O Fragrante – Basta aceder a luz (E6)

Tempo estimado: 7 minutos
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Jennie descobriu onde foi parar a correntinha, além de lembrar como fez pra perdê-la, mas isso era um segredo pra esconder, pelo menos da família, eles não podiam saber onde ela foi parar.

Um convite no Face abriu novas possibilidades e mesmo cheia de cautela foi se deixando encantar e entre curtidas e rápidas conversas o desejo de ficar aumentou, mas no fim das contas acabou ficando sozinha, olhando a mensagem que nem chegou a ter resposta.

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Certos acontecimentos surgem e nos marcam de forma que mudam convicções, manias e até nosso jeito de ser. Embora Jennie não desse importância pra filosofar sobre essas coisas, ainda mais porque continuava cheia de energia e falando pelos cotovelos, ela andava diferente.

Só que nem mesmo ela ou as amigas tinham percebido isso, apenas alguém que a conhecia profundamente foi capaz de notar que havia diminuído consideravelmente os “esses” das palavras sussurrados pela casa, assim como a risada gostosa que enchia o ar.

Tudo bem que a quantidade nunca foi bastante, já que ela passava mais tempo batendo perna, que em casa, mas a medida que deixou de sair era de se esperar que o barulho em casa aumentasse.

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Porém, quando não estava no rolê com as amigas, preferia a companhia dos livros ou ainda do punhado de séries – que acumulavam cada vez mais. Talvez fosse coisa de fase, mudança nos gostos ou o punhado de experiência que uma garota de apenas 14 anos enfrentou a tivesse forçado a amadurecer antes do tempo, mas a intuição de Cindy dizia que algo estava errada nessa história.

— Filha, vai sair hoje?

— Não… por quê?

— Nada… é que você anda mais caseira.

— Ué! Não era a senhora que vivia reclamando que eu não parava em casa?

— Tá, mas hoje o dia tá tão bonito, você podia aproveitar.

— Claro que vô… aproveitar pra adiantar as séries. – Jennie riu, mas a mãe não achou a menor graça.

— E a Vee, tá tudo bem com ela?

— Éee… sim, por quê?

— Ela nunca mais apareceu aqui, antes vocês viviam grudadas. Chama ela pra sair.

— Aff, mãe, não tô afim! – Jennie saiu, antes que a mãe a estressasse logo cedo.

— É, parece que alguém andou chupando muito limão. – James entrou na cozinha e beijou a mãe. – Sua filha tá azeda que só, dona Cindy.

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— Ela anda meio estranha.

— Relaxa, isso se chama aborrecência. Ainda bem que disso já tô curado.

— É, mais você me deu bastante trabalho!

— Ah, mãe, cê tá ligada que faz parte! – Ele piscou pra Cindy.

— James, tem certeza que é só isso?

— Só pode, pra ela ficar assim do nada.

— Mas vocês são tão amigos, você não tá sabendo de nada?

— Aaaahh… não!

— É que duas semanas atrás ela tava normal, agora tá meio acabrunhada e quando tá mal sai do quarto.

— ‘Xá comigo, que resolvo a parada rapidinho!

— Olha lá James, não vai provocar a Jennie.

— Relaxa, mãe!

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— TOC! TOC!

— Cai fora!

— Nossa, nem pergunta quem é e já expulsa, eu, hein!?

— Pra quê!? Sei que é você, James!

— Por isso mesmo, cê devia ser mais legal com seu maninho! – James entrou no quarto e já se jogou na cama de Jennie. – E, porque a mina mais gata que conheço tá de bico?

— Ah, a mãe que agora cismou de pesar na minha.

— Ela disse que cê só quer ficar trancada aqui.

— Imagina! Ontem mesmo eu saí.

— Tendeu! Bora comigo no curso, hoje?

— Olha minha cara de quem tá a fim de estudar. – Jennie apontou pro rosto e revirou os olhos.

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— E o que cê tem de importante pra fazer aqui sozinha que acompanhar seu irmão legal, no curso?

— Assistir minhas séries.

— Ah, isso cê pode fazer quando chegar.

— Dá, não! Tenho três séries pra terminar e ainda mais umas duas pra começar e isso tudo hoje.

— Então cê vai passar o dia todo nesse quarto?

— Sim.

— Bem que a mãe disse… – James pensou alto.

— Quê?

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— Nada! Pensei que o tempo de princesa ficar trancada não existisse mais. – James viu que Jennie deu um risinho. – Bom, mas ouve o conselho do dragão aqui…

— Para de ser bobo, que cê é maior gato!

— Pode até ser, mas do jeito que príncipe encantado tá escasso no mercado, acho melhor cê sair, se não cê vai ficando igual à Tia Zinha.

— Credo, isola isso! – James se acabou de rir. – Não me tranquei de vez, só não tô saindo tanto.

— Tá, mas olha esse tempo, tá mac demais pra cê ficar o dia todo aí, sem falar que é um crime, uma mina tão gata, ficar presa assim. – Jennie riu gostosamente. – Pena mesmo que cê é minha irmã.

— Bobão! – Ela não conseguia parar de rir.

— Bora lá? – James aproveitou que conseguiu espantar o mau-humor pra dar o golpe final. – Cê vai curtir a galera, eles são da hora e tem uns gatinhos lá também. – Ele piscou com um sorriso maroto.

— Tá, chatinho! Mas só porque cê não vai me deixar em paz enquanto eu não aceitar.

— Não, mesmo!

— E também porque…

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— Quer conhecer os gatinhos, né? Sabiaaaaa!

— Não, besta! Quero ver se sua galera é legal mesmo.

— Eles são firmeza pakas, cê vai ver!

— Tá, agora se manda que vô me arrumar.

— Belê, só não demora pra não me atrasar. – Ele disse, mas continuou esparramada na cama.

— Se manda logo, mala! – Jennie espantou o irmão a travesseiradas.

“Certos acontecimentos surgem e nos marcam de forma que mudam convicções, manias e até nosso jeito de ser.”

Cindy estava certa, só que Jennie se incomodou ao ser questionada por algo que nem mesmo ela tinha se dado conta e, se percebeu, ignorou pra não sentir incômodo nenhum. Talvez se a mãe tivesse usado outra abordagem, como James, não a teria levado a concluir o que os filhos se dão conta na adolescência: que os pais adoram pegar no pé sem necessidade, transformando tudo num épico drama.

Já James, que sabia como chegar, não percebeu nada, só foi atrás por causa da preocupação da mãe mesmo, daí como a irmã o admirava, sempre ouvia ele.

— O James tem razão, por que esconder esse rostinho lindo? Afinal, se não tiver gatinho nenhum, pelo menos vou conhecer gente nova. – Ela olhou no espelho e se achou tão bonita, já nem lembrava a embirrada de antes.

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Com a ideia de, finalmente, conhecer a galera do curso que o irmão tanto falava, se animou, fazia tempo que queria ir, mas ele nunca a chamava. Além do mais fazia tempo que não saíam juntos, era legal fazer algo com o irmão, mas as “agendas” nunca batiam e quando os dois se encontravam em casa, no mesmo momento, ou estavam acompanhados, ou ela estava ocupada maratonando séries.

Chegando no curso, os dois ficaram nas cadeiras, esperando a aula começar, enquanto a galera ia chegando. Jennie estava achando tudo legal, principalmente a tão falada galera, eles eram firmeza mesmo, o único problema é que a cada nova cara ressurgia a pergunta se os dois eram namorados, constrangendo-a a ponto de ficar vermelha, enquanto James ria, dizendo serem apenas irmãos.

Pouco depois surgiu uma amiga do irmão – bem bonita por sinal – mas nem deu tempo dela se aproximar, pois um carinha, do qual Jennie só viu as costas, chegou agitando a geral, pelo modo que foi recebido deu pra ver o quanto era querido ali, daí todos levantaram e o seguiram até o laboratório audiovisual, onde as luzes os aguardavam apagadas.

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— Bora, cabeça? – James deu um pedala, despertando Jennie.

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— Ah, sim! – Atraída pelo instrutor, sem se quer ver o rosto dele, ela já ia sentar lá na frente, quando sentiu James puxá-la.

— Onde cê vai, Jennie, o fundão é melhor.

Ela apenas obedeceu, mas começou a se sentir estranha, talvez estar no escuro, num ambiente novo é que a estivesse deixando assim.

Jennie forçou os olhos pra ver o rosto do instrutor, mas fora a luz vinda do projetor multimídia, o resto estava escuro, além de ter várias cabeças se mexendo na sua frente, quando ele começou a falar o coração dela acelerou de um jeito que só por uma pessoa havia ficado daquele assim.

Então resolveu se policiar, principalmente no que dizia respeito aos pensamentos, de repente, começou a sentir uma fragrância com sabor de saudades, o cheiro foi ficando mais forte, tomando todo espaço, forçando-a recordar de onde a conhecia, então Jennie começou a ficar incomodada.

A aula estava legal, dava pra ver que o instrutor entendia mesmo o que falava, ele era bem claro nas explicações, mas apesar de ser bom e da galera ser bem participativa, Jennie não entendeu nada. Na verdade, ela se quer conseguiu prestar atenção, pois, ficou caçando de onde vinha o perfume, sem descobrir o paradeiro ficou cada vez mais agoniada, enquanto o coração não parava de acelerar, diferente dela que estava estática, ele parecia disposto a romper as paredes do peito pra fugir dali.

Bastou acender a luz e seu maior temor se confirmou, o instrutor era Simey, mas ele estava diferente da última vez, além de estar do alargador nas orelhas, agora tinha barba e usava óculos de grau, vê-lo todo boy magya assim só deu mais corda pro coração palpitar.

“Ele tá ainda mais gato! Como pode!?” – Parece que cada vez que o via, ele ficava mais irresistível.

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Fazia tempo desde que tinham se visto e da última vez que se falaram foi pelo Face, onde as fotos dele andavam bem desatualizadas, Jennie acreditou que não seria reconhecida, ainda mais agora, que tinha assumido os cachos, definindo-os, além do cabelo estar maior e avermelhado.

Só que depois de encará-lo tanto, enquanto a galera saía, Simey acabou olhando pra ela, que desviou no mesmo instante, ainda assim ele continuou olhando, com a impressão de que a conhecia de algum lugar.

“Os olhos dessa garota parecem familiar.” – Simey pensou.

No outro lab, onde ficavam as máquinas, Jennie fez trio com o irmão e Sampson Hideki, o japinha com quem o irmão sentava pra desenvolver as atividades, logo Simey entrou e, vendo todos ocupados, aproveitou pra se aproximar de James e parabenizar pela namorada tão linda.

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— Ela é mesmo muito gata, mas…

— Não somos namorados! – Jennie e James disseram juntos.

— Ela é a Jennie, minha irmã. – James riu. – Jennie, esse é o prof Simey.

— Prazer. – Simey logo estendeu a mão.

Meio sem jeito, Jennie apertou a mão de Simey, mas antes de poder dizer algo, a garota bonita, que não deu pra conhecer antes da aula, apareceu e, tocando o ombro dele, tomou toda atenção pra si. Jennie ficou observando eles conversarem, os dois pareciam bem íntimos e ele não parava de rir pra ela.

— Oi, desculpe, sou a Mariah! – A garota se apresentou.

— Oi, sou a Jennie, irmã do cabeçudinho aqui!

— Hey, não tenho culpa se meu cérebro não cabe na minha cabeça! – James fez graça, mas logo voltou a atenção pra atividade.

Jennie não conseguiu deixar de reparar o quanto Mariah era ainda mais linda de perto e aproveitando que Simey tinha se afastado, comentou.

— Vocês formam um casal lindo.

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— Não, credo! A gente é irmão.

— Oh! Desculpa, é que… – Jennie ficou envergonhada, enquanto Mariah caiu na risada.

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Quando a aula acabou e todos saíam, Simey se aproximou de Jennie e disse sentir conhecê-la, mas ela afirmou que não tinha como, a não ser que fosse por terem cruzado em alguma esquina do Centro, ele ficou na dúvida, mas balançou a cabeça, dizendo que podia ser, então ela se afastou e saiu vazada.

Lá fora encontrou o irmão com a turma, quando perguntou se já iam, ele disse que ainda não, pois, estavam esperando alguém, Jennie respirou fundo e encostou na parede pra disfarçar, afinal, era melhor esperar, porque se mostrasse que estava com pressa de ir James ia desconfiar de algo e do jeito que era bocão ia falar na frente de todos. Mas nem precisou esperar tanto, pois, logo a galera se agitou, quando ela olhou pra ver quem era o enrolado, lá vinha Simey.

De lá, foram passear no centro, Jennie preferiu ficar afastada do crush, de preferência contra o vento, pra não se inebriar mais com a fragrância dele, ela tentava não olhá-lo, mas era ele quem mais falava, não tinha como não lhe dar atenção, ainda mais porque, sem o jaleco, deu pra ver nitidamente que ele tinha algumas tatuagens, coisa que não existia da vez que o viu de toalha.

O que a deixou desconcertada nem foi o fato dele estar mais atraente e sim que, mesmo com tantos olhares atentos nele, ela o pegava procurando seus olhos a todo instante, como se soubesse bem quem ela era, mas logo tirou a ideia da cabeça.

Eles acabaram indo pra praça central, a mesma onde Jennie e Simey se conheceram, lá aproveitaram pra tirar várias fotos, o ambiente era bem propício pra isso, além das fontes, havia um coreto bem no meio, fora os bancos de pedra e as diferentes espécies de árvores.

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A todo instante Simey encontrava um cenário novo pra fotos, daí pegava alguém pra tirar foto dele ou juntava a galera pra fazer uma selfie, Jennie achou isso contraditório, no Face dele só tinha quatro fotos. Então ele se aproximou da Sakura, ao vê-la, Jennie sentiu-se transportar pro exato momento em que, ao tentar pegar uma flor dela, descobriu Simey através da fragrância, mas antes do flashback ganhar mais cores James a cutucou fazendo-a perceber Simey apontando pra ela e chamando com o dedinho.

Ela olhou pros lados e viu que os olhares estavam todos nela, ao virar pra Simey ele balançava a cabeça afirmativamente, Jennie ficou meio constrangida, mas a galera a empurrou pra ir. Caminhando, sem jeito, ela foi se aproximando, mas ficou meio distante, então Simey a puxou pela cintura, nesse momento ela não sentiu mais nada, a não ser que o corpo amoleceu, cedendo totalmente, enquanto o coração pulsava tão rápido que foi capaz de distorcer o tempo, tornando a passagem dele mais lenta, enquanto ela sentia o corpo de Simey, cada vez mais próximo, fazer aumentar o calor do seu.


#proximoepisodio

O dia pode até não ter começado bem, mas no momento em que Simey a puxou pra perto de si, Jennie sentiu que algo especial estava marcado pra acontecer. Será que as peças pregadas pelo destino, finalmente, iam começar a se encaixar? Simey vai beijá-la ali mesmo, como num sonho?

O que aconteceu na praça deixou Jennie totalmente encantada, mais ela vai descobrir que a capacidade de se surpreender ainda não tinha sido superada, assim uma nova solicitação de amizade a pega de jeito, ainda mais porque as conversas levaram a uma proposta irrecusável. E, agora, como faz?

Quanto a Simey, se ele continuava tão interessado em Jennie por que a ignorou no Face?

Ósculos e amplexes,

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