O Fragrante – Coloca no silencioso (E3)

Tempo estimado: 6 minutos
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Jennie conheceu Simey e de cara se sentiu atraída pela fragrância dele, embora o garoto tenha sumindo ela não conseguiu esquecê-lo e saiu stalkeando as redes sociais, mas descobriu que virtualmente ele não existia. Como vê-lo novamente era improvável achou melhor esquecer o boy e quando conseguiu fazer isso, ele reaparece de forma totalmente inusitada.

Mas se da primeira vez foi chato, porque Simey saiu e a deixou falando só, da segunda foi ainda pior, ele nem mesmo a reconheceu e acabou fechando a porta na cara dela.

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O caminho de casa Jennie conhecia bem, só não soube explicar como fez pra voltar, se a pé, de ônibus, se tinha chamado um carro por aplicativo ou qualquer que fosse o meio de transporte, também desconhecia o tempo gasto pra isso – sério ela não fazia mesmo a menor ideia.

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Tudo bem que sempre sofreu de perca de memória recente, mas isso estava ficando sério demais, como ela conseguiu ter um lapso de memória tão grande assim? Acredito que você – assim como eu – ia pirar só com a ideia disso acontecer, mas ela não deu a mínima, a única preocupação é que estava se sentindo estranha, como se algo nela estivesse errada, o pior é que não sabia o quê.

A bem da verdade ela não tinha esquecido tudo, a memória congelou no exato momento que Simey fechou a porta na cara dela e a cena ficava repetindo feito GIF, assim não reteve o que veio a partir disso. Jennie prometeu a si mesma que não tinha nada que ligar, eles mal se conheciam, mas ainda assim a imagem continuava em looping, quanto mais ela afirmava a si mesma que aquilo não era nada, mais aumentava o número infinito de repetições – ela tinha saído de casa toda sorridente e agora estava assim.

Felizmente, como era boa em dissimular a bagunça interna, Cindy não suspeitou de nada, a mãe até perguntou se tinha dado tudo certo, se encontrou logo a casa, Jennie juntou bom humor de onde nem soube e respondeu com a maior empolgação que tudo tinha dado certo e que nem se perdeu.

— Bom, você está tão radiante, deve ter dado mais do que certo, afinal, você demorou mesmo sem se perder. – Cindy fez graça e piscou pra filha ao pegar o dinheiro.

A única coisa que Jennie conseguiu fazer foi soltar uma risadinha, mas isso bastou pra mãe, ela acreditava piamente que o silêncio era o mesmo que confirmar.

— Agora, licença, vô pro meu merecido descanso.

— Vai lá, filha linda. – Cindy estava toda contente.

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“Não entendi porque todo esse risinho…” – Jennie revirou os olhos. Enquanto seguia pro quarto ouviu o irmão fazendo maior algazarra com os amigos, então achou melhor não ir em frente, pois pra ir pro quarto precisava passar pelo dele, daí que eles iam querer que ela ficasse jogando e ela estava insuportável naquele momento.

Tudo que desejava era colocar a cabeça no travesseiro e tirar um longo cochilo, era essa a técnica usada quando as coisas estavam confusas. Tudo ficava melhor depois de dormir um pouco, como não teria sossego ali, respirou fundo, mudou a direção dos pés e saiu pela porta dos fundos.

“Paixão é igual animal de estimação, se você não alimenta ela acaba morrendo.”

Já que não dava pra ter tranquilidade em casa, se viu obrigada a mudar de ares e o lugar que veio de primeira foi a casa da melhor amiga, Valerie Harter. Vee estranhou a amiga aparecer sem nem avisar, então foram direto pro seu quarto, afinal, devia ser algo sério pra ela aparecer assim.

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— Miga, sua louca, que tá pegando?

— É o que quero saber, Vee!

— Como assim?

— Preciso de respostas!

— Mas resposta de quê, doida? – Vee sentiu que a conversa estava meio sem pé, nem cabeça.

— Melhor sentar…

Após respirar um pouco, Jennie contou, em detalhes, do boy, o que houve da primeira vez que o viu e o que tinha acabado de acontecer ao reencontrá-lo. Só que após terminar de relatar os fatos, a reação da amiga não foi bem o que ela esperava.

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— Hey, porque essa cara?

— Desculpa, miga, isso tudo é engraçado! – Vee falou refletindo.

— Muito mesmo, só que não! Fui mó esnobada, tô sentindo uma coisa estranha e cê ainda acha graça? Bem que dizem que pimenta no olho do outros é refresco.

— Para de neura, Jennie, não é nada disso.

— Ah, não!? Então o que é engraçado nisso?

— É que cê tá xonada!

— Oi? Como assim? Apaixonada? – Jennie mal conseguiu acreditar que estava usando aquela palavra pra si mesma.

— A graça é cê que não acreditava nessas paradas e cabô se apaixonando.

— Poutz, me lasquei! E como tira isso?

— Não tira.

— Como não?

— Relaxa, com o tempo melhora, paixão é igual animal de estimação, se você não alimenta ela acaba morrendo.

— Pesado! – Vee riu novamente, ela estava achando tudo engraçado. – E o que que faço agora?

— Finge que ele nunca existiu, quanto menos lembrar dele, melhor. – Jennie ficou pensativa. – Vai por mim, miga, melhor coisa que cê faz. Também já conheci um sapão, pique o seu, pior coisa foi ficar com ele, pula fora que é cilada.

Depois de umas boas horas de terapia com Vee, Jennie tomou o rumo de casa e foi só abrir a porta pra mãe vir toda feliz dizendo que tinham ligado atrás dela.

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— Quem? – Ela perguntou, mais por educação que por curiosidade ou interesse, afinal, se fosse alguém importante tinha ligado no número dela.

— O Simey! Quer dizer que você fisgou o boyzinho? Filha, ali é partidão, hein!

— Ai, mãe, seje menas! Que ele queria?

— Só pediu pra falar contigo, mas como você não estava, ficou de ligar depois.

— Aaah… – Foi tudo que ela conseguiu responder e foi pro quarto.

“Então ele é desses, esnoba e depois vem atrás?” – Naquele instante ela teve certeza que nunca mais queria falar com aquele boróca.

Se toda vez que dissesse que não queria mais saber do boy o universo parasse de conspirar pra Simey voltar aos seus pensamentos ela o esquecia numa boa, mas bastou resolver fingir a não existência dele, pra criatura ligar atrás dela. Pra tentar dar uma clareada nas ideias, foi tirar o tão aguardado cochilo, mas tudo que conseguiu foi sonhar com o sorriso de Simey, os olhos dele e corpo só de toalha…

Mas antes dela começar a ficar vermelha, o telefone no corredor começou a tocar e ela despertou assustada, pouco tempo depois a mãe bate na porta dizendo que era pra ela.

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— Se for aquele garoto, diz que não tô!

— Mas filha, vê o que ele quer, deve ser importante.

— Mãe, tô indisposta agora e não posso atender.

— Tá bem…

Com essa atitude Jennie pensou ter deixado claro, de uma vez por todas, que não queria saber dele. Mas se essa foi a intenção do recado, Simey pareceu entender completamente o contrário, pois aí que insistiu em ligar, só que ela continuou se recusando atender, não estava disposta a dar moral depois de ser esnobada.

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— Mãe, que número é esse que cê mandou?

Jennie entrou na cozinha atrás de informações, a mãe estava grudada no celular, era engraçado ver Cindy, que sempre a chamou de viciada desse jeito. Além de ficar consultando o aparelho a todo instante, ao invés de falar diretamente com os filhos, preferia mandar mensagem, às vezes até ligava – bom, isso ainda era melhor que ficar berrando pela casa.

— Do Simey. – De contente/surpresa a cara de Jennie colou no chão. – Como cê não quis atender, ele pediu pra passar o número dele.

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— Cê não passou o meu não, né? – Ela ficou assustada.

— Não, mas só porque ele não pediu! – A mãe piscou.

— Mãe!? Cê tá do lado de quem!?

— Do amor! – Cindy começou a rir. – Claro que não, só não entendi porque você não atende ele, deve ser algo importante, filha.

— Tá, depois vejo isso. – Jennie voltou pro quarto.

Maior mentira, mas ela se sentiu forçada a dar uma resposta positiva pra mãe não ficar no pé. Jennie não estava disposta a falar com Simey, assim fez o favor de apagar a mensagem, sem dar atenção pro número, vai que ele grudasse na cabeça, então era melhor nem olhar.

Apesar de fugir dele, feito diabo da cruz, havia um conflito que a impulsionava a fazer justo o contrário. Depois de conhecer Simey algo mudou dentro dela, tanto que passou a acreditar na existência do coração e, por consequência, que o amor também era real, mas depois da forma fria que foi tratada e dele ficar ligando atrás dela, pareceu que tudo não passava de um joguinho, do qual ela não estava a fim de participar, assim seguiu o conselho de Vee e bastou apagar o número pras ligações parar, a mãe também não incomodou mais, assim ela esqueceu total a história.

Naquele dia Jennie acordou até disposta, apesar de ser seu dia declarado da preguiça, ela levantou, foi direto pra janela e abriu as cortinas bem a tempo de ver o céu colorido, havia um rasgo nas nuvens, por onde o brilho do sol escapava, ainda bêbada de sono tirou uma foto e postou no Insta, pouco tempo depois a cena desapareceu.

Quando escovava os dentes – com mais cuidado do que o necessário – o telefone começou a tocar insistentemente, ela esperou alguém atender e nada.

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— Dá pra atender aí? Tô escovando os dentes! – Ela berrou com a boca cheia de espuma.

Só que ninguém se moveu e o telefone continuou tocando, até começar a incomodar bastante.

— Ai, por que não tem botão de silencioso nesse telefone? – Jennie revirou os olhos.

Mas o telefone não ligou pra reclamações, antes tocou com mais intensidade, só que na hora que Jennie disse alô, tudo que ouviu foi o “Tutu” falar com ela.

— Acho que não era importante… – Ela deu de ombros.

Na verdade, não foi isso que aconteceu, o telefone tocou mais de vinte vezes, só que ela demorou tanto que a ligação caiu, mas foi só o colocar no gancho que tocou de novo, daí não teve desculpa e foi obrigada a atender, bem de mau-humor.

“Nem sempre nosso desejo é o que o destino quer, pois ele não costuma se guiar por nossa vontade.”

— Alô, por favor, posso falar com a Jennie?

“Ué? Não tô conhecendo a voz, mas me chamou pelo apelido.” – Ela estranhou.

— Quem é?

— É o Simey, ela tá?

“Só pode ser muito brincadeira de mal gosto do destino!” – Jennie bufou.

— É ela! Que cê quer? – Ela foi pega tão de surpresa que nem se tocou que estava sendo grossa.

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— Jennie? Que bom! Queria muito falar com você. – Apesar da frieza Simey foi atencioso e educado.

“Percebi, mas eu não tava a fim de falar com você!”

— Sobre?

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— É que no dia que cê veio aqui, perdeu sua corrente…

— Minha correntinha!? – Jennie se assustou.

“Puta falta de sacanagem, não creio que perdi logo lá!” – Agora sim ela podia ser guardada, já estava passada e engomada.

— Relaxa, gata, guardei ela. – Jennie percebeu, nitidamente, um sorriso na voz de Simey. Ele estava mesmo caçando assunto, só que demorou demais pra fazer isso e acabou chegando na época em que a caça estava proibida, pelo menos pra ele, que estava sem a menor moral, sim.

“Gata? Quem ele pensa que é? Sô tuas negas não, filhão!”

— Ah… a corrente!? – Ela se recompôs. – Nem tinha percebido que perdi.

Mentira mais deslavada aquela! No outro dia, quando deu por falta da corrente, revirou toda casa atrás dela, mas não achou de jeito nenhum, assim ficou chateada de perder a corrente preferida que, mesmo não sendo supersticiosa, não a tirava nem pra tomar banho.

— Bom, achei que fosse importante, por isso guardei. Se quiser cê pode pegar aqui ou levo pra você…

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— Relaxa, gato! – Ela foi irônica, mas a vontade mesmo era dizer vários desaforos. – Se quiser joga fora, dessa, tenho várias! – Outra mentira grande, ela até tinha uma pá de corrente, mas não como aquela e com aquele pingente. Ele é que a tornava especial, o pingente a definia bem, era fofo e misterioso. – Era só isso!?

— Acho que sim…

— Ok…

— Chama lá no whats, depois! – Ele disse quando ela estava pronta a desligar na cara dele.

— Tá!

Jennie bateu o telefone antes dele ter oportunidade de falar qualquer coisa que fosse, além de não estar a fim de papo com Simey, já tinha esgotado a cota de mentiras pelo resto do ano. Justo ela que não gostava de mentir, agora tinha se tornado uma profissional da mentira e graças aquele garoto.

O melhor que podia fazer era nem trocar mais ideia com ele, mas mesmo que quisesse não ia dar pra fazer isso. Ela tinha apagado o número dele – ainda bem, assim não dava pra cair em tentação.

— Cara, não acredito, perdi minha correntinha logo lá! Como isso foi acontecer?

Ela não tinha a menor ideia, mas de uma coisa estava certa: que voltar a ver Simey seria a última coisa que ela ia fazer na vida. Ela só esqueceu que nem sempre nosso desejo é o que o destino quer, pois ele não costuma se guiar por nossa vontade.


#proximoepisodio

Sim, Simey foi bem cretino de tratar Jennie como se nem a conhecesse, mas ele teve os motivos dele, pena que só se deu conta da brecha quando já era tarde, mas não podia deixar as coisas acabar assim. Da primeira vez Jennie fugiu e agora que tinha reaparecido ele não ia perdê-la de vista.

Após as constantes recusas as tentativas de falar com ela, Simey conseguiu ter um pouco de atenção, mas a grosseria de Jennie o impediu de contar o que realmente aconteceu, assim perderam o contato de vez, até ele descobrir outra forma de falar com ela.

Ósculos e amplexes,

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