

— Que tal sua casa? – Ao ouvir isso, as bochechas dela voltaram a corar.

— A gente não pode se encontrar lá? Assim fica melhor pra você.

— De jeito nenhum! Faço questão de te buscar em casa.

— Ok… só tem um probleminha…

— Diz aí, porque se tem algo que gosto de fazer é resolver problemas.

— É que cê você vier aqui, meu pai é meio cuidadoso e vai ficar te alugando.

Esse era um dos motivos porque Adie ainda não tinha contado nada. O pai até era de boas, apesar de querer saber de tudo, Ryan, apesar de ciumento não pesava tanto, já a mãe era desconfiada de tudo.

— Pois se o problema é esse, então ele vai gostar de mim, adoro conversar. – O áudio de Derry a trouxe de volta das considerações.

— Disso não duvido, cê fala feito calopsita, igual meu pai, capaz de cês se dar bem mesmo.

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— Então manda a localização aí, bebê.

Adie foi o mais plena possível nas respostas, mas mal estava conseguindo se conter de felicidade, finalmente ia se encontrar com “tudo aquilo” e agora não tinha jeito, ela ia ter de contar, não dava mais pra esconder da família que tanta conversa no celular, até tarde, e os risinhos bobos não eram causados apenas pelas amigas.

Aproveitando a raridade de todo mundo estar em casa, tentou falar, mas eles estavam mais interessados em saber se Thanos ia ou não estalar novamente os dedos e desintegrar de vez a geral.

Sem conseguir atenção que precisava, ela entrou na frente da TV bem na hora que o vilão conseguiu recuperar a manopla do infinito e estava pronto pra estalar os dedos.

— Hey, sai da frente!

— Filha você está atrapalhando.

— Adie, o pai tá assistindo.

— Preciso falar algo sério, com vocês.

— Meu, sai daí! – Como a irmã parecia não ouvir, Ryan a pipocou.

— Poxa, precisa disso? – Ela deu maior olhada feia.

— Cê não sai da frente.

“Os pais sempre sabem quando algo está acontecendo, ainda assim, às vezes não dizem nada por não saber como reagir ou, porque preferem não se intrometer na privacidade dos filhos, esperando saber por eles.”

— Claro! Cês não me dá atenção. – Ela fungou. – Esqueceu que dá pra pausar, cabeção?

— Cê acredita se eu disser que sim!? – Ryan pausou o filme, com um sorriso sem-vergonha.

— Típico de você! – Ela soltou. – Como tava falando, tenho algo importante pra contar.

Percebendo o tom sério, os pais se arrumaram no sofá e disseram que podia falar, Ryan deu de ombros e deitou, ficando com as pernas pra cima do encosto, enquanto mexia no celular.

— Ghalf! – Ele desequilíbrou, então se aprumou. – Tá doida, garota? Quer me matar engasgado, peste!? – Ryan conseguiu dizer após desengasgar.

— Cê que pediu isso, tava de pouco caso!

— Cês não vai fazer nada? Essa coisa aí, que cês chama de filha, tentou me exterminar na frente de vocês e ainda por cima com uma pipoca do chão, eca!

— Alerta de dramaaa! – Adie cantarolou.

— Ora, Ryan, deixa de exagero! – O pai ralhou.

— Custa dar atenção pra sua irmã, filho?

Como resposta, Ryan fungou, ficando em posição de meditação sobre o sofá e encostando o cotovelo na perna pra segurar a cabeça, querendo pender de tédio e ficou olhando pra irmã sem a menor vontade de prestar atenção, já que esperava não sair nada de mais dali. Enquanto ela seguia falando, com certa dificuldade, ele revirou os olhos.

— Já acabou, Jéssica? – Ryan disse assim que ela terminou.

— Nossa, cabei de contar algo maior sério! Certeza que cê entendeu o que falei?

— Sim! Agora conta uma novidade!

— E isso não é?

— Não!

— Como assim? – Adie levantou a sobrancelha, sem entender.

— Cê acha mesmo que ninguém percebeu seus risinhos?

— Mas eu mal fazia barulho!

— Adie, de noite, um sussurro é um berro, mesmo cê tentando esconder dava pra ouvir sua felicidade do meu quarto. – Ao ouvir isso rosto dela corou.

“Não dá pra julgar direito o caráter de alguém conhecendo apenas virtualmente.”

— Então… cês já sabia? – Ela olhou pros pais que afirmaram com um balançar de cabeças.

— A gente desconfiava que tinha garoto em toda essa felicidade.

— Por isso cê insistiu se a culpa era só do tempo, mãe?

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— A gente percebe as coisas, filha.

— Só que esperamos você contar. – Deepak completou.

Adie percebeu que os pais sempre sabem quando algo está acontecendo, ainda assim, às vezes não dizem nada por não saber como reagir ou, porque preferem não se intrometer na privacidade dos filhos, esperando saber por eles, entender isso a fez ficar ainda mais envergonhada.

O pai só quis saber aonde iam, quantos anos o garoto tinha, do que trampava e se estava lhe fazendo bem, o que Adie confirmou empolgada, já a mãe era mais desconfiada.

— Onde você conheceu esse cara, filha? – Sonie estava séria.

— Num app de paquera.

— Filha, cê não sabe o perigo que isso é?

Sonie que já era desconfiada, ficou em alerta ao saber que o relacionamento se deu por aplicativo, os jornais viviam noticiando o perigo de encontros surgidos a partir de bate-papo e mensagens, por isso ela não acreditava nesse tipo de intermediação, ainda mais se tratando de seu bebê.

— Que nada, mãe, ele é um fofo.

— Certeza que ele é boa pessoa?

— Sim, mãe, a gente conversou bastante antes.

— E se ele tiver te enganando? Filha, a gente nunca sabe quem pode ser a pessoa direito.

— Mãe, a gente conversou por vídeo chamada e ele é gato mesmo. – Ela soltou uns risinhos sonoros.

— Sei não… não confio nisso de conhecer alguém assim. Não dá pra julgar direito o caráter de alguém conhecendo apenas virtualmente.

— Tá certo que internet facilita pra fazer coisa ruim, mas também dá pra conhecer alguém legal, só saber procurar. Antigamente os encontros eram pessoalmente, mas isso não afastava gente ruim.

— Isso é. – Sonie ficou pensativa. – Mas nada como você olhar nos olhos da pessoa e enxergar a verdade por trás do brilho deles.

— Mãe, não precisa de toda essa preocupação. – Ela colocou a mão no ombro de Sonie, tentando afastar com o gesto as ondas de preocupação.

— E você não mandou pra ele aquilo não, né, filha? – Sonie estava preocupada.

— Aquilo o quê? – Adie quis saber, ela não tinha a mínima ideia do que a mãe falava.

— Nudes! – Ryan esclareceu.

— Hey! – Ela se espantou. – Não, mãe, credo!

— Ele também…?

— Mãe, ele não é disso e se fosse a gente nem tava se falando! – Adie interrompeu, sentindo as bochechas arder, antes da mãe ser mais clara.

Sonie tinha mania de ser específica nas explicações, o que só aumentava o nível de constrangimento. Ryan, ao ver isso, rachou a bolacha.

— Ufa! – Sonie respirou aliviada.

— Nem todo mundo é assim, o Ryan que faz essas coisas.

“Internet facilita pra fazer coisa ruim, mas também dá pra conhecer alguém legal, só saber procurar. Antigamente os encontros eram pessoalmente, mas isso não afastava gente ruim.”

— Hey! – Ele perdeu a graça. – Como cê sabe disso? Cê andou mexendo no meu celular?

— Nem preciso! Isso é típico de você!

— Não sei porque, mas tô começando a achar que esse “típico de você” deve ser algum palavrão bem feio em adienês, cê sempre usa isso quando fala de mim. – Ryan ergueu a sobrancelha.

— Quem sabe? – Ela fez a irônica. – Só acho que cê não devia mandar essas coisas, isso é nojento!

— As novinha não acha! – Ele se gabou.

— Vai, fica brincando de sexting, até isso virar revenge porn.

— Relaxa, uso umas técnicas aí. – Ryan piscou.

— E tem técnica pra isso!? – Ela ficou surpresa.

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— Hôoo! Cola com o pai que cê passa de ano, filhona.

— De qualquer jeito melhor cê parar com isso, vai que dá ruim pra você.

— Relaxa, não mostro meu rosto.

— Tá bem, filha! – A mãe interrompeu antes daquilo virar uma discussão épica, como nenhum dos dois gostava de admitir estar errado iam argumentando até quem ouvia ficar com dor de cabeça. – Obrigada por contar pra gente. – A mãe sorriu e a abraçou, logo o pai se juntou ao abraço, Ryan preferiu se acomodar melhor no sofá.

— Valeu! Agora vô pro meu quarto.

— Fica aqui com a gente, filha!

— Agora não dá, mãe, tem uma planilha do serviço que esqueci de fazer.

— Tá bem, vai lá! – Sonie olhou pro filho. – Quanto a você, mocinho, que história é essa de ficar mandando nudes pras garotas?

— Mas a culpa é delas!

— Como assim?

— É que nudes não se pede, se conquista e elas sabe fazer por onde!

— Ryan, você não tem vergonha na cara de ficar mandando essas coisas?

— Ué! Elas não tem! Ai… ai! Mãe! – Ryan choramingou quando a mãe lhe puxou a orelha.

— Filho, essas garotas são de menor. E não foi pra isso que te criei!

— Fazer o que se elas gosta!?

— Ryan? – Sonie deu um olhar tão mortal que o filho até ficou zonzo.

— É… bora terminar o filme? – Rapidamente ele voltou a parte que tinham perdido, dando play.

Instantaneamente os pais foram atraídos pra tela e sentaram no sofá.

Quando Adie estava quase chegando no quarto recebe uma mensagem.

— X-9! Te mato, infeliz! Culpa sua minha orelha tá doendo. – Ryan parecia bolado.

— Ué, que houve?

“Nada como você olhar nos olhos da pessoa e enxergar a verdade por trás do brilho deles.”

— A mãe me deu mó puxão de orelha. Meu, não sabia que a baixinha tinha tanta força, cê é doido! – Adie rachou depois de ler a mensagem.

— Bem feito! Quem manda enviar isso, se cê fosse mais decente eu não tinha dado flagra!

— Como assim? – Ele enviou emoji envergonhado.

— Outro dia tava passando na sala e vi cê enviando isso, credo! Na hora virei pro outro lado. – Ela mandou emoji vomitando.

— Toma! Quem mandou ser curiosa! Agora cê sabe porque faço sucesso com as novoca. – Ryan mandou o emoji de olhar malicioso.

— Aff! Credo, Ryan, como cê é podre! – Dessa vez foi a vez do irmão gargalhar ao ler a mensagem.

— Que foi, Ryan? – Sonie quis saber.

— Nada, mãe, só tô enchendo o saco da Adie, é engraçado demais! – Ele continuou rindo.

— Deixa sua irmã em paz, ela precisa… olha lá! – Sonie se interrompeu, apontando a TV.

— Vixe, fedeu! Agora vai dar ruim grandão!


#proximoepisodio

Depois de conseguir contar pra família, não sem dificuldades, Adie ficou cada vez mais animada, contando as horas pra poder ver o encantado ao vivo e a cores. Se ele já era envolvente por mensagem, imagina como devia ser pessoalmente.

Quando o momento chegou, ela não podia estar mais contente, apesar da preocupação da mãe.

O encontro seguiu melhor até do que ela imaginou, mas apesar estar gostando, Adie acabou se sentindo pouco a vontade com a situação – tudo estava indo rápido demais.

Ósculos e amplexes,

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