Cume do Monte (Foi aqui que cheguei)

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Pelas asas da alvorada subi
Cheguei ao cume mais alto,
Por fugir foi que aqui cheguei.
Ao redor meus olhos contemplam
Montes, montanhas e outeiros
Altos, tão distante eles estão,
No alto é que se vê melhor.

Do chão via apenas
Minha vontade, meu querer
Cheguei aqui e já não posso
Ocultando-me fugir,
Na luz não há sombras
Apenas verdade.

Subi o monte da dor,
Sob as sombras da morte,
Deixei pra trás pedaços de mim,
Minha vontade desfez.

misael mendes, inversível, inversivel, subindo o monte, escalando o monte

Marcas de sofrimento há no corpo.
Na tristeza aprendi da alegria o valor
Posso tudo, até na dor me alegrar.
Até na felicidade há dor,
Mas no meu sofrer apenas sorrir.

Enquanto subia, despi-me de mim
Quantos sonhos e desejos deixei,
Pois não alcançavam o céu,
Como a terra estão distantes dos Teus.

A neve vem a terra encher
E as nuvens a vem regar
Tua Palavra cumpre teu querer
Jamais voltando vazia.

Semente que no chão morreu
Brotará, dando frutos
A trinta, sessenta e a cem.

Subi ao céu para alçar a vontade
Mas Teus caminhos são tão altos
Como alcançar teu querer
Se assim fazer o devo?

Ser tão diferente como és?
Como me afastar tanto assim?
Deixando a mim mesmo,
Negando tudo que sou?

misael mendes, inversível, inversivel, cume do monte, cheguei pico do monte

No cume que, do monte cheguei,
Sinto-me cada vez menor.
Ao chão preso estou
Ante tua imensidão,
Grandeza de teu amor,
Teu peso me faz menor.

Vejo que a vida existe apenas na morte,
Amor a vida nos faz expirar.
A vida que tenho é sopro que esvai,
Vapor que subiu junto ao nascer do sol
Dissipando-se ao calor da manhã.

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Alegria traz tristeza e dor,
Amor apenas ódio e indiferença,
Sabedoria, arrogância e imprudência,

Vida gera morte,
Cuidado só traz feridas,
Força mostra fraqueza,
Grandeza só leva a queda.

Daqui de cima posso ver
Embaixo, a extremidade do mar,
Sopro que paira sobre as águas.
Ante tão esplêndida beleza
Não há alternativas, a não ser
Morrer, saltar do monte que cheguei.

Toda caminhada apenas fortaleceu
Pra não mais a morte temer,
Lanço-me as alturas, aos céus, ao ar
Mais denso que as nuvens vou mergulhar
Pra descansar nos braços teus.

misael mendes, inversível, inversivel, vida e morte

O silêncio da vida é paz
Excedendo todo entendimento.
Meu coração seguro está,
O sentimento já não é de temor
Toda confusão e embaraço desfez.

Junto ao chão é que posso crescer,
Semente oculta cria raiz.
Sob o pó me fortaleço
A gratidão me faz estar aos pés.

Só cresço se estiver na terra,
Rosto no pó, lágrimas regam o chão,
A grandeza está na pequenez,
A vida começou apenas quando morri.


#freetalk

Algumas coisas a gente só descobre o quanto são necessárias depois de aceitar o que precisa ser feito e arregaçar as mangas. Pode até não ser fácil escalar uma montanha, isso te custará um grande esforço, além de persistência, mas apenas lá em cima é que se percebe o quanto valeu a pena tudo que foi feito pra alcançar o objetivo – só a visão já vale todo o preço pago – então é que se percebe o contraditório prazer que há nas dificuldades e empecilhos.

Esse poema surgiu num dia de muita inspiração – fora ele, compus ainda mais três, isso sem falar nos que deixei rascunhados – ao começar a escrever, veio uma enxurrada de inspiração que levou-me pra diferentes caminhos, até todos eles saírem. Dos que nasceram nesse dia, esse aqui é o último, talvez por isso o considere mais consistente, algum dia postarei os outros, quem nem sei mais quais são.

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Ósculos e amplexes,

mishael mendes sign, assinatura